quarta-feira, 30 de julho de 2014


A emoção do Historiador
Antônio Figueiredo pelo Brasil
Na Sala de Protheus

 

Eu Te Amo... De Graça!

 


                                       Uma declaração de amor sempre é ridícula aos olhos alheios. Assim o sente o amante. Afinal, esses olhos alheios não ocupam o mesmo “nosso espaço interno” para enxergar os altares onde colocamos nossos amores e devoções. Mas quando se fala de “torrão natal”, ainda que cada um tenha um diferente, ele é amado egoísta e exclusivamente em seu pedaço físico particular de solo eterizado e misturado às lembranças mais primordiais com seus sabores e cheiros tornados tão especiais.
                                      Como são doces a infância e seus amores e como são ainda crianças a felicidade e a esperança. Como sonhos e realidade são tão vizinhos e companheiros, quando os pés descalços calçam “botas de sete léguas” de “correr longe pela imaginação”. Nunca o medo é tão corajoso e a covardia tão audaciosa. É a manhã da vida nascendo ensolarada ainda que o tempo seja nebuloso, pois somos “todo poderosos” criadores de “deuses” à nossa imagem e semelhança. Somos do todo um pequeno infinito.
                                    Era assim menino, que ao acordar e abrir a janela do meu quarto e avistava o prédio do Banespa e o Martinelli no centro da cidade, mesmo que encobertos pela costumeira “névoa paulistana”. Eu os sabia lá, assim como sabia que ia ouvir no rádio: Bom dia, café! O café que a gente toma e que tem o doce aroma desta terra primaveril, cantada por Roberto Luna e a seguir no Grande Jornal Falado Tupi ouvir Corifeu de Azevedo Marques dizer: São sete horas, não perca a sua condução. Era impossível não se apaixonar por São Paulo por essas coisas tão familiarmente nossas.
                                   O “bandeirante” acordava toda a manhã ao apitar das chaminés das fábricas que se viam pelas várzeas do Tietê, chamando seus operários já às 06h 00h da manhã, junto com os sinos das igrejas chamando às beatas para o Ângelus.
                                    Ouvia a Rádio Piratininga transmitir as horas, nas badaladas dos sinos do Mosteiro de São Bento ao meio dia ao som da Ave Maria de Somma e na abertura e fechamento da sua programação Paris Belfort, acendendo nosso “heroísmo paulista” pela então recente Revolução Constitucionalista de 32. Tudo isso chamava pelo “amor paulista” à Terra do Café e a Locomotiva do Brasil. Ducor non Duco...
                                  Era com capacete de jornal e espadilha de bambu, que “decorávamos” a aula matinal, nas brincadeiras da tarde. Salve, lindo pendão da esperança... Fulguras, oh Brasil florão da América... Já raiou a liberdade no horizonte do Brasil.
 
 
                                 Os “amores pátrios infantis” sempre eram heroicos, pois a guerra recém-finda ainda falava muito de perto ao nosso coração e ouvidos. Por mais terras, que eu percorra, não permita Deus, que eu morra, sem que volte para lá. Assim nos ensinavam as nossas “saudosas professorinhas”: O “verde” são nossas matas, o “amarelo” o nosso ouro, o “azul” é o nosso céu estrelado e o “branco” a paz do nosso povo.
                                   Marchava-se nos bairros nos desfiles escolares nas datas históricas nacionais, estaduais ou municipais com um tradicional “concurso de fanfarras”. A criançada vestindo o uniforme da sua escola exibia uma “fina fita de seda verde e amarela” amarrada à blusa. Foi então que aconteceu o “desfile militar” mais lindo, que já vi.
                                     Foi no dia 25 de janeiro de 1954 em comemoração ao IV Centenário de São Paulo. Minha avó, para matar as “saudades da santa terrinha” e ver desfilar a Marinha Portuguesa, me carregou para a Av. São João em frente ao prédio dos Correios e Telégrafos e então vi e me deslumbrei com a Banda dos Fuzileiros Navais da Marinha de Guerra do Brasil e suas evoluções, bem como do sobrevoo dos primeiros jatos da Aeronáutica, os Gloster Meteor. Assim nasceu minha “paixão cívica”.
 
