segunda-feira, 27 de junho de 2016

Quando, Onde E Por Quê ser idiota!
“A maior tristeza de um povo é 
não ter onde viver”.
(Ytzhak Rabin, primeiro ministro israelense, 
morto em 1995)

“A maior tristeza de um povo
é não ter onde morrer”.
(Yasser Arafat, lider da Autoridade Palestina, 
falecido em 2004)


Onde se vive ou morre é irrelevante na vida de cada um. A maior tristeza do ser humano é viver e morrer sem saber quem é.
Na estúpida imposição por igualdade de resultado, as pessoas perdem aquilo que é mais precioso na vida. Pouco interessa o lugar, cada ser humano é único nas suas decisões, ações e o resultado de cada passo, cada chance, cada segundo de vida, é singular na lembrança de quem cada um será depois da vida.
Em qualquer época, o desejo mais primitivo do ser humano é deixar sua marca na Terra. Por onde passou, o que realizou, o que aprendeu e ensinou, na lembrança dos possíveis descentes e na história do mundo, seja lá a dimensão que alcançar seus atos de vida.
A cada um cabe descobrir a marca que deixará, tanto no coração das pessoas, quanto nas lutas enfrentadas. Amores passados, amores frustrados e amores presentes, tudo depende da coragem de assumir riscos, responsabilidades e se apresentar nos desafios mais improváveis da vida.
Enquanto se respira, a pele aquece, o olho brilha e a vida aparece, todos têm chances permanentes de fazer melhor, fazer o bem, nem que seja, pelo menos, para evitar o pior. E o pior da época atual reside nesta imbecilidade de igualdade material, ceifando qualquer forma de virtude do outro. A virtude financeira de qualquer um é decapitada em nome da igualdade social. A virtude nas relações pessoais é cercada por alertas preconceituosos dos “amigos”. A virtude profissional faz surgir um cardápio indigesto de suspeitas e acusações. A virtude pessoal, mesmo que seja a discrição, modéstia e humildade, já basta para alguém ostentar a pecha de “estranho" nos olhos de muitos que se dizem ver.
Dito tudo isso, por que quase me “obrigaram”, a assistir, uma gravação remetida. Diante do mês rigoroso de um inverno apenas iniciado, quase em estádio de hibernação, atrevo-me a assistir o “presente” deste amigo filosofo, que me inquire a fazer uma digressão sobre os idiotas. Nesse caso, configura-se o idiota em mim,
E o que assisto: uma mulher bonita como Megan Kelly (Fox News) se mostrar corajosa para encarar o “mostro” Donald Trump em entrevista exclusiva, que mulheres e homens, colegas ou não, iniciam uma série de chibatadas públicas na “loira”, que qualquer comentário ou palavra jocosa do entrevistado nos últimos meses, não passaria de piada ingênua.
Mas os comentários, fofocas, relatos e desconforto geral seguem na proporção da raiva despertada pela virtude de alguém, ainda mais uma mulher bonita entrevistando um bilionário que lidera a corrida presidencial estadunidense. A criatividade humana é impressionante, desde uma pequena cidade provinciana, até o centro de Nova York, qualquer relação entre personagens semelhantes, mulher bonita e um homem bem-sucedido, independente da natureza da relação, fará deles seres mundanos aos olhos de pretensos santos.
Sorte de todos que a palavra “morte” não mata, nem a palavra Jesus ressuscita alguém. O mesmo Nietzsche que declarou a morte de Deus, suplica para que Ele exista no supremo desespero de incompreensão do mundo.
A mesma situação se repete todos os dias na vida de qualquer pessoa que exercite uma virtude própria e atinja resultados diferente dos acomodados. Dr. Simão Bacamarte, célebre médico nascido da genialidade de Machado de Assis já ensinava, “o menor indício de virtude já é suficiente para isolamento e internação do paciente”. O desconforto provocado por Megan Kelly em nada difere de tantas outras mulheres em qualquer cidade, bairro, vilarejo, rua ou edifício no mundo. A pessoa que, simplesmente, mostrar-se determinada, autônoma, livre e sincera, tanto na profissão, quanto na relação com seus filhos e maridos, servirá para alvo das amarguras que outras pessoas sintam nas próprias vidas. Uma vez constatada a determinação lúcida de um, a agressividade mórbida de outro ganha amparo social da coletividade, cuja intenção obscura não é outra, senão sabotar a individualidade virtuosa de tantas pessoas que, simplesmente, fazem a parte que lhe cabe, vivendo ou morrendo em qualquer lugar do mundo.
O instinto destrutivo do ser humano primitivo é comum. Sagrado, que antes era ligado àqueles que melhor exercitassem suas virtudes, hoje tem mais relação à repetição da conduta de todos. A frase é sempre a mesma, “seja diferente, para fazer a diferença”. Como Sêneca, Júlio César e Cícero alertavam, o discurso é irrelevante, interessa mesmo o que revelam os atos. Isso em Roma, definindo a amizade na visão estoica das relações humanas. Nada diferente de hoje, algumas pessoas sofrem por não serem vistas, mostrando-se sempre mais. Outras sofrem por serem muito vistas. 
Em maior ou menor dimensão, as vidas das pessoas se desenvolve de forma muito semelhante. Mesmo que se pretenda igualdade a todos, tudo será diferente na formação afetiva, biológica e social de cada um. Cada pessoa sofrerá derrotas, aprenderá e reagirá de forma diferente. Cada um afetará os outros e o mundo de forma única. Também será afetado, singularmente, pelo mundo e outros, que representarão suas diferenças e diferentemente serão representados para todas pessoas que cruzarem no mesmo tempo e lugar. Nem mesmo o tempo, tão pouco o lugar e menos ainda os outros podem ser controlados. Cada um diferente de você e, por óbvio, nem poderia ser diferente.
Por conta disso, evitar os outros pela sua diferença é estupidez, mas imbecilidade mesmo é insistir que todos sejam iguais. Seremos sempre diferentes, nas ações, nos vícios e virtudes, nas relações entre si e o mundo. E um alerta, é fundamental que sejamos diferentes, que aprendamos com os outros e nos descubramos através do que afetamos outros. 
Os outros, as pessoas. Pouco interessa a geografia, o que interessa são as pessoas. O melhor das pessoas, para elas mesmas e cada um de nós, pessoas tão imperfeitas, defeituosas, insatisfeitas, infelizes, derrotadas, frustradas e amarguradas quanto qualquer outro. Os outros, todos, no que de diferente fazem a partir do que é comum a todos.
Num grotesco passeio sofista de Platão pelo inferno de Sartre se veria que os outros são o que afetam todos, pelo comum nos fatos da vida de cada um. Mas, para todos, o fato da vida é inevitável. Para muitos, o fato do outro ter vida é insuportável. Para alguns, tolerável. Para poucos e raros, o fato da vida, tanto a própria, quanto a vida do outro, seria algo, realmente, louvável. Todos igualmente vivos, mas distintamente, vivendo suas vidas. 
