quinta-feira, 16 de junho de 2016

#PensarNaoDoi:

“Qual é o Sonho do Brasilês? ”

“A vida é composta como uma partitura musical. O ser humano, guiado pelo sentido da beleza, escolhe um tema que fará parte da partitura da sua vida. Voltará ao tema, repetindo-o, modificando-o, desenvolvendo-o, transpondo-o, como faz um compositor com os temas de uma sonata...!”

Rubem Alves

                                      Se você quiser saber a verdade de uma pessoa descubra o sonho dela e depois trabalhe de trás para frente.
Todo nós perseguimos alguma coisa:
Mais dinheiro.... Mais amor.... Mais poder.... Mais paz... 
Ou talvez, apenas talvez, uma segunda chance.
Mas o que realmente queremos, no fundo, é mais vida.
Sim.... Mais um pouco desta bela vida.
Mas você precisa tomar cuidado, pois pode ser que queira ainda mais...
E no final acabe com menos.
Faz parte do primitivo que o homem ainda carrega.
O escritor Robert Tammen, chamava a isso de “ O olhar da ignorância!”.

                                    Talvez não seja a isso que o Brasilês, ainda hoje, mesmo depois de duas décadas ainda esteja atrelado como povo.
Sim. A impressão de ser um povo é quase uma “utopia”. Ou seja: um lugar ou estado ideal, de completa felicidade e harmonia entre os indivíduos.
                                   Na forma oficial como estado, o povo existe pois está dentro das delimitações de um território internacional. Ao menos para o mundo nós somos um povo.
O Brasilês acha que tem tudo ao seu controle.
Um detalhe: Isto não existe. É uma mera configuração mental estabelecida como coadjuvante no cenário da autoestruturação do indivíduo. Nada mais!
                                   No meio desta baderna politiqueira – sim exclusivo de partidos – em que se tornaram personagens os três poderes da República, fica a pergunta:
O Brasilês tem sonhos?
A pergunta é feita em termos de ideais, de estado, de futuro para seus filhos.
                            Pois os sonhos de futebol, qual Escola de Samba vai ganhar na Avenida... Estes já são automáticos na cabeça pouco pensante dos nativos deste grande país continental chamado Brasil.
                           Na área política aquele que “falar um pouquinho melhor” ou “roubar um pouquinho menos” se torna, à olhos vistos, imediatamente, um novo herói.
O Juiz Federal Sérgio Moro, já foi até “lançado a presidente”.
                                   O juiz em questão, comandante da Operação da Policia Federal Lava-Jato entre outros é um competentíssimo profissional de uma verdadeira justiça que não conhecíamos. Apenas isso.
                                   Este é o normal que funcionários públicos em nível, como o do Prof. Dr. Sergio Moro, executem, trabalhem como integrantes da esfera pública federa. Nada mais.
                                         Este trabalho meritoso deveria ser o normal em todas as esferas onde houvesse um funcionário público. Mas para nós é tanta novidade que já o consagramos heróis.
                                   Na ópera/peça teatral Galileu Galilei do teatrólogo, poeta, cinegrafista, articulista, ativista, alemão Brecht que narra a confirmação astrofísica do sábio Galileu de que a Terra não é o centro do universo, teoria defendida pela Igreja Católica para poder melhor oprimir o povo, mas sim o Sol, há uma cena em que Galileu é obrigado pelo Tribunal da Santa Inquisição a negar a verdade que descobrira, caso contrário seria executado na fogueira da dogmática-cristã-Paulínia.

                                    Galileu entre a angústia da execução e a defesa da verdade, conversa com seu secretário Andreas. Andreas, no entusiasmo de sua juventude, quer que o sábio Galileu não ceda aos inquisidores, mas Galileu, mais sereno e racional, sabe que morrendo ou não morrendo, a verdade da Teoria Heliocêntrica, o sol o centro do universo, jamais poderá ser negada. A História se encarregou de oferecer a Galileu sua verdade-social. Apesar de toda brutalidade da Igreja contra os que pensavam contrário a dogmático, como ocorreu com Giordano Bruno.
                           Andreas entende que a morte de Galileu o fará um herói, o que seria a grande homenagem para um homem como o sábio. E ainda mais, a morte de Galileu poderia levar o povo à rebelião. Percebendo que Galileu não cede aos seus argumentos, Andreas, brada:
– Pobre do povo que não tem herói!
Ao que Galileu, sabiamente, rebate:
– Não, Andreas! Pobre do povo que precisa de herói.
                              Creio que o que o Brasilês mais precisa não é de sonho, de ideologias, de valores.... Não! Apenas de um herói para colocar em um pedestal... Adorá-lo... Igual faziam os povos da antiguidade.

Talvez, mas apenas talvez, o Brasilês não sonhe... Diante de tanta passividade que ele confunde com pacificidade.
O que seria muito triste.
Mas guarde muito bem esta frase:
- As perguntas mais importantes são as que decidimos não fazer...
E se seus filhos fizerem.... Daqui alguns anos?
O que você, Brasilês de hoje dirá?
Pense... Ainda não dói!
Depois, quem sabe, você tenha transferido toda esta “dor” para seus filhos e netos...


Entendimentos & Compreensões
Leituras & Pensamentos da Madrugada
Fontes citadas.
Obra de Robert Tammen – Aventuras do Homem.
Galileu Galilei de Bertold Brecht 
Publicado originalmente no Grupo Kasal –
Konvênios – Vitória – ES
http://konvenios.com.br/info/verArtigo.aspx?a-id=27846
Arquivos da Sala de Protheus
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