                                   À noite uma “chuva de prata” frustrada pela cerração. Guardei a folhinha comemorativa de alumínio da SPAM WOLF por muito tempo.
.......
                                 Ir a Santos nos anos 50 saindo de São Paulo pela Estrada do Vergueiro até alcançar a Via Anchieta no Ipiranga era percorrer o “caminho dos pioneiros”, admirando a então quase intocada e exuberante Mata Atlântica na Serra do Mar. Chegar a São Vicente e ver o marco implantado por Martim Afonso de Souza em frente à Biquinha, cruzar a Ponte Pênsil e chegar à Praia Grande onde existia apenas um grande quiosque coberto de sapé para piqueniques, era encontrar ainda intata a visão de chegada dos colonizadores. Como não amar perdidamente essa natureza tão brasileira?
                                Foi minha vida cigana de andarilho por este Brasil imenso, que me levou a conhecer os Campos Gerais do Paraná, então densos de araucárias, gralhas e pinhões na minha adolescência, assim como a beleza de serras e vales de Santa Catarina. Já homem feito fui me encantar com as serras, cerrados e rios de Minas Gerais, todo o Nordeste e parte do Norte e Centro Oeste. O “paraíso terrestre” nunca me pareceu tão familiar e identificável, junto à certeza de que a criação nos reservou sempre do melhor. Como não senti-lo admirando o Rio Amazonas?
                               Foram tantos “brasis” que a alma inundada de beleza tendeu à imensidão, mas que a memória falhou em guardar claras, tantas imagens, sensações, sabores, cheiros, sabores e amores.
                                Contudo, nenhuma riqueza neste continente brasileiro é tão esplendorosa quanto o seu povo. Quando se parte do interior para as capitais é como se uma “mistura dégradée” de gentes e raças tivesse se formado a partir do litoral de entrada até os rincões mais ermos, onde se exibe a pureza dos “nativos brasilienses”, com sua fala e regionalismos, sua comida e sua forma de vida e de ser brasileiro.
                               Já nas cercanias do mar os muitos sotaques e heranças estrangeiras nos fazem crer, que somos a “terra prometida do maná e do mel” para muitos deserdados de sua terra natal e que vieram ao “Novo Mundo” simplesmente para construir uma “pátria de todas as raças”. Uma Babel onde se desfez a maldição da “confusão das línguas”.
                                 Com exceção de países que tinham uma matriz pronta no seu processo de formação do caráter nacional, (é o caso dos USA, que partiram de um “caráter Quaker”), países como o nosso, cujo desenvolvimento do caráter de nacionalidade se faz por “combustão espontânea”, tem que ter a consciência de que só o tempo e a fusão dos mais diversos caráteres de origem, acabarão por formar uma “consciência de brasilidade” e esse é um processo lento em que as hegemonias vão cedendo espaço à formação de um “padrão brasileiro” único.
                               Continuamos a fazer ferver esse “melting pot” e depois de decorridos 150 anos dos primeiros fluxos migratórios começamos a “refinar” a nossa identidade coletiva. Somos uma mescla de olhos azuis e amendoados. De pele branca, negra, amarela e vermelha, (bronzeada). O atual discurso divisionista de separação por “coloração da íris”, não encontra mais eco, pois nunca foi tão essencial, que se encarem os problemas nacionais, não mais regionalmente, mas sim à luz de uma “integração nacional” efetiva.
 
                               Sul, Sudeste, Norte, Nordeste e Centro Oeste são partes integrantes e não divididas deste “continente brasileiro” e é dessa diversidade coletiva, que se compõe o nosso “amor pátrio”.
O amor nunca divide. Sempre soma.
É por isso que te amo de graça...
 
Das percepções e lembranças de
Antônio Figueiredo – Entre Algum Lugar entre a Bahia e São Paulo
Economista, Escritor, Empresário, Militante Apartidário Parlamentarismo e Voto Distrital Puro. Ex - Ativista Movimentos Sociais Católicos/ Metalúrgico/ Estudantil (1961/73). Operário da Cidadania
 
 

 

 

segunda-feira, 28 de julho de 2014


De Recife – PE -para a Sala de Protheus
A homenagem de  Lady Ratis a Ariano Suassuna 

 
UM HOMEM VESTIDO DE SOL

      
"Na primeira manhã / que te perdi / acordei mais cansado / que sozinho / eu cruzei ruas, estradas e caminhos / como um bumba-meu-boi sem capitão..."Alceu Valença, peço licença para externar, através do seu verso, o ser tão sozinho que eu me senti, com a ausência do Capitão Suassuna.

     A primeira vez que o vi e o ouvi foi numa sala de aula, da Universidade Federal de Pernambuco. Encantada com o seu jeito de prosear, nos anos 80 de minha adolescência, lamentei não ser sua aluna, naquela disciplina de História da Arte. Já seria uma espécie de aula-espetáculo? Talvez. Falava dos gregos, viajava por entre os séculos, 'apoiado nas asas de Ícaro', com o devido cuidado para não voar baixo demais ou tão perto do sol... As asas não poderiam derreter antes que o Capitão Suassuna cumprisse integralmente a sua missão.

