quarta-feira, 8 de junho de 2016



Presidencialismo de Resultados!

“...Nem existe na prateleira uma alternativa que
funcione melhor num quadro de elevada fragmentação 

partidária. No final das contas, devemos, sim, desejar e

incentivar a formação de novas maiorias para que se
façam os aperfeiçoamentos necessários ao sistema. 
Antes que a voz das ruas e as forças da sociedade 
encontrem caminhos menos pacíficos para isso..! ”.

Murillo de Aragão – Crise do Presidencialismo de Coalizão

Estadão 24/02/2015 


                        Você deve estar estranhando a correlação do título desta crônica com a frase logo abaixo. O primeiro fala em “resultados” e a outra em “coalizão”. Pois bem, em um passado bem recente na década de 80 última instituiu-se o “Sindicalismo de Resultados” na política sindical simultaneamente à criação do Presidencialismo de Coalizão na política nacional. 
                    São muitas e escabrosas as histórias que se têm sobre ambas as práticas, onde a “negociação” deu lugar às “negociatas” e a razão disso é que as “figuras dominantes” em ambos os campos são as mesmas nestes últimos 30 anos. Falta-lhes representatividade e renovação democrática, além de que ambas se misturaram. Tanto a política que se deixou contaminar pelo sindicalismo, como o sindicalismo que se tornou uma forma de fazer política. Nem nos tempos do trabalhismo varguista esta simbiose foi tão forte.

                      Foi através da politização nos sindicatos, que o PT se tornou uma força política poderosa e foi através da sindicalização da política, que dominou o Poder nos últimos 14 anos, mas nem por isso significou a chegada do proletariado ao poder, mas tão somente das forças corporativistas sindicais.


                  Sempre foi o “corporativismo político”, que dominou a política brasileira. Nos tempos finais do II Império e na Primeira República eram os senhores de terras, donos de escravos e depois os barões do café com seus “escravos imigrantes”, que dominaram a política até o Estado Novo. Depois disso os capitães da indústria, os Centrões, as bancadas da Bala, da Bola, das Igrejas e outras que tais, que compuseram as maiorias e não os partidos políticos.
                  Desde que me conheço como cidadão ouço falar da necessidade de se fazer uma Reforma Política, quando na realidade a necessidade é politizar o cidadão e por politizar o cidadão penso que seja fazê-lo consciente de seus direitos e deveres como prescrito na Constituição Federal. Dentre esses direitos o de representar e se fazer representado.

                         Afinal a política é feita pela e em prol da cidadania, sem o que o Estado não faz sentido, mas infelizmente por aqui o “alfaiate” é o próprio político, que veste a política segundo seu modelo e gosto e impõe essa “camisa de força” como o “traje da moda” para toda a sociedade.

                       Na minha longínqua infância era praxe os adultos nos vestirem de calças curtas e suspensórios, pois este era o “traje infantil”. Creio que o mesmo se deve fazer na política. Vestir as crianças desde a mais tenra idade de “calças curtas e suspensórios” de cidadania através do ensinamento político. Fala-se tanto dos Direitos da Infância e da Juventude. Não seria o caso de se incluir essa educação dentre eles?

                           Será que se educássemos nossas crianças desde muito cedo sobre seus direitos e deveres escolares e o quanto a sociedade investe para que se tornem a verdadeira esperança de futuro já não seria um bom começo de despertar sua consciência cidadã?
                        As classes mais favorecidas proveem a seus filhos maiores facilidades de sociabilidade, que é uma manifestação política, nas suas aulas extracurriculares, academias e muitas outras atividades. Ainda que toda essa iniciativa se destine a melhorar a competitividade, quer acadêmica ou profissional, oriente exclusivamente à busca do sucesso financeiro, já é um passo à formação política.

                         Entretanto são as classes menos favorecidas, justamente as mais necessitadas desse tipo de “inclusão social” pela Educação, as que menos dispõe de ferramentas de socialização e integração e nenhum suporte quanto à educação política, tornando-se a garantia da manutenção de uma “classe sem opinião”, apenas movida pelo instinto da sobrevivência social nas periferias e que respalda o malfadado Presidencialismo de Resultados através do assistencialismo.

                    É nos versos da canção abaixo, que sofismo um futuro, que aparentemente é o único que importa e preocupa, sem nos darmos conta que é justamente pela diminuição dos níveis de desigualdade que essa competição ferrenha provoca. Quanto maior for a disputa pelo dinheiro, maior será a competição na sua busca, pois ele se torna o maior símbolo do sucesso de uma nação. Não pelo seu IDH, mas tão somente pelo seu PIB e Renda per capita.
Nenhuma sociedade é composta só de “ricos”, mas de “menos desiguais”.

And when you got money,

You got a lots of friends

Crowding round your door

When the money's gone
And all you're spending ends
They won't be 'round any more
No, no, no more

E quando você tem dinheiro,
Você tem um monte de amigos
Aglomerando-se em torno de sua porta
Quando o dinheiro se foi
E tudo o que você está gastando o que resta
Eles lá não estarao mais
Não, não, não mais


God bless the child – Blood, Sweat and Tears - 1969


Das Percepções & Pensamentos Partilhados

Antônio Figueiredo - Escritor Cronista -

São Paulo – SP.

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