quarta-feira, 21 de outubro de 2015


#SerieBrasil:

 

O Coronel... O Capitão e o Tenente!

- E as Regras do Jogo! –


Na semana passada morreu o Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe do DOI CODI de 1970 a 1974 durante o Governo Garrastazu Médici e considerado o maior dos esbirros daquele período de exceção e com ele muitos dos “segredos de porão”. Infelizmente esse é um período da história, que ficará por ser escrito por algum tempo ou indefinidamente e com isso deixaremos de aprender uma “lição” muito importante, pois nenhuma Comissão da Verdade será isenta o suficiente para se agarrar exclusivamente aos eventos, regras do jogo e seus responsáveis diretos.


Já os outros dois protagonistas o Capitão Carlos Lamarca e o 1º Tenente da Força Pública de SP, (antiga PM - Polícia Militar) Alberto Mendes Junior entram nesta crônica por portas diversas. O primeiro com sua biografia escrita na Wikipédia, que não lhe faz integral justiça, segundo a opinião de um meu primo, seu contemporâneo na Escola Preparatória de Cadetes do Exército em Porto Alegre. Já o segundo por ser o nome da rua em que resido que aguçou minha curiosidade sobre seu nome e que não me soava estranho.

Pois bem ambos são personagens da Guerrilha no Vale da Ribeira. Nela por ordem de Carlos Lamarca o Tenente Mendes Junior foi executado a coronhadas de rifle, pois aos guerrilheiros não interessava serem localizados por um tiro de fuzil e também porque a “guerra de Guerrilha” nunca teve campo de prisioneiros e aos guerrilheiros não se dava o benefício do Tratado de Genebra. Exércitos não regulares, “não uniformizados”, eram tratados como espiões e por isso sumariamente executados. Isso valeu nas Guerras Mundiais e até recentemente.


Sigo sempre o corolário de que a História não se politiza ou partidariza e não está subordinada a nenhuma Comissão da Verdade, para muda-la. A História é a crônica dos fatos acontecidos e deve estar sob o crivo restrito dos valores no seu tempo. Falar em “direitos humanos” dos anos 90 em calabouços dos anos 60/70 é desconhecer o cenário temporal e principalmente desconhecer as “regras do jogo” histórico. Tanto o coronel, como o capitão e o tenente sabiam bem as regras e suas consequências e de maneira alguma se omitiram em executar as tarefas que assumiram realizar, pois a nenhum homem se cobra a razão dos seus ideais, que muitas das vezes, infelizmente, excedem aos seus valores pessoais. Tempos de guerra são tempos em que estão em jogo “valores maiores” e a humanidade sempre justificou assim, que os fins permitem os meios. Sem quartel. Não perfilo na “Comissão do Esquecimento” e tampouco nas modernas “Comissões da Verdade”, pois a verdade histórica é um trabalho de arqueologia escavando o tempo e pincelando a poeira e o mofo de fatos e personagens para se chegar ao máximo possível de verdade. Mas para isso “aqueles tempos” devem ser deixados passar e buscar estar a cavalo nos tempos que correm. Num páreo os cavalos correm para a linha de chegada e não para a linha de partida. Lá eles já estão: “imobilizados”.


A “regra do jogo” em meados dos anos 80 era virar a página dos tempos de exceção buscando garantir as instituições democráticas de modo a inviabilizar novos períodos de exceção. Já a partir dos anos 90 rumava-se para mudanças estruturais de modo a que se cumprissem os preceitos constitucionais sociais previstos na CF 88 e hoje o que se percebe é que os três maiores partidos se encontram enredados em uma disputa inerte. O PT ideologicamente a uma “infância utópica esquerdista” enquanto na prática capitalista demonstra incompetência operativa. O PSDB mostra incapacidade em apresentar à sociedade uma alternativa e um projeto nacional viável. Já o PMDB está onde sempre esteve. À disposição em cooperar com quem chegar ao Poder, pois urnas majoritárias não são seu cacoete.


O Brasil a exemplo de todas as grandes nações está carente de “nomes fortes” politicamente, mas graças ao centralismo econômico oficial, também claudica em avançar economicamente. Nestes tempos de acordos comerciais globalizados ainda nos travamos atrelados a alinhamentos comerciais ideologizados. A continuar a toada dos fatos, continuaremos à margem e mais uma vez teremos perdido “outro bonde” da História. Apenas o desenvolvimento econômico criará condições de novos investimentos e na retomada dos investidores atuais e com isso a manutenção de políticas sociais de emergência, vagas de empregos e crescimento da renda, crédito e consumo. Todas as besteiras para manter o consumo artificialmente não foram suficientes para preservá-lo, bem como para preservar a arrecadação de impostos para pagar as Contas Nacionais. É necessária uma ação urgente para manter o “grau de investimento”, senão se a capacidade de pagar da nação for jogada ao nível de “especulativa” (lixo), talvez o PT se veja na obrigação de fazer um Acordo com o FMI para restaurar a nossa credibilidade e isso seria o “mais melancólico” dos fins, que o PT poderia ter.

Cuspiu para cima e se esqueceu de sair de baixo...

 

 

Entendimentos & Compreensões

Antônio Figueiredo

Escritor & Cronista

São Paulo – SP.

 

 

Obs.: Todas as obras publicadas na Sala de Protheus
são de inteira responsabilidade de seus autores.
O Editor!