quarta-feira, 28 de junho de 2017

"A Precária Formação Docente!"


#SOSEducacao:

A Precária Formação Docente!
                                   

“... Já tive muitos professores que não
eram professores, afinal só se é
professor quando se ensina...!”

Arthur Leite


Os países com melhores resultados na educação, como é o caso da Finlândia, Cingapura e Coreia, conseguem atrair os melhores profissionais para a carreira docente. 
O Brasil está longe dessa meta.
Sou do tempo em que o professor colocava no quadro-negro a giz os seus conhecimentos, para facilitar o trabalho de cópia dos seus alunos. Quanto tempo perdido!
 Hoje, há como que uma linguagem teatral, nessa relação, o que anima o interesse pela aprendizagem. Existe a disseminação do que chamamos de “artistas-docentes” ou até há pouco “animadores culturais”.
Os cursos de Pedagogia permanecem os mesmos, com currículos esclerosados, enquanto o mundo desenvolvido se abre para as potencialidades do que se chama inovação.
                                            
A questão precária formação docente se reflete diretamente na má qualidade do ensino. E isso não se resolve somente com o (justo) aumento de salários. Apesar de não termos respostas adequadas, enquanto não há mudança nos cursos de formação de professores e no currículo, é preciso fazer algo pelas crianças que estão em sala de aula hoje.
O problema de aprendizagem é muito mais complexo do que oferecer apostilas padronizadas. Esse equívoco é agravado pelo fato de que, por aqui, orientações pouco claras sobre o que e como ensinar e acabam caindo nas mãos de professores muitas vezes malformados. É preciso ensinar o professor a caminhar sozinho. Se não tiver uma atualização permanente (e haja tempo para isso), o professor perderá a batalha da eficiência. Precisamos acordar para a realização de uma ampla reforma, dosada de inteligência pela experiência da inovação.
                                   

O que parece estar evidente, na sociedade brasileira, é o cansaço do atual modelo de educação e na formação de professores. 
Em quantidade e qualidade não responde aos nossos anseios. 
Até quando?
Pensar não dói.... Já a arte de ensinar é para poucos.

Muito poucos...




Entendimentos & Compreensões
Convidado da Sala de Protheus
Das pesquisas e do Pensamento do
Professor, Escritor e Jornalista 
Nelson Valente –
Blumenau –SC – 
Publicado originalmente no Grupo Kasal
Konvenios – Vitória – ES – 
http://www.konvenios.com.br/info/verArtigo.aspx?a-id=28935
Arquivos da Sala de Protheus


domingo, 25 de junho de 2017

" Livra-me Senhor!"

#Sentimentos:
“ Livra-me Senhor! ”
                                

"Você tem que estar preparado 

para se queimar em sua própria 
chama: como se renovar sem 
primeiro se tornar cinzas?"



Nietzsche - Assim falou Zaratrustra –

Esse é um Salmo de Davi. É um Salmo de Libertação.
Tomei a liberdade de transformá-lo poeticamente na minha oração. Seja qual for sua religião ou mesmo que não a tenha se nesse momento precisa de "Libertação" de muitas que são as nossas prisões existenciais e até concretas nas lutas diárias da vida, que esse poema seja sua oração Aquele que ouve todas as orações.
 

Te clamo ó Senhor
Minha voz é um grito
E suplico
Diante de Ti esmagada
estou
Diante de Ti derramo
o cálice da minha aflição
Dentro de mim
já desmoronou meu espírito
nada sobrou
Então Tu me contemplas
No meu caminho
ocultaram um laço
de maldade, de destruição
de inveja, de mentiras
agressões.
Fui enlaçada e caída estou
olho ao meu redor e estou só
Não há refúgio
E quem se importa? Quem me vê?
Então clamo a Ti
Ouve meu fio de voz
Tu és minha esperança
O Refúgio
Meu tesouro na vida.
Ouve-me Senhor
os destruidores são mais fortes que eu
Livra-me da prisão que me encerram
Então te Louvarei
Na presença dos anjos e dos homens
E os teus filhos estarão comigo
Porque Tua Bondade de visitou
E Tu me ouvindo
Me acolheu e me fez Bem.


Pensar não dói.... Já nossos sentimentos...
Gratidão Candida com Bênçãos em teu coração...





Entendimentos & Compreensões
Das percepções de 
Candida Maria Ferreira da Silva
Inspirada no Salmo 142
Assistente social, teóloga, 
especialista em Infância e 
Violência doméstica pela UFF, 
palestrante. Rio de Janeiro - RJ
Contatos: 
candida215@hotmail com
Pagina no facebook: 
https://www.facebook.com/abusoemocionalstop/
Twitter:
https://twitter.com/silvacandida201
Instragram: https://www.instagram.com/abusoemocionalstop/?hl=pt-br



Obs.:
Todas as publicações, na Sala de Protheus,
são de inteira responsabilidade de seus autores,
O Editor!

sexta-feira, 23 de junho de 2017

A Doença da Desatenção!