Nada tem a ver com o lugar, seja para viver ou morrer, a virtude funciona como um músculo e fortes mesmo são as pessoas que se arriscam por estas virtudes, mesmo quando outras as acusem de viciadas. Na verdade, o vício da gentileza, da modéstia, da humildade, da polidez, respeito e, talvez, nas poucas chances que restam, o exercício de sinceridade, sendo amável com alguém ou, quem sabe, somente a coragem de assumir uma decisão própria, são atitudes incompatíveis com o mundo coletivo atual. 
A fragmentação social da individualidade é a única forma aceitável de virtude. Aceitar ou sustentar uma negativa da vida é intolerável. Onde já se viu negar-se um evento social? É uma afronta, uma ofensa grave, revidada com tantos predicados quanto as nojentas razões que cabriolam nos trapézios do cérebro puderem espetar o vodu social representativo da pessoa autônoma. 
Virtudes vistas por todos e pouco faladas. Vícios não vistos por ninguém e muito fofocados. Além da vida, comum a todos, também a refração ao diferente, ao melhor, ao virtuoso, ao tímido, é comum. Compreensível, afinal, bem mais fácil acusar o diferente de estranho. Aliás, o diferente é estranho mesmo, desconhecido e nem por isso significa que seria ruim. Mas, observar sem agredir, conhecer sem acusar, conversar sem cuspir, talvez seja algo parecido com tolerar. Nada a ver com o lugar ou tempo, nem mesmo as diferenças evidentes. 
A igualdade no resultado de qualquer aspecto da vida, anula o que de mais precioso se poderia existir no tempo de cada um respirando. Igual pode ser o lugar, o tempo, de viver ou de morrer. Igual pode ser a liberdade do outro, na mesma proporção da liberdade de quem a reivindica. Igual deve ser o respeito ao outro, nos atos de quem urra para ser respeitado. Igual é a forma humana. Igual já é a morte. Igual é a regra da justiça. Desigual é a lei atual e tal qual a língua do homem, que sendo igual, pode viver e morrer em qualquer lugar, mas nunca terá a mínima chance de descobrir quem é, afinal, na massa indiferente do rebanho parelho, mugindo no mesmo passo a caminho do frigorífico, que diferença faria ter nascido com vida? 
No fim, os fatos são estes, a lei permite e só sendo muito idiota para fazer a diferença. Idiota é procurar um lugar perfeito para viver. Idiota é exigir um lugar para morrer. Idiota foi Cristo que se ofereceu a Freud para confirmar Gramsci, na consciência misericordiosa única que perdoou os atos inconscientes da massa que o crucificou. 
Ou idiota somos todos por acreditar que fazer a mesma coisa que todo mundo estaríamos fazendo a diferença. Quem sabe não seja a hora de lembrar que cada um é diferente do outro? Que só se aceitando diferente e tolerando a diferença do outro, sem acusar, sem cuspir e sem matar, seria possível viver ou morrer em qualquer lugar? Preste atenção, talvez você seja exatamente aquilo que te faz tão único e singular no mundo. Mas, para fugir da solidão, ainda segue a bobice igual todo mundo, seria medo de que alguém descubra? Ou o pior, que você descubra? Até lá, nos contentamos com o prato feito servido pela mão de alguém “inteligente”, de preferência, afinal, pouco interessa ser você, desde que se pareça com quem é bonito e a tristeza solitária da verdade nunca chegará, especialmente no mundo profetizado de Thomas Gray*:
Since sorrow never comes too late, And happiness too swiftly flies.
Thought would destroy their paradise.No more; where ignorance is bliss, 'Tis folly to be wise.
Talvez o mundo ao redor tenha razão, idiotas são todos aqueles que perdem tempo enfrentando a tristeza que a vida impõe a todos. Sim, fatos tristes e dor são democráticos e atemporais. Mas, num tempo onde todos fazem igual, alimentam-se igual, falam igual e sorriem igual, com festas diárias e prazeres instantâneos, que motivo teria alguém para enfrentar a dor sem dó de si mesmo? No meio de tanta brincadeira, que valor teria um sofrimento verdadeiro e brutal, solitário e soluçado, uma convocação da vida, uma visita desagradável da natureza, um fato cruel?
Para a maioria indiferente, não sei, mas com certeza, os poucos e raros que vivem (e sobrevivem), o desafio de enfrentar um sofrimento verdadeiro, sabem diferenciar bem uma celebração vazia e, por mais que um choro soluçado seja de cortar o coração, no rosto vermelho, quente, salgado de lágrimas, é o lugar ideal do mais forte e verdadeiro sorriso. 
Mesmo porque, dependendo da “turma do bem”, o poema de Gray ficará real e a ignorância de qualquer valor pessoal será uma benção, alegremente compartilhada em rede social, pouco importa estar recatada ou de fio dental, no meio do grupo, fica tudo igual. E a pessoa perece velha, sem nunca saber seu valor individual. Perdendo a diferença que seria fundamental.
E isso vale em qualquer lugar que se vive ou se morre neste mundo. Povos migrando, todos emigrantes nômades fugitivos da hostilidade normal, pouco interessa uma tribo do Oriente Médio, uma vila em cidade do interior do Rio Grande do Sul ou em Nova York, pessoas iguais demais, sem identidade, lugar ou tempo para viverem as próprias vidas. A maioria segue assim, no ritmo de um bando de políticos que se repetem no mesmo caminho, ignorando a si para se manter acolhido no grupo. 
Ninguém sabe quem é, mas sentem desconforto porque Donald Trump sempre será Donald Trump, Megan Kelly será Megan Kelly, eu serei sempre este idiota e você, bom, sendo eu o idiota, combinamos, você, talvez, seja menos idiota que tudo isso que leu até aqui. 
Quem você é, difícil a este idiota saber, mas uma coisa é certa, você não sou eu. O que você descobre em si nas chances verdadeiras de vida que aparecem é problema ou solução teus, a missão é única, individual e, assim como a vida, a ser gozada de forma pessoal e intransferível, seja lá o desafio que precise enfrentar, fará por conta própria. 
O resto, basta aproveitar cada chance, entre um abraço de sinceridade e outro de glamour, para descobrir o que realmente faz o coração bater, o corpo levantar da cadeira e sorriso verdadeiro aparecer. Até porque, nunca saberemos se a sinceridade nos abraçará novamente. Só resta manter a distinção que faz único cada um de nós, afinal, seria muita deselegância a felicidade chegar até você e encontrar outra pessoa, ou pior, ficar rodando no meio da multidão, entre um tocar e outro, sem poder distinguir a pessoa que merece sorrir de verdade.
Pensar não dói.... Já ser um idiota....