     Discorrer sobre sua capacidade intelectual é chover no molhado. Os jornais estão repletos de cadernos especiais sobre suas obras e eu não sou uma especialista delas. Porém, a dimensão humana que se desprendia de muitos de seus personagens sempre me impressionou. E o Movimento Armorial, surgido na década de 70, foi excepcional. Deixou sementes na música, na dança, no teatro, nas artes plásticas.
     Convivo com esse repertório até hoje: a cultura popular genuína revestida de uma roupagem erudita, sem descaracterizá-la. Viveu uma vida bem vivida de A a Z: ARIANO encontrou a sua amada ZÉLIA, a LUZ DE SEUS OLHOS DE MENINO, a quem devotou todo o seu amor. Sofri com a sua partida súbita, inesperada; mas só posso imaginar que foi um descuido: as suas asas devem ter derretido por ter chegado tão perto do Sol!
     E assim, de tão iluminado, esse homem querido por uma legião de admiradores foi ao encontro de Nossa Senhora: "UMA MULHER VESTIDA DE SOL" - uma de muitas das suas belíssimas obras adaptadas para a televisão. Ariano, o Capitão Suassuna, vive no meu imaginário.

 

 Da paixão e dos pensamentos
Fabiana Ratis.
Pós-graduada em Jornalismo,  Crítica Cultural pela UFPE
 e escultora de palavras.
Recife – Pernambuco –

 

domingo, 27 de julho de 2014


#PensarNaoDoi:

 

Sozinho ou Solitário?
 
 
“... Dentro de mim mora um anjo
Dentro dele mora a vaidade
Que, às vezes, fala por mim...!”

Suely Costa

 
                                   O grande brasilês das letras Carlos Drumond de Andrade, deixou escrito:

“Enfeite-se com margaridas e ternuras E escove a alma com flores Com leves fricções de esperança De alma escovada e coração acelerado Saia do quintal de si mesmo E descubra o próprio jardim”...
 
Afinal você é sozinho ou solitário?
Se têm diferença? Tem... Muita diferença.
O grande psicanalista Carl Jung deixou escrito:
 A "individuação" pode ser um termo que usa para um processo de desenvolvimento pessoal que envolve o estabelecimento de uma conexão entre o ego, centro da consciência, e o self, centro da psique total, o qual, por sua vez, inclui tanto a consciência como o inconsciente. Para Jung, existe interação constante entre a consciência e o inconsciente, e os dois não são sistemas separados, mas dois aspectos de um único sistema.
                               Às vezes as pessoas que amamos nos magoam, e nada podemos fazer Senão continuar nossa jornada com nosso coração machucado.
Às vezes nos falta esperança, mas alguém aparece para nos confortar.


Bem, outro pensador, Nietzsche também afirmou que: “os que mais amamos são os primeiros a nos traírem...!”.
Portanto, parece que esta “inconsciência do coletivo”, nas palavras de Jung, está em estabelecermos, exatamente, primeiro o que queremos para nós mesmos para após, esta estruturação estabelecida buscarmos a aproximação do outro. E talvez com ele construir algo.

                             Às vezes o amor nos machuca profundamente, e vamos nos recuperando muito lentamente dessa ferida tão dolorosa.
Outras vezes perdemos nossa fé, então descobrimos que precisamos acreditar,  tanto quanto precisamos respirar, é nossa razão de existir.
Às vezes estamos sem rumo, mas alguém entra em nossa vida, e se torna o  nosso destino. Às vezes estamos no meio de centenas de pessoas, e a solidão aperta nosso coração pela falta de uma única pessoa.
Às vezes a dor nos faz chorar, nos faz sofrer, nos faz querer parar de viver, até que algo toque nosso coração, algo simples como a beleza de um por do sol, a magnitude de uma noite estrelada, a simplicidade de uma brisa  batendo em   nosso rosto, é a força da natureza nos chamando para a vida.  Você  descobre que as pessoas que pareciam ser sinceras e receberam sua confiança, te traíram sem qualquer piedade. Você entende que o que para você era amizade, para outros era apenas conveniência, oportunismo.   