 #PensarNaoDoi:

A Doença da Desatenção!
                                           
“... A indiferença alheia, resulta em 
minha desatenção e consequentemente 
no desinteresse...!” 
Renê Fernandes Dantas

A cura da chamada doença da distração ou da desatenção não é tarefa simples e não depende da intervenção de médicos ou da ingestão de remédios. A verdadeira causa desta falha psicológica não será eliminada com o aconselhamento profissional de quem padece do mesmo mal e não sabe como combatê-lo em si mesmo. Essa é uma das contradições da pedagogia e da psicologia moderna: o instrutor ou o aconselhador pretende ajudar a outros no enfrentamento de dificuldades pessoais sem antes tê-las superado em sua própria vida. Desta forma, transformando-se em simples transferência ao outro.
A desatenção é uma propensão mental proveniente do ócio e de abstrações estéreis. A rotina e o automatismo mental tornaram o ser humano distraído e desatento. A distração torna as pessoas ingênuas e inseguras; joguetes nas mãos de espertalhões. Talvez por isso, a cultura atual seja tão voltada para as distrações de todo gênero, o ócio e a inatividade mental. 
Ócio veio do latim Otium, "inatividade, ócio. E esta derivou autium, que se originou no indo-europeu. "estou bem, "vou bem", no sentido de ver que a humanidade se sente bem quando está de folga.
                                           

A atenção em tudo o que se faz sem o concurso da consciência é inoperante. No entanto, a consciência humana anda muito inativa, escondida, deprimida. Num mundo onde grandes mentiras são tidas como verdades, a ampliação da consciência fica impossibilitada, e a síndrome da distração alastra-se em proporções assustadoras.

Atenção esta ligado a obediência. Este divino ato de seguir as diretrizes das por alguém superior, que veio do latim Oboedire, "prestar atenção", a, escutar com seriedade, e ob, a, mais audire, escutar.

Tempo é dinheiro. Ter é poder. Onde falta dinheiro, falta felicidade. Essas são algumas das inúmeras faces da Grande Mentira que comprou a alma humana para sacrificá-la como o diabo descrito por Goethe. O mecanismo da atenção deve ser regido pela consciência e não por remédios, tratamentos ou aconselhamento espiritual duvidoso.
O que significa ser inteligente? 
Do latim Intelligentia, de Intelligere, "discernir, compreender, entender, formado por "Inter", entre, mais Legere, "escolher, separar. No seculo XV passou a abranger "informações obtidas por meio sigiloso,.
A inteligência pressupõe o exercício de diversas funções mentais que podem se complementar em mútua colaboração: recordar, observar, refletir, pensar, julgar, raciocinar, imaginar, combinar. A inteligência é a faculdade maior que se resume no funcionamento harmônico das mencionadas para o bem e superação do indivíduo, o que, em geral, não acontece.                
                                    
A cultura convencional que recebemos de nossos antepassados está voltada, quase que exclusivamente, para a utilização da memória e da imaginação. Nas escolas as crianças são massacradas com uma infinidade de informações que devem ser memorizadas em detrimento das outras funções. Essa memorização absurda será necessária para o vestibular que exigirá do jovem um enciclopedismo inútil. 
O entendimento não desenvolvido faz com que a pessoa aceite, passiva e ingenuamente, versões absurdas sobre a realidade, fantasias de toda a índole que se opõem à verdade, acorrentando o espírito, potencialmente inteligente, no claustro de crenças absurdas. O desenvolvimento da inteligência exige o adestramento da observação, do juízo, da razão, do entendimento, do pensar. O ser humano não pode se transformar num papagaio repetidor de falas criadas por outros, nem em um ser que vive a imaginar coisas que nunca realiza. A inteligência deve ser desenvolvida na realização das principais tarefas de sua vida: evoluir e colaborar com as outras pessoas nesse sentido. Ser inteligente implica ser humano, saber conviver com as pessoas, buscar e ir encontrando a felicidade através da vida. 
A inteligência é um dom divino que todos recebemos ao nascer para este mundo e pode ser desenvolvida. Máquina alguma haverá de substituir essa capacidade cognoscitiva e criativa que todos têm e que, aliada ao sentir, poderá levá-los a condições cada vez mais humanas.
                                  
Para conhecer e se aproximar do Criador é lógico e necessário que se conheça a parte da Criação que mais está ao nosso alcance, ou seja, nós mesmos, e que se experimente as alternativas evolutivas que nos foram concedidas através de um processo conscientemente realizado.
Ser mais inteligente significa ser mais humano, interessar-se pelo próprio futuro e o dos demais, estar atento a quanto ocorre na própria vida, no dia-a-dia, com o intuito de aperfeiçoar a conduta e facilitar a convivência com as outras pessoas. 
Pensar não dói.... Já ser desatento...




Entendimentos &Compreensões
Leituras & Pensamentos da Madrugada
Transpirado das obras de
Nagib A. Neto
Engenheiro Civil e Escritor
São Paulo – SP
Postado originalmente no Grupo Kasal –
Konvenios – Vitória – ES –
http://www.konvenios.com.br/info/verArtigo.aspx?a-id=28924
Arquivos da Sala de Protheus

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Estado de Ocultação, Mentira e Fingimento!


 
Estado de Ocultação, Mentira 
e Fingimento!

                                                     

“Nenhum homem, por nenhum período 
considerável, pode vestir uma cara para si 
mesmo e outra para a multidão, sem que, finalmente, venha a se confundir completamente 
sobre qual delas talvez seja a verdadeira.” 