*Thomas Gray (1747):
Desde a tristeza nunca chega tarde demais, E a felicidade muito rapidamente voa.
Pensamento destruiria o seu paraíso. Não mais; onde a ignorância é felicidade, 'Tis loucura ser sábio.




Entendimentos & Compreensões
Leituras & Pensamentos da Madrugada
Das minhas eternas discussões e digressões
com o filósofo Michael Chehade
No gelado maio gaúcho/2016
Publicado originalmente no Grupo Kasal 
Konvenios - Vitória - ES.
Arquivos da Sala de Protheus
www.epensarnaodoi.blogspot.com.br

quinta-feira, 23 de junho de 2016


O Espelho!

A imagem refletida
Por algum tempo
O espelho pareceu
Ser minha vida.
Anima/animus
Yang/Yin
Ilusão de ver-me.

O desejo e o temor
De então encontrado
O eco de si
Me cegavam
A prisão que me aprisionava.

As molduras bem tecidas
As imagens tão bonitas
Me alimentavam
E numa dialética perversa
Eu me autoenganava
Pensava em amor
Afeto terno
Mas era torturada.

Sutil prisão do espelho
Que refletia meu engano
Me iludia os olhos
Me cegava o coração
E me torturava a alma
Cortando mais e mais 
Fundo.

Palavras, gestos, rejeição
A moldura bem tecida
A imagem refletida
Me mantinha apreendida
Em finas teias de vidro
Gélidas, cortantes, torturantes.

Mas a ilusão por mais iludida
Um dia se torna desiludida.
As finas teias de vidro
Aos poucos
Mesmo cortando e sangrando
Se romperam
E o coração cego
Viu a imagem da verdade.

Dura verdade de uma ilusão
Do delírio que me apossava.
Dor, tristeza, alma cortada
Cada fio que se rompia
A figura prisioneira
No espelho sangrava.

Até que foi possível quebrar
O espelho
A moldura bem tecida
E olhar a verdade
Não. Não há espelho que me reflita!
Sendo una. Sou meu próprio animus
Meu próprio Yin!
Não sou metade dos seres esféricos
Eu sou inteiramente eu.

Não há eco de mim
Não há em quem me dissolver
Não há terror algum
De me ver refletida em ninguém
Porque ninguém pode ser eu
Somente eu posso ser eu mesma.

Quebrado o espelho
Desfeita a moldura
Cortados os fios de vidro
Experimento a força,
A liberdade!
E percebo que não caibo
Nos limites do espelho
Sou maior do que ele.

Ah espelho enganoso!
Frágil, pequeno, quebrável,
Cortante, solitário, ferido.
Olhe-te agora como tu és
E vejo-me como sou.

Tão forte com minhas feridas
Tão lucida,
Tão corajosa,
Pacificada,
Libertada.

A minha visão tão forte
Rompeu a ti
Quebras-te, 
Fugiste,
Apavorado, desesperado,
Odiando a imagem que
Agora inteira
Sou eu mesma
E não podes mais
Subjugar, aprisionar
Nas tuas teias
E nem nas tuas molduras.



Entendimentos & Compreensões de 
Candida Maria Ferreira da Silva 
Assistente Social, Teóloga, 
Especialista em Infância e Violência 
Domestica pela USP.
- Rio de Janeiro – RJ -
Arquivos exclusivos da Sala de Protheus.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

#Sentimentos:

“E Nossos Filho...?
“.... Teus filhos não são teus filhos
São filhos e filhas da vida, 
anelando por si própria
Vem através de ti, mas não de ti.
E embora estejam contigo, a ti não pertencem...! ”

Khalil Gibran


                                    O Autor oriental, em epígrafe, diz mais, na continuação de seu pensamento que virou poesia no mundo:
“(...). Podes dar-lhes amor, mas não teus pensamentos. 
Pois que eles têm seus pensamentos próprios.
Podes abrigar seus corpos, mas não suas almas.
Pois que suas almas residem na casa do amanhã, 
Que não podes visitar se quer em sonhos. 
Podes esforçar-te por te parecer com eles,
mas não procureis fazei-los semelhante a ti, 
pois a vida não recua, não se retarda no ontem.
Tu és o arco do qual teus filhos, como flechas vivas, 
são disparados.... Que a tua inclinação na mão do 
Arqueiro seja para alegria...”.
                                          A introdução tem razão de ser, depois de visto, ouvido e lido o que acontece com jovens em todo o Brasil. Aliás para isso a “imprensinha” anda “derramando” dramas humanos pelas telas, televisão e internet, e “escorrendo” pelas páginas.
Se não foi “exatamente” daquele jeito... Eles dão um jeitinho de aumentar.
                      Não julgo mais o que não existe. Não temos imprensa. Temos veículos pagos para dizerem o que quiserem.
Fiquem, pois, com suas opiniões.
Mas a questão que fica e não quer calar é: Aonde estão os pais destes jovens?
De repente o Brasilês se tornou um reles procriador?
                         O ensino virou uma “coisificação” e já faz um belo tempo. Professores se tornaram meros doutrinadores de “coisa nenhuma”...Mas, e os pais?
                           Cadê a tão sagrada e digna educação de “berço”? Aquela que herdarmos e nos honramos vir de nossos amados pais? Não importando a raça, cor, credo.... Não!
O que importava era sua postura frente a sociedade.
                            O psicanalista Jung reveria toda sua teoria sobre “O inconsciente Coletivo”, nos dias atuais. Ficaria com a “barba em pé”, e certamente, necessitaria de um terapeuta.
O que somos e o que nos tornamos?
                              Busquei na música do estadunidense Scott Walker (tradução aproximada) o que falar para que as pessoas realmente entendam... E pais: Acordem!
Diz o compositor:

Filhos do ladrão, filhos do santo
Quem é o filho com nenhuma queixa
Filhos dos grandes ou filhos desconhecidos
Todos eram crianças como seu próprio.
Os mesmos sorrisos doces, as mesmas lágrimas tristes
Os gritos durante a noite, o pesadelo temido...
Filhos dos grandes ou filhos desconhecidos.
Todos eram crianças como seu próprio ...
Mas filhos de magnatas ou filhos de fazendas
Todas as crianças correram de seus braços
Através de campos de ouro, através dos campos de ruína
Todas as crianças muito cedo desapareceram
Em tórridas ondas, nas paredes de carne
Entre as aves, morrem tremendo com a morte
Filhos de magnatas ou filhos das fazendas
Todas as crianças correram de seus braços ...