                            Você descobre que algumas pessoas nunca disseram eu te amo, e por isso nunca fizeram amor, apenas transaram, descobre também  que outras disseram eu te amo uma única vez e agora temem dizer novamente,  e com razão, mas se o seu sentimento for sincero poderá ajuda-las a  reconstruir um coração quebrantado.
A constatação desta vez parece vir das experienciações, atribuídas a Luís Fernando Verissimo.

Gostamos quando dissemos algo “bonito” – já que ninguém sabe quem somos – atribuir a alguém já conhecido, famoso e principalmente lido, reconhecido.
Desta forma acabamos fazendo uma transferência, mesmo que tenhamos uma inteligência exatamente ou quem sabem em nível de tal pessoa, escritor ou personalidade das letras.

                                         Por isso citei Jung e sua famosa teoria do “inconsciente coletivo”. Talvez, apenas talvez, em nossos dias não seja mais uma simples teoria, mas uma verificação do que está acontecendo ou do que está ocorrendo na vida de muitas pessoas.
Nas palavras, ainda atribuídas ao escritor, está mais ou menos assim:

“Pode ser difícil fazer algumas escolhas, mas muitas vezes isso é  necessário, existe uma diferença muito grande entre conhecer o caminho e  percorre-lo.

  Não procure querer conhecer seu futuro antes da hora, nem exagere em seu sofrimento, esperar é dar uma chance à vida para que ela coloque a pessoa certa em seu caminho.  A tristeza pode ser intensa, mas jamais será eterna...!”.
                              
                                   A dica final, bem ao menos de quem já viveu meio século é a de que você deve se lembrar de que quando você aprende a viver sozinho, com você mesmo, estará pronto para todas as outras vivências. Pois agora, você se conhece mais... Muito mais do que pensava se conhecer antes.

É simples assim.
Aprender a viver sozinho é diferente de solidão.
É quando você se basta.
É quando você é mais importante que tudo.
 
Viu, afinal, pensar não dói...

Já a solidão bem, aí deixo para você pensar...

 


Entendimentos & Compreensões de dias frios
Leituras & Pensamentos da Madrugada
 

sexta-feira, 25 de julho de 2014


#SerieProfessores:

“... Ah, Brasil...!”
“... O ser humano eh assim: comunista até ficar rico,
feminista ate se casar e ateu até a barata começar a voar...!”

Ku

  Dentro do processo histórico brasileiro no século XX e princípio do século XXI, observamos três investidas marxistas, praticadas com estratégias diferenciadas. De maneira sucinta para nos determos na análise da atualidade do país, resgatamos a primeira investida através de Luiz Carlos Prestes, com sua Coluna Prestes nos anos 30, já com um forte contato e orientação através da KGB soviética, com a atuação em território nacional da agente Olga Benário, que acompanhou Prestes ao Brasil após uma de suas viagens a URSS.
Esta primeira tentativa de tomada do poder pelo marxismo, 17 anos após a realização da Revolução Russa, mostra o vanguardismo brasileiro em trazer esse novo modelo de sistema político e econômico para a nação, ainda muito jovem em sua república e pouco desenvolvida economicamente, frente a Europa e EUA. Esta tentativa marxista foi interrompida através do modelo nacionalista brasileiro de Getúlio Vargas, alinhado com o Nacional Socialismo/Fascismo europeu, de despontava como terceira via entre o modelo capitalista norte americano e britânico europeu e a jovem experiência soviética do socialismo marxista da URSS.
No final dos anos 40 e na década de 50, o movimento revolucionário marxista nacional se reestrutura e volta atuar em frentes diferenciadas, através da política partidária, movimentos sociais rurais e urbanos, sindicatos e uma forte atuação através da imprensa escrita e editorial.
A partir do governo JK podemos observar a aproximação dos regimes socialistas com o Brasil, onde culminou com a explicitação de Jânio Quadros, João Goulart e Leonel Brizola em promover a implantação do marxismo soviético com apoio de Cuba, China, URSS, resultando em 1964, na contra revolução efetuada pelas forças armadas encabeçadas pelo exército, após várias manifestações da sociedade organizada e apoiada por instituições civis e religiosas, da até então, direita conservadora.
Até meados de 1968, a esquerda brasileira atuou em oposição ao regime militar de forma pacifica, mas estruturando novas estratégias conforme ocorria o insucesso de suas práticas pouco incisivas. Além da atuação dos partidos organizados, surgem várias organizações subversivas, na sua maioria nascidas no movimento estudantil universitário, tanto no campo quanto na cidade no formato guerrilheiro/terrorista, orientados e financiados por Cuba/URSS, explicitamente decididos em programar a ditadura do proletariado para o país.
Além de Leonel Brizola, podemos citar outras lideranças desse movimento, hoje ilustres Ex ou autoridades detentores ou agentes de influencia do poder e controle do Estado brasileiro, como Dilma Vana Roussef, Zé Dirceu, José Genoíno, Franklin Martins, Carlos Araújo, Carlos Minc, Fernando Gabeira, José Serra, Fernando Henrique Cardoso, Luís Inácio Lula da Silva, entre tantos outros.

