quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

" Leitores ou Birutas?"




 “... Porque a todos é concedido ver,
mas a poucos é dado perceber (...).”

 Nicoló Maquiavelli

                             Aprecio o que escreveu o argentino Jorge Luis Borges. Adorei aprender a “ler” com suas histórias. Ele gostava de dizer que se o escritor não levasse o leitor para o contexto nas primeiras páginas, o livro não merecia ser lido. Tenho-me feito esta pergunta quando preciso de alguma informação sobre algo. Televisão, jornais, revistas, ou virtualmente.
Borges afirmava: (...) Sem leitura não se pode escrever. Tampouco sem emoção, pois a literatura não é, certamente, um jogo de palavras. É muito mais. Eu diria que a literatura existe através da linguagem, ou melhor, apesar da linguagem (...).
Neste aspecto, acredito estamos nos tornando “birutas”. Sem a pejoratividade, por favor. Biruta é aquele aparelho utilizado nos aeródromos ou mesmo na marinha, para saber a procedência dos ventos. De outra forma, quero dizer, com isso que, com o que recebemos, diariamente, da dita “imprensa”, seja de que tipo for, estão ou estamos nos tornando “birutas”,ou simplesmente desaprendemos a pensar por nós mesmos.
Você já reparou em qualquer tipo de imprensa que possuímos hoje, se eles erram em alguma coisa o que fazem? Apenas um pequeno rodapé (noticia minúscula no pé da página) nos casos de jornais, ou um: “... na edição de ontem erramos o nome de fulano ao chamarmos de sicrano”. E o que mais?

Acreditamos em tudo o que ouvimos, vemos ou lemos. Não acredita nisso? Experimente colocar em canais de televisão, horário de noticias, por favor, o resto deixo para seu gosto definir o que assistir, diariamente: Somente o lado “cão”, na linguagem jornalística, o lado pior do mundo e do dito “ser humano”. E isso vende.... Dizem eles. Se vende, alguém lê,ouve ou assiste... Logo...

Há algum tempo atrás isso seria chamado de “cortina de fumaça”, algo feito, para, na verdade, esconder, de fato, o que esta acontecendo. E tudo funciona em nome da tal de “receita, audiência, tiragem” e, agora na internet, em número de páginas sobre o assunto.

Então coloque, por exemplo, já que esta lendo isso em um blog, de fato, em alguma página de busca ou pesquisa, no computador, uma pergunta sobre “mortes no trânsito”: em menos de 0,26 segundos, certamente aparecerão mais de duas mil páginas sobre o assunto.  Sim, eu disse duas mil páginas, de jornais, blogs, revistas e outras “cositas mas” da tal de internet. Algumas, certamente, impublicáveis. 

Não satisfeito? Assista somente três noticiários, tenha paciência, somente até começar o assunto depois pode desligar, ou então, não precisa comprar (só não deixe o dono do local perceber) pegue três revistas consideradas sérias (ainda temos esse numero no Brasil, não se preocupe), e tente descobrir se em nenhuma delas há o assunto. Se conseguir vai ganhar um sorvete. Ops: perdão, um chimarrão aqui do sul ou então um chocolate quente, ou ainda um café – da Bahia é claro -.

Este é somente um exemplo de como nos direcionamos a favor do vento. Igual às Birutas. Talvez venha daí a pejoratividade: “tu tá um biruta hoje”, ou seja, vai para onde o vento te levar, ou pensa de acordo com qualquer opinião que ouça leia ou veja.

Os antigos gregos, artesãos do bom senso (tudo que é razoável, sábio, inteligente) nos diriam para começarmos a pensar um pouco mais sobre tudo. Principalmente sobre o excesso de informações que possuímos, hoje, e não sabemos, exatamente, o que fazer com elas.
E quando a dita “imprensa” faz de tudo, apenas pela “receita” (faturamento) ou pela audiência, ou vendagem dos impressos, ou páginas na internet, nos ofende; está no fundo escondendo, o que está de fato acontecendo, e na pior das hipóteses está nos chamando além de birutas, de babacas sem cérebro, (agora sim pode colocar a pejoratividade) que  ainda não aprendemos a pensar por nós mesmos.

Dificuldades? Muitas. Jornais seriíssimos, televisões abertas (por favor, retire da lista as religiosas, que são em grande maioria), revistas em mesmo nível?
Viu como as respostas vieram rápidas em sua mente! Pouquíssimos (ou as).
O restante é quantidade. Nada de qualidade ou pensamento profundo que nos faça ficar alertas sobre a leitura, como fazem os livros de Borges, ou então sobre grandes literatos brasileiros. Não os cito por serem desconhecidos pela grande maioria. Portanto palavras dispersas.
Ler (tirando todos os erros da língua, principalmente na escrita, que é uma tragédia nacional) já é uma dificuldade incrível para o brasiles. Mas o que esperar do brasiles, cuja média anual de leitura é de 4 livros, porém, apenas 2,1 até o seu final. 
Em tempo: As mulheres leem mais que os homens. Como dizia Nelson Rodrigues: “... Somente o profeta enxerga o óbvio...!”.
No fundo, ao menos aqui, parece, estamos descobrindo que ler e pensar não dói...



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Esta Crônica foi publicada na sexta-feira, 25.01.21013
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