Mark Schwah

Posso desagradar muita gente, mas tenho a convicção de que, numa sociedade de falsos-selves (plural de self= egos), como a nossa, a saída está em dizer a verdade, mesmo que doa.
O falso-self, no singular, ou falso-selves, no plural, dizem respeito a uma vida de aparências e fingimento, ocultação e mentiras, decorrentes de traumas relacionados ao rigor em excesso ou ao abandono na primeira infância, como nos ensina o inglês Donald Woods Winnicott.
A primeira impressão que tenho, após anos de experiência no jornalismo e em delegacias, é que todos, dos mais simples aos mais graduados, temem a verdade.
                                                       
Não se pode julgar, por exemplo, a escolha errada feita por uma mulher, aconselhando-a a largar de imediato o homem violento. Ao Estado cabe a neutralidade, agindo no efeito sem mexer na causa, pois só assim a roda gira e todos continuam se alimentando da miséria alheia.
O Estado se intromete o tempo inteiro na vida dos indivíduos, mas em questões sensíveis faz cara de pena e não intervém decisivamente, prendendo o agressor contumaz e impedindo-o de se aproximar da mulher e dos filhos, independentemente da vontade da agredida. Muitas mortes poderiam ser evitadas.
O sádico jura na frente da juíza que vai se regenerar – e os assistentes sociais acreditam no coitadinho -, até que é feita a reconciliação e certo dia o criminoso enfia a cabeça da mãe de família no forno do fogão. E o problema só aumenta, porque, a partir daí os filhos ficam sem pai nem mãe.
Com as honrosas exceções dos padrastos que assumem os filhos da companheira após uma aproximação e enlace normais, o que se vê são casos e mais casos de abusos sexuais cometidos por homens que chegam nos lares sem mais nem menos, da noite para o dia, do bar direto para a cama, e alguns fazem cara de nojo quando alguém, como eu, denuncia essa catástrofe.

                                        
Andei contando os fatos mostrados no programa de José Luiz Datena/'Brasil Urgente', na Rede Band, de São Paulo, e constatei que dois a três casos de abuso sexual infantil são apresentados diariamente. As estatísticas mostram que, no Distrito Federal, 70% dos abusos ocorrem dentro de casa.
O psiquiatra Theodore Dalrymple, cujo nome verdadeiro é Anthony Daniels, autor de A vida na Sarjeta, defronta-se com a mesma situação nos subúrbios ingleses. Ele diz que os mesmos homens cujas dores crônicas nas costas lhes impedem, para sempre, de arranjar um emprego, recebendo aposentadorias por invalidez, não perdem uma briga de bar.
“Como no Brasil, alguns poucos moradores se refugiam nas igrejas – os “crentes”, tolerados pelos traficantes e bandidos de toda cepa, desde que fiquem na sua. A maior parte das crianças não tem pai; os padrastos se substituem com rapidez e normalmente batem nas mães. Muitas das pacientes são vítimas seriais de agressão doméstica. São raríssimos os casos em que não era evidente que o sujeito era violento antes mesmo do relacionamento”, assinala.
Mesmo assim, tal comportamento é tolerado por elas, que repetidamente pedem para que ele não faça nenhum tipo de denúncia, porque afinal o agressor agora vai mudar…
“A verdade é que a maioria (embora nem todas) das mulheres espancadas contribuiu para essa situação infeliz pela maneira como resolveram viver”, lamenta o psiquiatra e escritor.
                                               
Não é apenas o machismo que oprime as mulheres, são as crianças negligenciadas que, mais tarde, viram opressores e oprimidos, porque, sem lastros que as sustentem, crescem inseguras, fingidas e violentas. E nessa causa, que custa caro e não dá votos nem oportunidades de roubar, o Estado não mete a colher.
Para Miguel, pensar não dói....
E você?




Entendimentos & Compreensões
Miguel Lucena – 
Escritor, Jornalista
E Delegado de Polícia 
Brasília - DF - 
No Twitter - @poetamiguezim
No Face Book - https://www.facebook.com/miguel.lucenafilho
Publicado originalmente no grupo Kasal – 
Konvenios – Vitória – ES – 
http://www.konvenios.com.br/info/verArtigo.aspx?a-id=28916#.WUp_oGgrKyI
Arquivos da Sala de Protheus!

Obs.:
Todas as PUBLICAÇÕES e OPINIÕES 
na Sala e Protheus são e Inteira
Responsabilidade de seus autores!


segunda-feira, 19 de junho de 2017

Brasil – Símbolo de Perda de Tempo e Enganação!

#Cidadania:
Brasil!

 -Símbolo de Perda de Tempo e Enganação- 

                                                  
“... Nem a arte nem a literatura têm de nos
dar lições de moral. Somos nós que temos
de nos salvar, e isso só é possível com uma
postura de cidadania ética, ainda que isto
possa soar antigo e anacrônico...!”

José Saramago 


O Brasil precisa propor-se moratória moral, concordata política, falência de qualquer ordem ou natureza.
Depois das denúncias de corrupção é um erro levantar a bandeira da ética e da moralidade. Nos dias de hoje, há uma descrença generalizada. Os escândalos no Congresso, as falcatruas no governo, a falta de lisura em alguns membros do Judiciário, tudo isso faz crer que a ética está em pane, promovendo a prevalência da tristemente famosa “Lei de Gerson” (a vida é dos espertos).
O presidente Temer e seu projeto de governo, estão presos a ásperas condições sociais e seus sonhos e de pouca relação com a realidade brasileira.
O presidente está em boa companhia, com relação a esse equívoco, pois os demais planos de governo (pelo menos os conhecidos) também parecem feitos para um país que não é o nosso. O projeto do governo acabou virando um símbolo de perda de tempo e enganação.
                                               