A partir de 1968 a guerrilha armada e já com projeto de ação revolucionária promove um período de ações violentas, assaltos, ataques a viaturas policiais, quartéis e delegacias, sequestros, ataques à bomba foram as práticas contestadoras ao regime e com o discurso da busca da liberdade e democracia para o país, avançavam no projeto revolucionário de instalação da ditadura do proletariado.
Para evitar todas as formas o avanço da revolução marxista no Brasil, o regime militar instituiu medidas restritivas que para a grande maioria da sociedade, não foram censoras ou autoritárias, mas preventivas e cautelosas para evitar a tomada de poder da esquerda armada. Só a esquerda derrotada, depois de 50 anos e denominando os simpatizantes do regime ou para os mais jovens, admiradores do momento histórico nacional, de viúvas e filhotes da ditadura que nunca existiu, só na ótica esquerdista que houve ditadura, o que através de um discurso falacioso repetido muitas vezes, acaba se tornando verdade pela falta de conhecimento da sociedade e das gerações que não viveram a época. Corrupção do conhecimento!   


O fracasso da guerrilha armada, fez com que elementos do movimento revolucionário fugissem do Brasil, se autoexilando até o governo do Gal. João Figueiredo, quando instituiu a lei de anistia, tanto para a esquerda revolucionária e criminosa, quanto para os agentes do regime militar que estavam a cargo de reprimir a guerrilha e o terrorismo.
Na minha concepção, o maior erro do regime militar foi combater a revolução marxista através de investidas legais e pela atuação na contenção e combate a guerrilha e o terror, esquecendo que a pior arma ficou a disposição da esquerda, que foi a infiltração e atuação, inclusive renovando quadros, em órgãos do governo relacionados ao ensino, imprensa, editoras e mídia de massa, ou seja, conforme Gramsci, “não invada os quartéis, não peguem em armas, invada as salas de aulas e forme os estudantes a sua mentalidade”, ou seja, criar a militância desde a juventude a partir das escolas e universidades garantindo, assim, a renovação dos quadros revolucionários.

Com o fracasso da revolução marxista armada, mas com a implementação da revolução Gramscista, de forma sutil e silenciosa, o Brasil caminhou para a redemocratização.
A partir de 1985, o discurso de formação da sociedade se pauta na difusão da “Liberdade, cidadania e direito”. A Liberdade pregada no discurso do Estado para a sociedade, resgatava o período do regime militar como se a censura tivesse sido praticada para toda a sociedade, o que é uma inverdade, pois a censura foi uma forma de prevenir e evitar a ação do discurso panfletário da esquerda para a implementação da ditadura do proletariado. Essa liberdade ampla e romântica difundida foi a primeira grande armadilha para iniciar o processo de destruição da sociedade, seria como se o Estado estivesse dando um superpoder onde cada pessoa pudesse fazer e pensar o que bem entendesse sem nenhum tipo de represália ou norma a ser cumprida, ou seja, criar um cenário de repressão geral que foi quebrado através da mão esquerdista, ora no poder e desestrutura-la através da quebra do paradigma para criar um novo, através de sua orientação.

