quarta-feira, 7 de outubro de 2015

#SerieCidadania:
 
E Daí e Daí...?
Proibiram que eu te amasse
Proibiram que eu te visse
Proibiram que eu saísse
E perguntasse a alguém por ti.
Proíbam muito mais, preguem avisos
Fechem portas, ponham guizos
Nosso amor perguntará:
E daí? E daí?
E daí, por mais cruel perseguição
Eu continuo a te adorar
Ninguém pode parar meu coração
Que é teu.
Que é todo teu.
E Daí... – Miguel Gustavo
 
Bem, amigos. Vou chamar em testemunho: meus longos/breves 70 anos de vida para constatar, que "nuncadantesnahistóriadestepais" o nosso Brasil necessitou tanto de uma “declaração de amor” deste tamanho. Há pouco tempo atrás escrevi a crônica MINHA UNDÉCIMA CRISE na qual obviamente a atual não se incluía. Esta é décima segunda e a mais grave das que me lembro.
Na realidade o Brasil é uma “crise política permanente” há 193 anos desde a sua independência, que na verdade nada mais foi mais que a passagem do “bastão de mando” do monarca português ao seu “filho português”, numa óbvia aplicação do princípio do “vão-se os anéis, mas ficam os dedos”. Só se esqueceram de combinar com um Oceano Atlântico de distância e seus lentos barcos a vela para manter um esquema de comunicação eficiente para manutenção de esse poder.
O “gigante” sempre se mostrou generoso em doar suas riquezas, de modo a fazer, que todo e qualquer tipo de estupidez política, impedisse seu crescimento e mantivesse a promessa permanente de uma “potência em gestação”, como uma esperança futura de igualdade social. Os “filhos do gigante” apenas se esqueceram de que esse objetivo se alcança com luta e não com esperanças infundadas em promessas idem de “espertalhões políticos”.
Eis-nos, pois em 2015 repetindo a “lição histórica” de 1930, 1960, 1964, repetindo-a de novo em 2002. A grande questão sempre foi a de que essa “justiça social” tem que ser para toda a nacionalidade e não exclusivamente para resgatar a “classe dos excluídos”. Não há como fazer as classes mais pobres crescerem, sem que cresçam as classes sociais imediatamente acima diz o ensinamento econômico. É a Economia, estúpido!
Entretanto, para essa “roda da fortuna” gire é essencial que exista um componente básico e que não é o dinheiro. É a confiança de que os agentes políticos estabeleçam regras claras, quanto a estabilidade e segurança jurídica para todos os componentes dessa “cadeia produtiva”, que é a sociedade como um todo. Patrões, empregados e, sobretudo agentes políticos unidos em confiança e respeito mútuo de deveres e obrigações. Da confiança nasce o respeito, inclusive do mundo lá fora.
E qual o termômetro dessa confiança? É evidente que é a interação dos agentes econômicos, quando respaldados por essas “regras críticas”.
O que enxergo de benéfico na crise atual é que pela primeira vez se questionam todos os valores sociais a partir da Operação Lava Jato, da arguição da atuação do STF, STJ, TSE, TCU, da própria instituição da Presidência da República e do Congresso Nacional. Nunca uma “crise política” reuniu no mesmo pote todas as instituições da República e por isso as questionam e contestam.
Nossos políticos ainda viajam nas mesmas caravelas em que partiu Dom João VI e por isso estão a um “Oceano Atlântico” de distância na escuta dos reclamos da sociedade, que descobriu nas redes sociais o “megafone” dos seus “justos reclamos”.
Não sei se teremos o impeachment da Presidente, mas sei com toda a certeza, que um Novo Brasil emerge, ainda que lavado com lama. Quem diria que a lama purifica?
E daí e daí, SOCIEDADE...?
 
Dos Entendimentos, Percepções & Compreensões
Antônio Figueiredo
Cronista & Escritor
São Paulo – SP
Exclusivo para a Sala de Protheus
 
Obs.: Todas as obras publicadas na Sala de Protheus
são de inteira responsabilidade de seus autores.
O Editor!