Não adianta o PT se refazer. É preciso encontrar a “síndrome” causadora de atos de corrupção e de outras mazelas individualizadas, que não adianta tratar isoladamente.
Não é tarefa para uma só pessoa, mas para a sociedade e especialmente a comunidade científica. Estamos perdendo uma imensa chance de colaborar com o Brasil e com o mundo.
É do tipo “não aprendi nada”, que diz à população: vocês tinham razão de esperar muito do PT porque nós somos a reserva moral da Nação. Houve um “probleminha” entre nós, mas continuamos sendo a reserva moral da Nação.
Essa “cegueira pessoal” pode ser solução imediata para o partido, mas a médio e longo prazo não funciona.
Não descarta a possibilidade de o grupo de petistas que assumiu a condução do partido nos últimos anos tenha chegado ao poder já com más intenções (mas exclui dessa turma o ex-presidente da República), não sendo apenas resultado da corrupção do poder.
O Brasil encontra-se frente a um desafio maior do que fazer uma faxina moral como propunha Tarso Genro (ex-governador do Rio Grande do Sul) e de novo um gaúcho se apresentava como “bastião da moralidade”.
                                           
Antes era um ex-guerrilheiro e até mesmo o ex-presidente da República, que construiu recentemente uma frase questionável lógica.
Lula havia dito, e sempre repete, que é filho de analfabetos, sofreu muito na infância, percorreu uma trajetória socialmente baixa até alcançar a Presidência da República, “logo” não há, no Brasil, pessoa mais ética do que ele.
Esse “logo” não liga nada a nada, a frase de Lula foi de “uma infelicidade absoluta”.
Nesse sentido, a queda de um partido que se comportou o tempo todo como um termômetro moral, uma bússola moral, foi atacado exatamente nesse ponto e se transformou em biruta (marcador de ventos naval) ao sabor das negociatas, coloca o País frente a duas possibilidades: quando o ex-ministro da Justiça, ex-governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, quando assumiu interinamente a presidência do partido e seu primeiro discurso é sobre a faxina moral, é evidente que a sociedade espera que os corruptos, enganadores, manipuladores, que são muitos, sejam apenados conforme a lei; no entanto, ideologizar isso e novamente propor à Nação um projeto de pureza moral, é novamente criar ilusão.
Mas os resultados disso tudo.... Todos sabemos.... Agora, é claro!
O Brasil precisa apenas ler mais... Se informar mais e opinar menos sobre o que desconhece.
Afinal, pensar não dói... 



*
Nota do Editor:
Referência ao Jogador da Seleção Gerson que ficou famoso por um comercial de cigarros em que o slogan era:" (...) O negócio é levar vantagem em tudo, certo!"


Entendimentos & Compreensões
Leituras & Entendimentos da Madrugada
Das aulas de Nelson Valente
Professor, Jornalista e Escritor
Blumenau – SC –
Publicado originalmente no Grupo Kasal – 
Konvenios - Vitória – ES –
http://www.konvenios.com.br/info/verArtigo.aspx?a-id=28910 
Arquivos da Sala de Protheus

sábado, 17 de junho de 2017

" Um Estado Obeso.... E Ineficaz!"

#Cidadania:

Um Estado Obeso... E Ineficaz!

                                                      

“.... Quem diz que voto nulo é ineficaz mostra
a sua submissão e omissão...
Ou está feliz com a corrupção 
e impunidade...? ”


Somos um país grande? Geograficamente sim.
No restante estamos engatinhando em tudo.
Principalmente em cidadania.
Não somos um povo, ainda, por mais pacientes, ou passivos, generosos e sorridente, representamos uma cultura praticamente inanimada.
Fazem o que querem com nosso dinheiro, com nossos impostos... 
E nós?
Bem, nos queixamos ali, hora acolá... E assim seguimos em frente.
Para você que não sabe, não leu, ou nunca estudou ou se preocupou vamos lá:
Se você não gosta de números.... Bem, creio que vá gostar menos ainda com os que estão abaixo.
O Brasil é uma república federativa (Guardem este nome -FEDERATIVA) é formada pela união de 26 estados federados, divididos em 5 570 municípios, além do Distrito Federal. (Brasília que é nossa capital oficial)
E como funciona este gigante?

                                           
O Brasil tem 2.039.499 servidores públicos federais. Quase metade tem nível superior. No Poder Executivo, 46,5% têm diploma de graduação, 2,6% fizeram alguma especialização, 4,9% têm mestrado e 8,4% concluíram o doutorado. 
De acordo com o último boletim estatístico de pessoal do Ministério do Planejamento, de junho, (2015) 28,7% têm segundo grau, 4,7% têm apenas primeiro grau e 3,3% não terminaram nem o primeiro grau. 
Notem a ultima frase:
Os homens são maioria no serviço público. No Executivo, 54,5% dos servidores são do sexo masculino e 45,5% são mulheres. A idade média dos servidores ativos é de 46 anos. 
O Poder Executivo é o que mais emprega, com 1.872.802 servidores trabalhando em todos os órgãos da administração pública direta, autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista e Banco Central, além dos militares. O Judiciário tem 130.989 servidores públicos e o Legislativo, 35.708. O Ministério Público da União, que não é ligado a nenhum dos Três Poderes, conta com 10.487 servidores.
                                         