Mas os filhos de seus filhos ou filhos passando
Crianças que perderam em canções de ninar
Filhos de amor verdadeiro ou filhos de pesar
Todos os filhos que você não pode esquecer
Alguns construíram as estradas, alguns escreveram os poemas
Alguns foram para a guerra, alguns nunca chegaram em casa
Filhos de seus filhos ou filhos que passam por
Crianças que perderam em canções de ninar ...

Mas, filhos do ladrão, filhos de santo
Quem é o filho com nenhuma queixa
Filhos dos grandes ou filhos desconhecidos
Todos eram crianças como seu próprio
Os mesmos sorrisos doces, as mesmas lágrimas tristes
Os gritos durante a noite, o pesadelo teme
Sons do grande ou filhos desconhecidos
Todos eram crianças como seu próprio ...
                      Apenas pensamentos para seus discernimentos de pai, neste mês de junho ou às portas do inverno.... Para que a primavera brote com novos seres dignos de um Brasil bonito.
Pensar não dói.... Já não educar seus filhos?
Deixo para você responder!
Boa sorte!



Entendimentos & Compreensões
Leituras & Pensamentos da Madrugada
Tradução livre da Musica
Sons Of de Scott Walker- 2008.
Postado originalmente no Grupo Kasal - 
Konvênios - Vitória - ES. 
Arquivos da Sala de Protheus
www.epensarnaodoi.blogspot.com.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

#Lançamento

Voto Distrital...
 Este Me Representa...!
“ Nenhuma representação será plena em um 
Estado Democrático, se até o mais distante
e menor dos rincões não se fizer representar”

Antônio Figueiredo - SP.
                
                                     Por fim o livro VOTO DISTRITAL – ESTE ME REPRESENTA de minha autoria e com a apresentação do “inesquecível amigo” Sandro Vaia, o suporte sempre necessário do Professor Bortoloti da Sala de Protheus e as ilustrações de Ronaldo Elias, se materializa e em respeito e homenagem aos milhares de leitores, que nos acompanham aqui,quinzenalmente, estamos abrindo o acesso prioritário à obra através do meu e-mail figuinho2009@gmail.com.
                                            Quero, contudo, contar um pouco da história da motivação do livro. 
                                              
A realidade do subúrbio me ensinou desde muito cedo o significado de “periferia”, aquele lugar que só salta aos olhos em suas dificuldades de infraestrutura aos seus residentes. O restante, aquilo que chamávamos “ir para a cidade”, era um lugar perfeito com seus edifícios bonitos, ruas impecavelmente pavimentadas, galerias pluviais urbanizadamente compostas, iluminação pública em postes decorativos e agitação. Era assim, que da Vila Maria enxergávamos o Centro da pujante São Paulo nos anos 50.
                                              
E a razão da manutenção dessa condição devia-se a não termos “quem rogasse por nós”. Éramos sempre obrigados a “pedir” através dos “santos de outras paroquias”, pois além de “santo de casa não fazer milagres”, de verdade não tínhamos santo local algum a nos valer.
                                                 
Como de costume só recebíamos a visita de políticos que patrocinavam o “troféu pomposo” ao campeão do “festival de várzea”, (campeonatos regionais de futebol patrocinados por um clube do bairro) e ou nos comícios políticos às vésperas das eleições, quando se exaltavam as qualidades do bairro e da sua importância para a grandeza da Capital, mas que jamais se traduziam em obras de saneamento, transporte público, educação e saúde.
Quantos milhares de Vilas Maria temos ainda no Brasil de 2016? E por quanto tempo ainda elas se manterão?
                                                
É exatamente a importância dessa representatividade que o livro VOTO DISTRITAL – ESTE ME REPRESENTA propõe à reflexão e à conscientização cidadã. Da importância de o representante distrital morar e ter toda sua atividade próxima da sua coletividade, (que seus filhos sejam crianças que brinquem com os seus iguais nas comunidades) e que eleito seja fiel aos propósitos frutos das reivindicações dessa mesma coletividade que o elegeu. E mais principalmente, que caso seja convidado a “secretariar” qualquer Executivo, seu “substituto” seja dessa mesma coletividade para que esta não retorne à “orfandade representativa” e que assuma o “número dois” nas eleições distritais.
                                      
Uma das coisas mais impressionantes dos tempos atuais é que as “modernas Vilas Maria” em Eleições Majoritárias sejam competentes em eleger um Presidente da República, mas totalmente indiferentes em eleger um Deputado Estadual/Federal seu procurador para suas reivindicações quanto à sua vulnerabilidade, mas que, contudo, se deixam contentes pelo “cala boca” de uma política de assistencialista de “mata fome instantânea”. É a troca de uma “política de futuro”, pelo “miojo lamen” do dia a dia.
                                             
Uma outra coisa implícita para o sucesso do Sistema Distrital é que dentro de cada distrito prevaleça uma democracia de inclusão social, de opiniões e de participação. Cada segmento social dentro do distrito deve se fazer ouvir e respeitar em regime de igualdade, sem o que o Bolsa Família, que é um “mecanismo provisório de transferência de renda”, tende a se tornar um “programa definitivo” e com isso se mantem a diferença e exclusão social dos mais desassistidos. O distrito tem que ser solidário.
                                       
Não pode haver fartura de “farinha colombiana” no nariz das classes mais abastadas e falta de pão na mesa do marginalizado social. É um crime retroalimentando o outro em “moto perpétuo”. A expansão dos cartéis de drogas no Brasil está diretamente ligada à percepção social dos desníveis absurdos de renda, não só no distrito, mas a nível nacional até mesmo nos mais afastados rincões pela facilidade de acesso à informação, seja através da televisão, como pela própria internet. Não existe mais o “delay”, que favorecia à distinção de realidades no Brasil.
                                       
Uma realidade a ser encarada é a de que a representatividade democrática somente se estabelecerá sob um império de igualdade da lei e da ordem, principalmente aplicada aos “nossos representantes”. Deve haver a convicção plena de que “pau que bate em Chico, também bate em Francisco” com igual força e peso.
                                       
Assim como vemos a Justiça Federal do Paraná em conjunto com a Força Tarefa da Lava-Jato cumprindo estritamente seu papel constitucional, assim também deverão nossos representantes se sentirem cercados e vigiados para que cumpram suas responsabilidades com zelo e parcimônia e isto só acontecerá se estiverem “muito perto” daqueles que o elegeram.
                                    
