quinta-feira, 1 de junho de 2017

"Civilidade ... Ou Ausência?

  #Humanidade:

 Civilidade... ou Ausência?
                          
“Em geral, quanto mais um povo é civilizado,
educado, menos os seus costumes são poéticos;
tudo se atenua ao se tornar melhor.”

Denis Diderot

Em conversa informal com amigos, em que um deles contando de suas viagens aos Estados Unidos, disse ter ficado impressionado pois se o pedestre colocar o “pé na faixa de segurança”, o carro para – citando um exemplo de São Francisco, na Califórnia.
Ao que o outro retrucou: - Se fosse no Brasil, ia ficar colocando e tirando o pé só para “tirar da cara do motorista”.
Ao que, é claro, foi acompanhado de uma risada geral.
Mas o que se configurou com a piadinha sem graça, de um dos integrantes é uma espécie de ausência de civilidade.
Freud já afirmava: (...) é brincando que se diz verdades.! ”
Civilidade é o respeito pelas normas de convívio entre os membros de uma sociedade organizada. Não confundir com civismo que tem a ver com o respeito pela mesma sociedade, mas, pelas instituições e pelas leis.
                           
Essas que trata-se de regras interiorizadas e maioritariamente aceites como requisitos da vida social, integrando não só os valores, princípios que orientam o comportamento dos indivíduos, mas também as normas de conduta que disciplinam a atividade desses indivíduos.
Civil vem do latim civile, que designava o habitante da cidade civitate. Quando a humanidade se defrontou com o raciocínio, logo com a inteligência, e realmente teve a consciência do "Eu", houve a necessidade do respeito mútuo, do respeito ao outro. Começou então a codificação de civilidade, isto é, regras de convívio social que no início eram somente de respeito do inferior para com seu superior, hierárquico ou sexual, como nos animais irracionais.
Vou citar outro exemplo que já é conhecido na rede mundial de computadores.
O professor João Adalberto Guimarães, brasilês em um intercâmbio na Europa, entrou numa estação de Metrô em Estocolmo, capital da Suécia. 
                             
Ele notou que havia, entre muitas catracas normais e comuns, uma de passagem grátis livre. 
Então questionou à vendedora de bilhetes o porquê daquela catraca permanentemente liberada, sem nenhum segurança por perto.
Ela, então, explicou que aquela era destinada às pessoas que, por qualquer motivo, não tivessem dinheiro para o bilhete da passagem. 
Com sua mente incrédula, acostumada ao jeito brasilês de pensar, não conteve a pergunta, que para ele era óbvia: 
- E se a pessoa tiver dinheiro, mas simplesmente não quiser pagar?
A vendedora, espremeu seus olhos límpidos azuis, num sorriso de pureza constrangedora:
- Mas por que ela faria isso?
Sem resposta, ele pagou o bilhete e passou pela catraca, seguido de uma multidão que também havia pago por seus bilhetes... 
A catraca livre continuou vazia.
A honestidade é um dos valores mais libertadores que um povo pode ter. A sociedade que a tem naturalmente certamente está num patamar de desenvolvimento superior.
Precisamos novamente aprender a sermos civilizados no Brasil e além de cultivar este valor, transmitir a nossos filhos, mesmo sem esperar o mesmo da sociedade.
Seu mundo muda quando você muda.
Pensar não dói.... Ser civilizado requer educação!



Entendimentos & Compreensões
Leituras & Pensamentos da Madrugada
Origens da obra de 
Buarque de Hollanda, Sérgio; Raízes do Brasil 
Companhia das Letras; 1995
Publicado originalmente no Grupo Kasal –
Konvenios – Vitória – ES.
http://www.konvenios.com.br/info/verArtigo.aspx?a-id=28861
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