Segundo os dados do ministério, a União gastou R$ 173,6 bilhões com os salários dos servidores de julho de 2009 a junho de 2010. Desse total, em torno de 75,8% foram gastos pelo Executivo, que conta com 91,8% dos servidores públicos. O Judiciário, que abriga 6,4% do funcionalismo, gastou aproximadamente 15% dos recursos que a União usa para pagar salários. O Legislativo foi responsável por outros 3,5% da despesa, apesar de ter 1,7% do total de servidores. O MPU, que tem aproximadamente 0,5% dos servidores públicos, usou 1,6% dos recursos gastos com salários nesse período. 
Considerando a média de salários de julho de 2009 a junho de 2010, 14,4% dos servidores públicos receberam pagamentos acima de R$ 8,5 mil e 1,2% ganharam menos de R$ 822,99 por mês. Em torno de 1,1% dos servidores receberam entre R$ 823 e R$ 1,3 mil por mês. Na faixa que recebeu de R$ 1.301 a R$ 3,5 mil por mês estão 47,1% dos servidores e 36,3% deles ganharam entre R$ 3.501 e R$ 8 mil.
Mas vamos um pouco mais adiante....
Em 2014, o Brasil tinha 6,5 milhões de servidores públicos municipais, um número 66,7% maior do que em 2001, quando eram 3,9 milhões. Os dados são do Perfil dos Estados e Municípios Brasileiros 2014.
Aqui não estão os números de todas as câmaras municipais, Assembleias Legislativas e nem do Congresso Federal e Câmara dos Deputados.
Estes são outros números.
Basta você multiplicar o número de cidades pelo número de vereadores e acrescentar no mínimo 5 pessoas por vereador.
Já os deputados estaduais podem nomear até 15 pessoas – cada um.
Os Federais até 25 pessoas mais um montante de 3 mil terceirizados.
Um Senador pode ter até 55 pessoas em cargos nomeados. O que faz com que o Senado tenha em média 6.113 funcionários – pelos últimos números do IBGE.
                                         
Você acha que somos grandes ou sofremos de obesidade mórbida com ineficiência completa?
Crê que temos tratamento?
Não é muita gente para fazer pouco?
As respostas deixo para você pensar antes das próximas eleições...
Afinal pensar ainda não dói...
Já sustentar um mamute pré-histórico.... Dói no bolso e na alma....




Entendimentos & Compreensões
Leituras & Pensamentos da Madrugada
Fontes:
ADESG
Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra
IBGE – Dados de 2015 (últimos dados oficiais)
Publicado originalmente no Grupo Kasal
Vitória – ES – 
http://www.konvenios.com.br/info/verArtigo.aspx?a-id=28900#.WUUuCmgrKyI
Arquivos da Sala de Protheus

terça-feira, 13 de junho de 2017

Janelas do Brasil - XV -

#Cidadania:


Janelas do Brasil – XV-



Cidadania com Puxão de Orelhas!

Marisa Cruz – “A Voz que Incomoda os Imorais e Manipuladores”, puxa as orelhas para a cidadania e se importar mais pelo Brasil.


Escute e pense…. Não dói!




Entendimentos & Compreensões

Janelas do Brasil, criação e texto
de Marisa Cruz - São Paulo – SP – 
Texto de Arnaldo Jabor da CBN de Segunda-feira, 12.06.2017
Via http://cbn.globoradio.globo.com/media/audio/94597/aos-trancos-e-barrancos-instituicoes-estao-funcion.htm
Arquivos da Sala de Protheus


Obs.:
Todas as PUBLICAÇÕES e OPINIÕES 
na Sala e Protheus são e Inteira
Responsabilidade de seus autores!

O Edior!

domingo, 11 de junho de 2017

"Você Sabe Votar?"

#Cidadania:

Você Sabe Votar?
                                            
“... A diferença entre uma democracia

e uma ditadura consiste em que numa
democracia se pode votar antes de
obedecer às ordens...!”


Charles Bukowski

O Brasilês, atualmente, como nas últimas duas décadas, salvo “meia dúzia”, está diretamente proporcional ao “maria vai com as outras”!
Saber, ser informado, buscar leituras que enriqueçam sua cidadania, como diria uma amiga virtual, utilizando a sátira para imitar os italianos quando dizem: “Ah, Vah! ” – Em outras palavras: Capaz, deixa disso, nem falar, seriam quase sinônimos...
Diretas já, - sim as de agora e não às dos anos 80 -, Assembleia Constitucional, ou seja, para fazer uma nova Carta Magna, Eleições Indiretas, Impedimento do atual Presidente entre outras as asneiras, são os temas predominantes da “imprensinha nacional” e de todas as redes sociais.
Como se o Brasilês soubesse votar.
Ops. Perdão! Ofendi você?
Mil perdões.
Então pode me dizer como é o nosso Sistema Eleitoral?
                                          
Eu já imaginava esta resposta;

Permita-me clarear nossa conversa.
O regime político brasileiro está fundamentado na democracia, em que o povo determina quem serão os seus governantes, e no sistema presidencialista, que é composto por três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. O primeiro é exercido pelo Presidente da República e o segundo, pelo Parlamento – dividido entre Câmara dos Deputados e Senado Federal. O Poder Judiciário tem a função de garantir o cumprimento da Constituição Federal e aplicar as leis, julgando determinada situação e Legislação
Existem dois sistemas eleitorais no Brasil: majoritário e proporcional. No primeiro modelo, ganha o candidato que obtiver a maioria dos votos. Dessa forma são eleitos o Presidente da República, governadores, senadores e prefeitos.
No sistema proporcional, o número de representantes políticos é distribuído proporcionalmente entre os partidos políticos concorrentes. Assim são eleitos os deputados Federais, os deputados Estaduais/Distritais e os Vereadores.
Exatamente este é o resultado de cada vez que você apertou a tecla de votar nas Eleições em todos os níveis, e para antes das tais de “maquininhas” as cédulas impressas.
Ah, estava esquecendo. Se não tem candidato a altura, começam a “urrar” por todo canto, voto em branco ou voto nulo.
Você sabe o resultado disso?
Está bem, lá vai outro pensamento para você ficar mais tranquilo.... Ou não!
                                        