Tenho a mais absoluta certeza de que a leitura do livro deixará clara toda uma rede de compromissos que deverá ser assumida por todo e qualquer homem político, que pretenda se tornar um “representante distrital”.
                                    
“Para burro xucro, cabresto curto” sugere a sabedoria popular. Principalmente a de quem aprendeu batendo a bunda no chão ...
Boa leitura!


Das Percepções & Pensamentos Partilhados
Antônio Figueiredo - Escritor Cronista –
Autor da Obra – Voto Distrital... Este Me Representa!
Lançado nesta Semana pela 
Editora Garcia - São Paulo – SP.
Arquivos da Sala de Protheus.


Obs..:
Todas as obras publicadas na Sala de Protheus
São de inteira responsabilidade de seus autores.
O Editor!


quinta-feira, 16 de junho de 2016

#PensarNaoDoi:

“Qual é o Sonho do Brasilês? ”

“A vida é composta como uma partitura musical. O ser humano, guiado pelo sentido da beleza, escolhe um tema que fará parte da partitura da sua vida. Voltará ao tema, repetindo-o, modificando-o, desenvolvendo-o, transpondo-o, como faz um compositor com os temas de uma sonata...!”

Rubem Alves

                                      Se você quiser saber a verdade de uma pessoa descubra o sonho dela e depois trabalhe de trás para frente.
Todo nós perseguimos alguma coisa:
Mais dinheiro.... Mais amor.... Mais poder.... Mais paz... 
Ou talvez, apenas talvez, uma segunda chance.
Mas o que realmente queremos, no fundo, é mais vida.
Sim.... Mais um pouco desta bela vida.
Mas você precisa tomar cuidado, pois pode ser que queira ainda mais...
E no final acabe com menos.
Faz parte do primitivo que o homem ainda carrega.
O escritor Robert Tammen, chamava a isso de “ O olhar da ignorância!”.

                                    Talvez não seja a isso que o Brasilês, ainda hoje, mesmo depois de duas décadas ainda esteja atrelado como povo.
Sim. A impressão de ser um povo é quase uma “utopia”. Ou seja: um lugar ou estado ideal, de completa felicidade e harmonia entre os indivíduos.
                                   Na forma oficial como estado, o povo existe pois está dentro das delimitações de um território internacional. Ao menos para o mundo nós somos um povo.
O Brasilês acha que tem tudo ao seu controle.
Um detalhe: Isto não existe. É uma mera configuração mental estabelecida como coadjuvante no cenário da autoestruturação do indivíduo. Nada mais!
                                   No meio desta baderna politiqueira – sim exclusivo de partidos – em que se tornaram personagens os três poderes da República, fica a pergunta:
O Brasilês tem sonhos?
A pergunta é feita em termos de ideais, de estado, de futuro para seus filhos.
                            Pois os sonhos de futebol, qual Escola de Samba vai ganhar na Avenida... Estes já são automáticos na cabeça pouco pensante dos nativos deste grande país continental chamado Brasil.
                           Na área política aquele que “falar um pouquinho melhor” ou “roubar um pouquinho menos” se torna, à olhos vistos, imediatamente, um novo herói.
O Juiz Federal Sérgio Moro, já foi até “lançado a presidente”.
                                   O juiz em questão, comandante da Operação da Policia Federal Lava-Jato entre outros é um competentíssimo profissional de uma verdadeira justiça que não conhecíamos. Apenas isso.
                                   Este é o normal que funcionários públicos em nível, como o do Prof. Dr. Sergio Moro, executem, trabalhem como integrantes da esfera pública federa. Nada mais.
                                         Este trabalho meritoso deveria ser o normal em todas as esferas onde houvesse um funcionário público. Mas para nós é tanta novidade que já o consagramos heróis.
                                   Na ópera/peça teatral Galileu Galilei do teatrólogo, poeta, cinegrafista, articulista, ativista, alemão Brecht que narra a confirmação astrofísica do sábio Galileu de que a Terra não é o centro do universo, teoria defendida pela Igreja Católica para poder melhor oprimir o povo, mas sim o Sol, há uma cena em que Galileu é obrigado pelo Tribunal da Santa Inquisição a negar a verdade que descobrira, caso contrário seria executado na fogueira da dogmática-cristã-Paulínia.

                                    Galileu entre a angústia da execução e a defesa da verdade, conversa com seu secretário Andreas. Andreas, no entusiasmo de sua juventude, quer que o sábio Galileu não ceda aos inquisidores, mas Galileu, mais sereno e racional, sabe que morrendo ou não morrendo, a verdade da Teoria Heliocêntrica, o sol o centro do universo, jamais poderá ser negada. A História se encarregou de oferecer a Galileu sua verdade-social. Apesar de toda brutalidade da Igreja contra os que pensavam contrário a dogmático, como ocorreu com Giordano Bruno.
                           Andreas entende que a morte de Galileu o fará um herói, o que seria a grande homenagem para um homem como o sábio. E ainda mais, a morte de Galileu poderia levar o povo à rebelião. Percebendo que Galileu não cede aos seus argumentos, Andreas, brada:
– Pobre do povo que não tem herói!
Ao que Galileu, sabiamente, rebate:
– Não, Andreas! Pobre do povo que precisa de herói.
                              Creio que o que o Brasilês mais precisa não é de sonho, de ideologias, de valores.... Não! Apenas de um herói para colocar em um pedestal... Adorá-lo... Igual faziam os povos da antiguidade.

Talvez, mas apenas talvez, o Brasilês não sonhe... Diante de tanta passividade que ele confunde com pacificidade.
O que seria muito triste.
Mas guarde muito bem esta frase:
- As perguntas mais importantes são as que decidimos não fazer...
E se seus filhos fizerem.... Daqui alguns anos?
O que você, Brasilês de hoje dirá?
Pense... Ainda não dói!
Depois, quem sabe, você tenha transferido toda esta “dor” para seus filhos e netos...