A “cidadania” mal explicada se limitou a participação do cidadão no sistema eleitoral, na cobrança de promessas praticadas pela classe política e na utilização do judiciário.
O “Direito” para o cidadão foi a principio, ter acesso ao judiciário, onde pelo desconhecimento e/ou ignorância, formou um cidadão que acredita ter direito a tudo, esquecendo que antes de se obter ou praticar o seu direito, ele tem deveres a serem cumpridos, sem contar a falta de reflexão dos atos a serem praticados que por vezes, prejudiciais a sociedade acabaram por congestionar o judiciário e criando uma sociedade “irresponsável e leviana”.
O segundo grande mote da redemocratização foi propagar a “Participação Popular”, ou seja, instigar e formar uma classe de pessoas interessadas nos assuntos do Estado, mas que ao mesmo tempo foram sendo recrutadas a participar dos partidos políticos que formavam o poder e que pouco ou quase nada influenciavam na gerencia através da tal Participação Popular, mas que acabaram por ser doutrinadas na mentalidade dos partidos esquerdistas que se consolidavam no cenário politico nacional.
Com essas práticas sutis a esquerda nacional formou sua militância, seja ela urbana, rural, intelectual, sindical... Tendo a “democracia” um termo permanente e forte em seu discurso, que ao mesmo tempo criou e propagou uma imagem nefasta do que seria uma direita política ativa e participante do processo político nacional. Esse processo de extinção total de uma “direita política” se consolida com a hegemonia da social democracia, dita, a direita da esquerda e posteriormente da esquerda revolucionária no poder nos últimos 20 anos.
De forma breve, podemos observar os resultados nada positivos para a sociedade desse processo revolucionário sutil praticado pela esquerda brasileira em sua terceira tentativa de tomada do poder e que dia a dia se consolida ter sido praticada com sucesso e obtendo não apenas a permanência no poder mas a formação de uma sociedade doutrinada e repleta de vícios que favorecem o modelo ditatorial e corrupto que observamos diariamente, tendo preocupação apenas no projeto de poder e nas ações administrativas enganosas, observando a primazia da corrupção e da ingerência do Estado com o que é mais necessário que é o cuidado com a coisa pública como um todo.

Constatamos que a sociedade brasileira se encontra submissa as ações do Estado, seja na área civil, econômica e política, resultado do processo de doutrinação que colocou o Estado acima do bem e do mal e a sociedade em um patamar de inferioridade onde ela não consegue ter iniciativa se não for através da mão forte do Estado e justificando essa dependência através de um discurso vitimista, sempre colocando no capitalismo, os males das suas deficiências, incapacidades e da pseudo injustiça social que apenas a mentalidade revolucionária esquerdista quer que a sociedade veja.
Esse Estado tutelar e promotor de tudo para todos, ou quase todos, desmonta e empobrece a camada produtiva através da extorsão fiscal que concentra a riqueza para redistribuir através de seus projetos sociais que não fomentam o progresso, mas uma dependência do Estado.
O empobrecimento econômico, intelectual gerou uma sociedade vulnerável, dependente e repetindo sem reflexão, mas por indução o discurso e as praticas errôneas do Estado que o tutela, não tendo observado que comprou um projeto com experiências catastróficas e sem perspectivas de sucesso, se limitando a fases prosperas e após uma realidade dura e atroz que serve de sustentáculo do discurso para resolução e busca de soluções que nunca chegam.
Infelizmente essa é a triste realidade que vivemos e que o progresso econômico que gera oportunidades, abre caminhos para o desenvolvimento socioeconômico foi e cada vez mais vem sendo substituído pela tutela de um grupo de iluminados que submetem a sociedade aos seus projetos que apenas geram pobreza, ignorância e crimes de toda ordem.
Pense nisso antes de OUTUBRO... Por favor!
Afirmo:
 

Arquivos pessoais:
Dos Entendimentos & Compreensões do Prof. Marlon Adami
Graduado em História - Pós Graduado em Filosofia Política -  Pesquisador – Brasília – DF –
De suas publicações em:
Mais materiais inclusive em vídeos no blog do Prof. Marlon Adami
Em http://bunkerdacultura.blogspot.com.br/
 
 
 
 

 

 

domingo, 20 de julho de 2014


O mestre Antônio Figueiredo
traz mais uma aula para o Brasilês
na Sala de Protheus:

 

Pobre Gigante Rico...

 
“... A riqueza de uma nação se mede pela riqueza
do povo e não pela riqueza dos príncipes...!”
Adam Smith