Apesar de o voto no Brasil ser obrigatório, o eleitor, de acordo com a legislação vigente, é livre para escolher o seu candidato ou não escolher candidato algum. Ou seja: o cidadão é obrigado a comparecer ao local de votação, ou a justificar sua ausência, mas pode optar por votar em branco ou anular o seu voto.
Mas qual é a diferença entre o voto em branco e o voto nulo?
De acordo com o Glossário Eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o voto em branco é aquele em que o eleitor não manifesta preferência por nenhum dos candidatos. Antes do aparecimento da urna eletrônica, para votar em branco bastava não assinalar a cédula de votação, deixando-a em branco. Hoje em dia, para votar em branco é necessário que o eleitor pressione a tecla “branco” na urna e, em seguida, a tecla “confirma”.
O TSE considera como voto nulo aquele em que o eleitor manifesta sua vontade de anular o voto. Para votar nulo, o eleitor precisa digitar um número de candidato inexistente, como por exemplo, “00”, e depois a tecla “confirma”.
Antigamente como o voto branco era considerado válido (isto é, era contabilizado e dado para o candidato vencedor), ele era tido como um voto de conformismo, na qual o eleitor se mostrava satisfeito com o candidato que vencesse as eleições, enquanto que o voto nulo (considerado inválido pela Justiça Eleitoral) era tido como um voto de protesto contra os candidatos ou contra a classe política em geral.
Disso tudo resta os Votos válidos.
Atualmente, vigora no pleito eleitoral o princípio da maioria absoluta de votos válidos, conforme a Constituição Federal e a Lei das Eleições. Este princípio considera apenas os votos válidos, que são os votos nominais e os de legenda, para os cálculos eleitorais, desconsiderando os votos em branco e os nulos.
A contagem dos votos de uma eleição está prevista na Constituição Federal de 1988 que diz: "é eleito o candidato que obtiver a maioria dos votos válidos, excluídos os brancos e os nulos". 
                                   
Ou seja, os votos em branco e os nulos simplesmente não são contados. Por isso, apesar do mito, mesmo quando mais da metade dos votos forem nulos, não é possível cancelar uma eleição.
Como é possível notar, os votos nulos e brancos acabam constituindo apenas um direito de manifestação de descontentamento do eleitor, não tendo qualquer outra serventia para o pleito eleitoral, do ponto de vista das eleições majoritárias (eleições para presidente, governador e senador), em que o eleito é o candidato que obtiver a maioria simples (o maior número dos votos apurados) ou absoluta dos votos (mais da metade dos votos apurados, excluídos os votos em branco e os nulos).
Portanto votando em branco o anulando o seu voto, você literalmente se anula da eleição. E não pode nem “berrar depois”. Tem que ficar quietinho pois sua participação foi nula.
Um pouco mais de leitura, com todas as facilidades atuais, fará de você um pouco melhor cidadão...
Depois poderá cobrar “daqueles” em que você votar... Se não votou em nenhum você é nulo... Inexistente... Em todos os sentidos...
A escolha é sua...
Pensar não dói.... Já não saber votar causa dores nos seus filhos e nos outros.






Entendimentos & Compreensões
Leituras & Pensamentos da Madrugada
Fonte:
TSE
Publicado originalmente no Grupo kasal –
Konvenios – Vitória – ES – 
http://www.konvenios.com.br/info/verArtigo.aspx?a-id=28899
Arquivos da Sala de Protheus 

quarta-feira, 7 de junho de 2017

A Normose Brasilesa!

 #PensarNaoDoi

A Normose Brasilesa!
                                          
“ O Silêncio é a linguagem do Sagrado.
Todas as outras linguagens são ecos.

Jean Yves-Lelloup

Dentro de uma conhecidíssima “mesmice” do Brasilês, em termos culturais e políticos, continuamos adormecidos “ternamente” em berços nada esplêndidos, contrariando nosso Hino Sagrado, O Nacional, é claro.
A partir da chegada do mês de junho, veremos não somente o inverno achegar-se, mas também um quadro imbecilatório de proporções desconhecidas.
Não é possível que mesmo quase duas décadas de péssimos administradores e ausência completa de um estadista não saibamos ainda o que queremos e muito menos o que precisamos.
É isso tudo que me remete ao pensador francês que criou o termo Normose:
O conceito foi cunhado quase que simultaneamente pelo psicólogo e antropólogo brasileiro Roberto Crema e pelo filósofo, psicólogo e teólogo francês Jean-Ives Leloup, na década de 1980. Eles vinham trabalhando o tema separadamente até que um terceiro psicólogo, o francês Pierre Weil, se deu conta da coincidência. Perplexo, Weil conectou os dois, e os três juntos organizaram um simpósio sobre o tema em Brasília, uma década atrás. Do encontro, nasceu uma parceria e o livro Normose: A patologia da normalidade.
“O normótico padece de falta de empenho em fazer florescer seus dons e enterra seus talentos com medo da própria grandeza, fugindo da sua missão individual e intransferível”. “Quando temos necessidade de, a todo custo, ser como os outros, não escutamos nossa própria vocação”.
Entenderam agora? 
Nosso problema, literalmente, é patológico.
                                        