Entendimentos & Compreensões
Leituras & Pensamentos da Madrugada
Fontes citadas.
Obra de Robert Tammen – Aventuras do Homem.
Galileu Galilei de Bertold Brecht 
Publicado originalmente no Grupo Kasal –
Konvênios – Vitória – ES
http://konvenios.com.br/info/verArtigo.aspx?a-id=27846
Arquivos da Sala de Protheus
www.epensarnaodoi.blogspot.com.br

domingo, 12 de junho de 2016

#SerieSentimentos:

Almas Que Amam Não Humilham!

“...Ó tu que vens de longe, 
ó tu que vens cansada,entra, 
e sob este teto encontrarás carinho: 
Eu nunca fui amado, 
e vivo tão sozinho.
Vives sozinha sempre e 
nunca foste amada...!”

Alceu Wamosy

                                 Você não é obrigado a ser nada para ninguém, nem mesmo para si mesmo. 
Surpreso? Eu sabia que você estaria!
A única coisa que o Universo lhe pede, é para amar.
Depois que aceitar isso, será fácil descobrir quem você escolhe ser!
Mas porque estou dizendo tudo isso?
Simples. Vamos por partes:
                   Humilhar é um verbo transitivo que significa tratar desdenhosamente, com soberba; rebaixar, vexar. Submeter, oprimir.
Não tem nada a ver com o que a educação religiosa apregoou, durante seu tempo de escola. Muito pelo contrário. Aquilo é humildade e não humilhação.
                          Mas humildade que você aprendeu também tem um sentido um pouco diferente de seu significado original e puro.
                          A humildade tem sua origem no grego antigo, e sua fonte foge um pouco do conceito que temos do termo. A palavra que originou “humildade” foi a grega HUMUS, que significa “terra”. Este mesmo vocábulo da antiga Grécia também deu origem as palavras “homem” e “humanidade”. Significando primeiramente “terra fértil” e “criatura nascida da terra”, se desenvolveu até ter o significado que conhecemos hoje. “Humilde“, obviamente tem a mesma origem em HUMUS, e vem do grego HUMILIS, que significava literalmente “aquele/aquilo que fica no chão”.

                            Já a conceituação subjetiva foi-nos ensinada que devemos ser humildes com todos. Como se dissessem: Fique em termos de igualdade na simplicidade. Com as pessoas e com os fatos a elas atribuídas.
A partir daí ser humilde quando se ama, é praticamente ser humilhado. Eis a ligação ente ambos.
                                Quando utilizo o poeta gaúcho que poucos conhecem Alceu Wamosy, é exatamente por ele ter em suas obras uma poesia que começa como em epígrafe (no começo antes que alguém pergunte) reflete esta parte das almas sozinhas que buscam a sua parceira em equivalência, em nível espiritual.
                             Quando digo que poucos conhecem é que, geralmente, ao nos referirmos a poetas gaúchos, o primeiro que vem à mente é nosso amado poetinha Mário Quintana.
                      Alceu viveu no século dezoito até os anos de 1923 em Uruguaiana, cidade fronteiriça com o Uruguai, no Rio Grande do sul. E foi um escritor e poeta em nível internacional. Os espanhóis e português o adoravam. Muito mais do que nós que poucos conhecem.
Sempre que ele se referia, em suas obras, sobre o amor, tratava do assunto como se envolvessem “almas no céu”.

                          Para o poeta amar significava estar no céu, nas alturas, coração em enlevo, mente perdida em pensamentos que jamais pensariam em humilhar a parte amada. E sim submeter-se a uma humildade divina.
Deixou dito o poeta no mesmo poema:

“...A neve anda a branquear lividamente a estrada,
e a minha alcova tem a tepidez de um ninho.
Entra, ao menos até que as curvas do caminho
se banhem no esplendor nascente da alvorada...!”

Não era um poeta dos conhecidos impressionistas por sua poesia.
                    Este gaúcho nasceu em Uruguaiana, em fevereiro de 1895, e faleceu em outra cidade fronteiriça, Livramento em 1923. Publicou seu primeiro livro de poesias Flâmulas em 1913 quando trabalhava como colaborador do jornal A cidade, fundado por seu pai, em Alegrete, outra cidade fronteiriça do RS.
                   Fez várias obras, mas nenhuma delas fez tanto sucesso como Duas Almas, poesia que utilizo aqui.
Em uma de suas obras explica-se esta sua paixão derradeira e quem seria sua musa inspiradora.
                     Alceu simplesmente dizia que amar era estar no céu. Não entendia como um ser que ama pode humilhar o outro ser que humildemente lhe recebe tanto amor.

Eis o jogo, utilizado aqui, das duas palavras e seus sentidos com significados que são muito significantes para os amantes.
Alceu, nesta obra, Duas Almas, diz mais:

“...E amanhã quando a luz do sol dourar radiosa
essa estrada sem fim, deserta, horrenda e nua,
podes partir de novo, ó nômade formosa...!”

                Este “afastar-se” do amor, tal qual “estrada sem fim e deserta”, remete o poeta ao seu derradeiro sofrimento do abandono. Eis o que ele considera humilhação para um coração humilde e apaixonado.
Será que temos tal entendimento hoje entre dois seres?
Deixo-lhe a resposta para que busque em seu coração.
Nesta poesia, Duas almas, Alceu encerra-a assim:

“...Já não serei tão só, 
nem irás tão sozinha:
Há de ficar comigo uma saudade tua...
Hás de levar contigo uma saudade minha...!”

Assim como todos os amores que se vão.... Nunca vão sozinhos...
Levam com eles um pouco de saudades do que tiveram, mas também deixam partes de si, ou de suas almas, como gostava de dizer o poeta, ligado a parte que ficou.
Por isso amar não é humilhar o humilde. E sim utilizar o coração lotado de humildade para ofertar o que lhes é doado.
Não seja só.... Nem ande sozinho...
Ame mais...
Pensar não dói.... Já amar deverá doer sim!




Entendimentos & Compreensões
Leituras & Pensamentos da Madrugada
Fonte:
Alceu Wamosy – Poeta Gaúcho
Uruguaiana – RS.
Poesias Completas – 1925. Ed. Globo
Publicado Originalmente no Grupo Kasal/konvenios 
Vitória – ES.
http://konvenios.com.br/info/verArtigo.aspx?a-id=27834#.V13VCvkrK00
Arquivos da Sala de Protheus
www.epensarnaodoi.blogspot.com.br

quarta-feira, 8 de junho de 2016



Presidencialismo de Resultados!

“...Nem existe na prateleira uma alternativa que
funcione melhor num quadro de elevada fragmentação 

partidária. No final das contas, devemos, sim, desejar e

incentivar a formação de novas maiorias para que se
façam os aperfeiçoamentos necessários ao sistema. 
Antes que a voz das ruas e as forças da sociedade 
encontrem caminhos menos pacíficos para isso..! ”.