                                                   “Quem não sabe aonde ir, qualquer caminho serve” costumava dizer um amigo, quando as discussões sobre um projeto tomavam o caminho da “vaidade pessoal” e os participantes propugnavam exclusivamente por suas ideias em detrimento do “consenso”. Enquanto eu usava meu “raciocínio espacial” e sobrevoava os problemas, ele “niponicamente”, acostumado que foi em empresas japonesas, insistia em pontuar cada passo do raciocínio terrestre. Aprendi muito com ele em análise, síntese e busca de rumos. Assim como pregava “Mestre Albino”, vamos à “raiz do pé de fumo”.
                                                    Foi assim que me debrucei sobre estes últimos 50 anos, buscando entender os “ziguezagues” do Brasil, ora um “país em desenvolvimento”, ora um “subdesenvolvido” e na verdade a conclusão é a de que age como um “pé rapado”, que ganha sozinho a Mega Sena da Virada e esbanja seus recursos naturais e arrecadados perdulariamente, como se fossem infinitos.
                                                   Em Dezembro de 1965, (Emenda Constitucional 18) foi substituído o IVC, (Imposto s/Vendas e Consignações – Alíquota média de 3%) pelo ICM, (Imposto s/Vendas e Consignações – Alíquota média de 17%). O IVC era incidente sobre cada uma das operações, ou seja, uma “cascata acumulativa”, quanto mais circulação promovida pelos agentes intermediários, mais o Governo Estadual arrecadaria.
                                                   A propositura do ICM previa que na origem se geraria um “crédito” e cada um dos “agentes intermediários” recolheria a mesma alíquota sobre o “valor agregado”, ou seja, sua margem de lucro e custos. A esperteza da filosofia do tributo é que pressupunha de partida, que o bem “circularia” pelo menos por seis “agentes intermediários”.
                                                     Foi a partir de Novembro de 1964, (Lei 4502), que o antigo Imposto de Consumo, (Imposto do Selo do antigo Código Tributário Português – 1660), que tinha alíquotas variáveis por atividade entre 1% e 10%, passou a ser seguidamente emendado até aparecer em 1969 já com a denominação de Imposto de Produtos Industrializados com uma alíquota média de 15%.
                                                  Essa Reforma Tributária nos Governos Militares atendeu à necessidade de ampliar a capacidade de investimento dos Governos Estaduais e Federal, contudo mantendo a perversa filosofia de “tributar o consumo” e não a “renda”. Até mesmo os Governos Militares deviam sua “estabilidade e manutenção” às elites econômicas. Nesse período a “carga tributária” manteve-se ao redor de 23%, começando a crescer mais fortemente a partir do Governo Collor em 1990, (31%). Hoje circundamos 38%/40%.
                                                Ainda que seja Economista com ampla base teórica para fazê-lo, meu propósito é passar a visão do “contribuinte”, profissão que mais exerci em toda minha vida. Meu cadastro de CPF é de 1970, bem como o de muitos “operários especializados” das linhas de montagem da Chevrolet e do ABC automobilístico. Todos eram “orgulhosos contribuintes” do Imposto de Renda, ainda que com renda de 3 a 4 salários mínimos. Já as “grandes fortunas”... Entenderam?

                                               Contudo, aqui importa o “sentimento de bem estar social” da época nos grandes centros motores da Economia considerados o binômio -  RENDA x CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. Tanto a qualidade do ensino básico e do sistema de saúde pública no Brasil, desde a década de 1950, mantinha “padrões aceitáveis” e dessa maneira essa “classe média operária” destinava sua renda ao “consumo”. Iniciou-se na época o amplo acesso a bens de consumo duráveis domésticos, inclusive o acesso a “casa própria” e à “poupança” para auto amparo na “velhice”. A aposentadoria máxima era de 20 salários mínimos. Assim aconteceu o “Milagre Brasileiro” dos anos 70.
                                                 O crescimento acelerado da Economia exigiu a ampliação do ensino superior e a criação de uma “classe média gerencial” e com isso se alongou a “pirâmide social brasileira”, acrescentando-lhe mais alguns degraus. Não há dúvidas, que a manutenção da carga tributária em muito influiu para que essa “dinâmica” fosse mantida, porém essa bonança começou a se conturbar a partir do 1º choque do petróleo em 1973. O Governo Geisel subestimou (Delfim Netto) seu efeito.
                                             Acho de uma enorme “miopia política” definir esse tempo exclusivamente como de “anos de chumbo” e dar ênfase exclusivamente à “tortura” como a “tatuagem na testa” desse tempo. A verdade é que a Esquerda foi despossuída das suas grandes bandeiras como a Reforma Agrária e dos Direitos Sociais do Operário Agrário e por isso tenta desqualificar o “desenvolvimento social e aprendizado democrático” conseguidos nesse período. Escondem que foi a “luta conjunta da sociedade”, que redefiniu a nova participação social e sindical e a “abertura democrática” e a consequente redemocratização.
                                              Reivindicar todos os “cadáveres mártires” como “causa democrática” da Esquerda é estigmatizar Wladimir Herzog e Manoel Fiel Filho como “revolucionários da ditadura proletária”, que simplesmente queria trocar uma ditadura por outra e chamar toda uma restante geração de “merda” como se os demais estivessem exclusivamente preocupados com “Dancing Days” e os “Anos Dourados”. Não foi uma geração alienada.
                                                Só a “luta contra a injustiça” robustece e forma uma verdadeira Democracia e quem disso duvida que assista à série Gigante da Indústria do History Chanel sobre o desenvolvimento industrial americano dos anos 1850 a 1900. Uma “sociedade justa e fraterna” só se encontra pronta como “modelos prontos para consumo” nos livros, assim como os sobre qualquer outra utopia. Para fazê-los valer há que se calejarem mãos e ideias, uma tarefa que muito poucos se dispõem a fazê-lo.
                                                Muitos dizem que os Governos Militares mataram a incipiente “formação política”, que se iniciava naqueles anos de 1960, mas a verdade é que a “qualidade dos políticos” só piorou depois da “redemocratização” e a culpa disso não é do governante, é da “sociedade”, que não se organizou e não soube impor a vontade dos seus direitos em face dos tributos que paga. Aliás, nem mesmo sabem quais são esses direitos ou como deve se fazer representar e votar.