Não nos empenhamos em absolutamente nada no que se refere ao todo, ao povo, aos que vivem a nossa volta. Parece que não temos este espirito de grandeza?
A normose nos impede de sermos quem realmente somos. O consenso e a conformidade impedem o encaminhamento do desejo no nosso interior. Tornar-se uma pessoa é um caminho. Por intermédio de cada um, o desejo continua sua rota. Trata-se de ir ao encontro da identidade transpessoal. Não basta ser apenas eu, um ego. No interior de cada um de nós podemos sentir o chamado do Self. Através das experiências do numinoso, descobrimos que existe algo maior do que nós. Mas temos medo de enlouquecer, de perder o ego, de perder o que foi construído no ambiente das relações parentais, familiares e sociais. O que temos a perder são as ilusões: as imagens de Deus, as imagens de nós mesmos, as imagens que construímos do que seria um homem ou uma mulher bem-adaptada. A realidade, em si, é impossível de ser perdida.
A cura da normose é trabalho individual, mas alguns esforços sociais podem ajudar. Para começar, seria um adianto se tivéssemos um novo modelo educacional.
Mas aí, antes que alguém me diga, estamos longe. Aliás, Portugal, nossa terra mãe já tem escolas sem séries. Mas não vou entrar neste detalhe. Vou deixar o termo normótico para que sofre desta patologia.
                                          
Por óbvio que isso não é uma anamnese, muito menos a pretensão de um diagnóstico social, mas que consigo ver as verossimilhanças, ah, creiam-me, são muitas...
Não necessito nem entrar em detalhes mais. Basta que cada um verifique as notícias da semana e como continuaremos na próxima...
Exatamente igual, falando as mesmas coisas, sobre os mesmos temas com os mesmos termos.
Portanto dentro desta mesmice ensandecida do brasilês, estamos sendo normóticos. Ah, se estamos...
Pensar não dói... Neuro e psicologicamente, porém, quanto ao Brasilês, já começo a ter sérias dúvidas...



Entendimentos & Compreensões
Leituras & Pensamentos da Madrugada
Transpirado da obra 
Normose a Patologia da Normalidade
Jean Yes-Lelloup – Editora Verus – julho de 2004
Publicado originalmente no Grupo Kasal –
Konvenios – Vitória – ES 
http://www.konvenios.com.br/info/Artigos.aspx?codAutor=117
Arquivos da Sala de Protheus

domingo, 4 de junho de 2017

Abdução! - Charles Sanders Peirce -

#SOSEducacao:

Abdução! - 
Charles Sanders Peirce -

                                           

Houve momentos, no decorrer do século passado, que a filosofia se recusou a falar do mental sob o pretexto de que não podia vê-lo.
Hoje em dia, com as ciências cognitivas, as questões do conhecimento - o que quer dizer conhecer, perceber, aprender? - Tornaram-se centrais. Os progressos da ciência permitem tocar naquilo que antigamente era invisível, o que obriga a Semiótica questionar: como é que a linguagem estrutura a percepção que temos das coisas?
Peirce enfatiza a importância da abdução no avanço de teorias científicas. Os três modos inferenciais nos possibilitam pensar de forma estruturalmente lógica, de modo a garantir certa correspondência entre as teorias elaboradas e a realidade. Uma vez gerada e escolhida a hipótese, segue-se o processo de justificação que irá ocorrer no desenvolvimento dos raciocínios dedutivo e indutivo, proporcionando uma verificabilidade da correspondência entre a hipótese acolhida e as leis da natureza.
Segundo Charles Sanders Peirce, a abdução é o processo pelo qual a razão inicia o estudo de um novo campo científico que ainda não havia sido abordado. Esse tipo de raciocínio pode ser exemplificado, entre outras áreas, na criação do artista, nas pesquisas históricas e arqueológicas ou mesmo nos procedimentos de investigações criminais, que antes de iniciarem seus trabalhos só contam com alguns sinais que indicam pistas a seguir. Nestas descobertas, o raciocínio abdutivo se efetiva nas seguintes etapas: Percepção de anomalia; surpresa e dúvida; abandono do hábito anterior; geração e seleção de hipóteses que poderiam solucionar o problema.
Neste sentido, o raciocínio abdutivo se processa na simbiose entre a razão expressa no exercício da mente e razoabilidade constitutiva do mundo. Na relação entre a mente de quem raciocina e a natureza existe uma afinidade suficiente para que, na maioria das vezes, as tentativas na escolha de uma hipótese correspondam à regularidade observada. “A abdução inicia-se dos fatos sem, em princípio ter qualquer particular teoria em vista, embora ela seja motivada pelo sentimento de que uma teoria é necessária para explicar os fatos surpreendentes” (CP 7.218).
                                               