Murillo de Aragão – Crise do Presidencialismo de Coalizão

Estadão 24/02/2015 


                        Você deve estar estranhando a correlação do título desta crônica com a frase logo abaixo. O primeiro fala em “resultados” e a outra em “coalizão”. Pois bem, em um passado bem recente na década de 80 última instituiu-se o “Sindicalismo de Resultados” na política sindical simultaneamente à criação do Presidencialismo de Coalizão na política nacional. 
                    São muitas e escabrosas as histórias que se têm sobre ambas as práticas, onde a “negociação” deu lugar às “negociatas” e a razão disso é que as “figuras dominantes” em ambos os campos são as mesmas nestes últimos 30 anos. Falta-lhes representatividade e renovação democrática, além de que ambas se misturaram. Tanto a política que se deixou contaminar pelo sindicalismo, como o sindicalismo que se tornou uma forma de fazer política. Nem nos tempos do trabalhismo varguista esta simbiose foi tão forte.

                      Foi através da politização nos sindicatos, que o PT se tornou uma força política poderosa e foi através da sindicalização da política, que dominou o Poder nos últimos 14 anos, mas nem por isso significou a chegada do proletariado ao poder, mas tão somente das forças corporativistas sindicais.


                  Sempre foi o “corporativismo político”, que dominou a política brasileira. Nos tempos finais do II Império e na Primeira República eram os senhores de terras, donos de escravos e depois os barões do café com seus “escravos imigrantes”, que dominaram a política até o Estado Novo. Depois disso os capitães da indústria, os Centrões, as bancadas da Bala, da Bola, das Igrejas e outras que tais, que compuseram as maiorias e não os partidos políticos.
                  Desde que me conheço como cidadão ouço falar da necessidade de se fazer uma Reforma Política, quando na realidade a necessidade é politizar o cidadão e por politizar o cidadão penso que seja fazê-lo consciente de seus direitos e deveres como prescrito na Constituição Federal. Dentre esses direitos o de representar e se fazer representado.

                         Afinal a política é feita pela e em prol da cidadania, sem o que o Estado não faz sentido, mas infelizmente por aqui o “alfaiate” é o próprio político, que veste a política segundo seu modelo e gosto e impõe essa “camisa de força” como o “traje da moda” para toda a sociedade.

                       Na minha longínqua infância era praxe os adultos nos vestirem de calças curtas e suspensórios, pois este era o “traje infantil”. Creio que o mesmo se deve fazer na política. Vestir as crianças desde a mais tenra idade de “calças curtas e suspensórios” de cidadania através do ensinamento político. Fala-se tanto dos Direitos da Infância e da Juventude. Não seria o caso de se incluir essa educação dentre eles?

                           Será que se educássemos nossas crianças desde muito cedo sobre seus direitos e deveres escolares e o quanto a sociedade investe para que se tornem a verdadeira esperança de futuro já não seria um bom começo de despertar sua consciência cidadã?
                        As classes mais favorecidas proveem a seus filhos maiores facilidades de sociabilidade, que é uma manifestação política, nas suas aulas extracurriculares, academias e muitas outras atividades. Ainda que toda essa iniciativa se destine a melhorar a competitividade, quer acadêmica ou profissional, oriente exclusivamente à busca do sucesso financeiro, já é um passo à formação política.

                         Entretanto são as classes menos favorecidas, justamente as mais necessitadas desse tipo de “inclusão social” pela Educação, as que menos dispõe de ferramentas de socialização e integração e nenhum suporte quanto à educação política, tornando-se a garantia da manutenção de uma “classe sem opinião”, apenas movida pelo instinto da sobrevivência social nas periferias e que respalda o malfadado Presidencialismo de Resultados através do assistencialismo.

                    É nos versos da canção abaixo, que sofismo um futuro, que aparentemente é o único que importa e preocupa, sem nos darmos conta que é justamente pela diminuição dos níveis de desigualdade que essa competição ferrenha provoca. Quanto maior for a disputa pelo dinheiro, maior será a competição na sua busca, pois ele se torna o maior símbolo do sucesso de uma nação. Não pelo seu IDH, mas tão somente pelo seu PIB e Renda per capita.
Nenhuma sociedade é composta só de “ricos”, mas de “menos desiguais”.

And when you got money,

You got a lots of friends

Crowding round your door

When the money's gone
And all you're spending ends
They won't be 'round any more
No, no, no more

E quando você tem dinheiro,
Você tem um monte de amigos
Aglomerando-se em torno de sua porta
Quando o dinheiro se foi
E tudo o que você está gastando o que resta
Eles lá não estarao mais
Não, não, não mais


God bless the child – Blood, Sweat and Tears - 1969


Das Percepções & Pensamentos Partilhados

Antônio Figueiredo - Escritor Cronista -

São Paulo – SP.

Arquivos da Sala de Protheus.

Obs..:
Todas as obras publicadas na Sala de Protheus

São de inteira responsabilidade de seus autores.

O Editor!

domingo, 5 de junho de 2016

#PensarNaoDoi:

Meu Temperamento...!
“.... Uma obra de arte é um canto da criação
visto através de um temperamento...!”