                                                    Dividir um país em classes por puro objetivo político de Poder é muito além de “antidemocrático”, é um “crime de lesa pátria” contra um país muito mal consolidado como Nação. É só ler a história recente dos últimos 200 anos. Os “populistas” sempre lutaram pelo “reconhecimento imediato” e por isso não ultrapassaram em muito o seu tempo, já os “estadistas” são os que prepararam e fermentaram suas políticas sem pressa. Deixaram sua imagem para ser sazonada e degustada pela História.
                                                    Não nego os méritos de qualquer governante, que contribuiu para a “construção do Brasil Moderno”, sejam eles militares, Collor, FHC ou Lula/Dilma. O que não posso admitir é que se queira “apagar páginas da História”, pois isso representa excluir uma parte importante do nosso aprendizado e evolução como Nação. Defeitos todos eles têm e muitos, mas será o “futuro”, quem dirá “qual foi a melhor safra”. O saldo da conta corrente dos erros e acertos sabemos que é e sempre será nossa.
                                                       Assistimos de longa data ao progressivo retorno à mesma matriz desenvolvimentista do Brasil Colônia, com o peso da atividade Agrícola e Mineração respondendo por mais de 50% do Balanço de Pagamentos, (2013) e que certamente não tem a capacidade de absorver a mão de obra oriunda do crescimento demográfico e fazer a distribuição da riqueza, pois que é fortemente concentradora e capital intensiva.
                                                        Não é preciso ser economista, até uma “dona de casa” sabe o que acontece no descompasso de renda e gastos e que são “fundamentos básicos” a compatibilidade da renda, (Geração de Riqueza-PIB) e os gastos, (Gastos Públicos inclusive juros) e o investimento para melhoria do “padrão de vida”, (Saúde, Educação, Transporte, Casa Própria, Lazer e Custo de Vida Estável) e para isso é preciso manter um saudável superávit no Balanço de Pagamentos, que hoje nas Contas Nacionais é suprido graças à “poupança externa”, através de empréstimos.
                                                         O PIB raquítico brasileiro hoje é representado por 70% do Setor Serviços, majoritariamente prestados internamente no Brasil pelo crescimento da renda nas diferentes classes e principalmente na C e D e participação praticamente nula nas Exportações. A Dívida Consolidada cresce pelo PIB minúsculo e os Gastos Governamentais irresponsáveis, gerando mais juros e reduzindo o investimento, que reduz geração de emprego, que reduz aumentos reais de salários e aumenta a inflação.
                                                            Essa tem sido a tônica da Economia Brasileira desde o Império. O Estado não cumpre a sua parte e pior, gasto por conta do futuro cada vez mais. Quando nós cidadãos teremos o “direito à verdade” das nossas reais condições? Sabemos que tempos muito difíceis vem adiante, mas não sabemos e nem nos preparam para o tamanho do “tsunami” com os preços dos combustíveis, energia e demais administrados pelo Governo estão represados e certamente em breve o “dique” arrebenta.


                                                          É uma sucessão de “7 anos de vacas gordas e 7 anos de vacas magras” e não vejo no “horizonte político” nenhum “José do Egito”. Somos uma terra de Faraós. Um areal político, com um “oásis” só deles:
Brasília, que é longe de tudo... Até do Brasil.

Para meu mestre e amigo Antônio Figueiredo pensar no Brasil... Não dói!
E você?
 

Das percepções e pesquisas de
Antônio Figueiredo – Entre Algum Lugar entre a Bahia e São Paulo
Economista, Escritor, Empresário, Militante Apartidário Parlamentarismo e Voto Distrital Puro. Ex - Ativista Movimentos Sociais Católicos/ Metalúrgico/ Estudantil (1961/73). Operário da Cidadania