Os processos de inferência lógica se principiam na abdução, que se caracteriza como um tipo de raciocínio capaz de introduzir uma ideia nova através da geração de hipóteses provisórias, porém plausíveis; sem este tipo de inferência não poderíamos avançar em nossos conhecimentos. No entanto, o raciocínio abdutivo apresenta-se como o mais frágil e passível de erro, carecendo dos outros tipos de raciocínio para que se complete o processo de justificação.
No entanto, por meio da argumentação feita até aqui, sob a ótica da filosofia de Peirce, parece haver uma determinação mútua entre o geral e o particular, em que cada cognição é composta por elementos gerais e inserida em um contexto singular.
Esta dinâmica possibilitaria a aquisição de novas perspectivas e novosmodos de percepção na geração de novas hipóteses. Porém, desenvolvidas ao longo de um processo contínuo e imbricado.
Em síntese, a lógica, de acordo com Peirce (CP 5.171), fornece as normas por meio das quais cada método de raciocínio deve ser realizado. No argumento dedutivo a sugestão gravita em torno de que algo DEVE SER assim, na indução aparece a ideia de que algo atualmente. É assim, enquanto que na abdução esse algo observado PODE SER assim.
Nossa capacidade de formular questões não advém do nada, ou de alguma capacidade excêntrica, (CP 5.171), mas pode ser explicada por meio da lógica da descoberta, apontada e desenvolvida por Peirce.
A primeira etapa da investigação consiste na geração de hipóteses, em seguida faz-se a escolha de uma das hipóteses mais adequada e explanatória.
O próximo passo é de deduzir consequências a partir da hipótese escolhida e inserida no processo de descoberta.
A tarefa realizada pelo raciocínio dedutivo é dupla: análise lógica e explicativa seguida da demonstração derivada de uma lei geral aplicada às suas consequências causais.
A terceira etapa ocupa-se de verificar se as consequências subsumidas na dedução estão em conformidade com a experiência.
Peirce compreende a ciência enquanto um processo de desvelamento permanente, o que significa que nunca se chega à verdade última das coisas; o método científico, que envolve as operações racionais assim como uma leitura semiótica de realidade, apenas anuncia aspectos de algumas partes do que se observa.
Encontramos na estrutura filosófica de Peirce o indeterminado, assim como a disposição de olhar para o mundo da maneira como ele se apresenta, em seu instante único.
No próximo tópico analisaremos como a noção de interpretação desenvolvida por Umberto Eco se funda no conceito peirciano de abdução.
A interpretação como um caso de detetive
                                      
No começo de O Signo dos Quatro, de Arthur Conan Doyle, o leitor é informado do hábito do detetive Sherlock Holmes de tomar cocaína ao menos três vezes ao dia. Esse costume irritava seu ajudante Watson, mas o famoso detetive inglês assim justificava sua ação:
Meu cérebro, disse ele, rebela-se contra a estagnação. Dê-me problemas, dê-me trabalho, dê-me o mais obtuso criptógrafo, ou a mais intrincada análise e eu estarei no meu elemento. Dispensarei, então, os estimulantes artificiais. Detesto a rotina monótona da existência. Preciso ter a mente em efervescência. (DOYLE, 1991, p. 9).
A posição do detetive, como aquele que detecta e descobre a partir de certos indícios uma realidade inteligível, é comparável ao método de investigação proposto por Charles S. Peirce. Mas o que há em comum entre o detetive Sherlock Holmes e o multicientista Peirce?
Tanto o cientista quanto o detetive devem lançar mão de conjecturas, criar hipóteses para tentar desenvolver sua investigação. Ambos possuem um problema para revolver e devem procurar o caminho mais coerente, a hipótese menos extraordinária ou mais provável para seguir. A solução do caso depende de que a hipótese imaginativa desenvolvida pelo cientista/detetive seja verificada experimentalmente, confrontada com a realidade. Para a lógica que preside a invenção de hipóteses imaginativas Peirce deu o nome de abdução.
                               
Peirce fala em três tipos de raciocínio: a dedução, a indução e a abdução. O raciocínio dedutivo “prova, que algo DEVE SER, a indução mostra que alguma coisa É realmente operativa; a abdução sugere simplesmente que alguma coisa PODE SER” (PEIRCE, 2003, p. 220).
A abdução busca gerar uma regra, uma hipótese explicativa, por isso mesmo, envolve sempre um ato de interpretação.
Considerando a analogia construída entre o cientista/filósofo e o detetive Sherlock Holmes, é difícil separar quando o primeiro simplesmente “exerce seu vício” e quando está investigando um problema pertinente. A grande distinção entre descoberta e invenção torna-se problemática e o representacionismo, comum a Peirce e Eco, surge como um provável vício de valorização de meios e jargões epistemológicos. Ainda que abandone a ideia de estrutura em sentido ontológico, Eco toma sua miragem como norma cognitiva, uma epifania que faz mais pela religião do método do que pela abertura para a imaginação.
Para Umberto Eco, “no fundo, a pergunta básica da filosofia (como a da psicanálise) é a mesma do romance policial: de quem é a culpa? ” (ECO, 1985, p. 45-46).
Em famoso pensamento de Peirce, temos o entendimento de que o pensamento não está em nós, nós é que estamos em pensamento. Não reagimos mecanicamente às situações, de forma sempre igual. Estamos sempre em movimento, criando novos signos, aprendendo.
Logo, por lógica, pensar não dói....




Entendimentos & Compreensões
Convidado da Sala de Protheus
Das pesquisas e do pensamento do 
Nelson Valente 
Professor Universitário, 
Jornalista e Escrito
– Blumenau – SC – 
Publicado originalmente no grupo Kasal –
Konvenios – Vitória – ES – 
http://www.konvenios.com.br/info/verArtigo.aspx?a-id=28877#.WTSzZGjyuyI
Bibliografia e arquivos na Sala de Protheus
https://salaprotheus.blogspot.com.br/
Bibliografia e arquivos na Sala de Protheus

Obs.:
Todas as publicações na Sala de Protheus
São de Inteira responsabilidade de seus autores originais
O Editor!