Émile Zola

De fato, TEMPERAMENTO é um assunto atraente, pois fala diretamente para o nosso eu, pelo qual nos interessamos. E uma vez mais, ouso abordar o tema, mesmo não sendo profissional da área, considerando que o mesmo seja fundamental para o nosso dia a dia, além de fazermo-nos conhecidos por nós mesmos. Sendo assim, podemos entender nossas Facilidade e Dificuldades.
Minha ousadia é oriunda de leituras, estudos, palestras, seminários sobre o tema ao longo dos anos e que muito me interessa. Acredito que se todos tivessem em seu alcance tal conhecimento, seríamos seres sociais mais moderados, transformados e controlados. É uma pena que nem sempre temos tempo e conhecimento para ler e entender como nossos temperamentos influenciam em nossas vidas. Imaginemos então caso nossos governantes de todas as instâncias atinassem para se conhecerem... Ah, muita coisa não estaria acontecendo.
Hipócrates, filósofo grego, foi o primeiro a formular uma teoria do temperamento, baseando-se na teoria dos quatro elementos de Empédocles. Segundo ele há quatro tipos de temperamento, conforme domine no corpo do indivíduo um dos quatro fluidos corporais (humores): sanguíneo (sangue), fleumático (linfa ou fleuma), colérico (bílis) e melancólico (astrabílis ou bílis negra). 
Cada um deles possui uma determinada característica: O senhor Colérico é ambicioso e dominador tem propensão a reações abruptas e explosivas. O Fleumático é sonhador, pacífico e dócil, preso aos hábitos e distante das paixões. O senhor Sanguíneo é expansivo, otimista, mas irritável e impulsivo. Por sua vez, o Melancólico é nervoso e excitável, tendendo ao pessimismo, ao rancor e à solidão.
Essa teoria entrou na idade média através de Galeno e influenciou todo o pensamento ocidental. Hoje totalmente comprovada por estudiosos da área (e adotada por profissionais da área), sabe-se que o ser humano tornou-se muito complexo, tendo dificuldades de entender o porquê, reagindo às vezes de modo indesejado e também o porquê em vários casos, de ter a dificuldade de entender os outros.
Compreendendo a si mesmo o homem poderá compreender melhor os outros. E isto facilitará mais um relacionamento. E o meio de compreender a si próprio passa pelo conhecimento do Temperamento que cada um possui. 
Sempre que estudamos sobre Temperamento devemos ter alguns cuidados que nos ajudarão num entendimento claro e num julgamento correto do assunto. Exemplifiquemos: Não tentar discernir o Temperamento dos outros “sem conhecer o seu”. Não esconder no Temperamento que possui falhas que podem ser reparadas. Não considerar um Temperamento mal e outro bom. Não entristecer-se com o Temperamento que possui e desejar ter nascido com outro Temperamento.
Uma mudança muito importante no estudo de Temperamento é trocar sua linguagem a respeito da definição de jeito de ser. Ao denominar o jeito de ser (que sofre influência do Temperamento) não se deve dizer que se possui um gênio. Alguém diz: "aquela pessoa possui um gênio bom... ou um gênio ruim, ou ainda, um gênio difícil". Neste estudo “Gênio” é sinônimo de espírito, de demônio, não de Temperamento. Portanto, possuímos Temperamento e não um Gênio.
Observemos que nascemos com um Temperamento e que nenhum ser humano é igual ao outro. Em se tratando deste aspecto, pois, para nos conhecer, ainda consideramos o habitat, a família, a educação, a criação em si. Nenhum Temperamento é mal ou bom em si mesmo e tem aspecto científico. Todos os Temperamentos foram criados por Deus e possuem Fraquezas e Virtudes. Sendo que as Fraquezas do Temperamento podem ser vencidas e as Virtudes podem ser lapidadas e melhoradas. Em todas as pessoas há mais que um Temperamento, e um que predomina sobre os outros e o mundo (más companhias) pode influenciar e trabalhar por meio das Fraquezas do Temperamento do homem.
Podemos ser mais felizes quando compreendemos nosso Temperamento. Honroso é despertar-se para uma entrega verdadeira do seu Temperamento, descobrindo-o para uma verdadeira lapidação. Isto o homem se torna dotado de certa sabedoria.
Definindo então, Temperamento é a combinação de características congênitas que subconscientemente afetam o procedimento do indivíduo. Isto envolve Gens recebidos de nossos avós e pais e uma imprevisibilidade. Em palavras diferentes, Temperamento é a natureza do homem, que é formada por fatores hereditários e que se encontram profundamente enraizados na pessoa. Há uma grande diferenciação entre Caráter, Personalidade e Temperamento. 
O Caráter é o verdadeiro eu. A "essência secreta do coração". É o resultado do Temperamento natural burilado pela disciplina e educação recebidas na infância, pelos comportamentos básicos, crenças, princípios e motivações.
A Personalidade é o sentimento externo de nós mesmos, que pode ser ou não igual ao nosso caráter, dependendo de quão autêntico sejamos.
Enfim, “o Temperamento é o que nascemos com ele, o Caráter é o nosso Temperamento trabalhado pela formação, e a Personalidade é a parte externa de nós mesmos”.
Lembremos ainda, que o grau de um temperamento é variável de indivíduo para indivíduo. Por exemplo: Alguém pode ser 40% sanguíneo e 60% melancólico. Ou alguém pode ser 40% sanguíneo, 20% colérico, 25% melancólico e 15% fleumático.
Abaixo segue um Resumo básico para clarear nosso entendimento, pois o espaço e nosso tempo são curtos demais para abranger cada um deles separadamente. Portanto, com toda sinceridade, marque todas as Virtudes e Dificuldades que se parecem com você. O que mais despontar pontos de Dificuldades e Facilidades, este então é o seu Temperamento principal. Depois o segundo, o terceiro... Por isto, é necessária muita sinceridade. Bom proveito!
Os Quatro Temperamentos:
COLÉRICO

Dificuldades e Facilidades:
Iracundo Enérgico; Sarcástico Resoluto; Impaciente Independente; Prepotente Otimista; Intolerante Prático; Vaidoso Eficiente; Autossuficiente Decidido; Astucioso. 
FLEUMÁTICO
Dificuldadese Facilidades:
Calculista Calmo; Temeroso Tranquilo; Indeciso Cumpridor; Contemplativo Eficiente; Desconfiado Prático; Pretensioso Líder; Introvertido Diplomata; Desmotivado Bem humorado;
MELANCÓLICO
Dificuldades e Facilidades:
Egoísta Habilidoso; Amuado Minucioso; Pessimista Sensível; Teórico Perfeccionista; Confuso Esteta
Crítico Idealista; Vingativo Leal; Inflexível Dedicado; Antissocial 
SANGUÍNEO

Dificuldades e Facilidades:
Volúvel Comunicativo; Indisciplinado Destacado; Impulso Entusiasta; Inseguro Simpático; Egocêntrico Bom companheiro; Barulhento Compreensivo; Exagerado Crédulo; Medroso
Pode pensar em qual você está inserido.
Bons pensamentos.



Entendimentos & Compreensões
De Marilene Marques, mineira, contabilista aposentada, 
nascida na Vila de Assaraí, Município de Pocrane, 
Trabalhando com voluntariado social 
a Leste de Minas na Região do Vale do aço
Fontes Utilizadas:
LaHaye, Beverly; LaHaye, Tim. Soares, Antônio Roberto, Consultor do Comportamento Humano. QUEM AMA NAO ADOECE, SILVA, MARCO AURELIO DIAS DA BEST SELLER Assunto: Desenvolvimento Pessoal. Inteligência Emocional, Goleman, Daniel. Isac de Souza, outros.



Obs..:
Todas as obras publicadas na Sala de Protheus
São de inteira responsabilidade de seus autores.
O Editor!