domingo, 12 de junho de 2016

#SerieSentimentos:

Almas Que Amam Não Humilham!

“...Ó tu que vens de longe, 
ó tu que vens cansada,entra, 
e sob este teto encontrarás carinho: 
Eu nunca fui amado, 
e vivo tão sozinho.
Vives sozinha sempre e 
nunca foste amada...!”

Alceu Wamosy

                                 Você não é obrigado a ser nada para ninguém, nem mesmo para si mesmo. 
Surpreso? Eu sabia que você estaria!
A única coisa que o Universo lhe pede, é para amar.
Depois que aceitar isso, será fácil descobrir quem você escolhe ser!
Mas porque estou dizendo tudo isso?
Simples. Vamos por partes:
                   Humilhar é um verbo transitivo que significa tratar desdenhosamente, com soberba; rebaixar, vexar. Submeter, oprimir.
Não tem nada a ver com o que a educação religiosa apregoou, durante seu tempo de escola. Muito pelo contrário. Aquilo é humildade e não humilhação.
                          Mas humildade que você aprendeu também tem um sentido um pouco diferente de seu significado original e puro.
                          A humildade tem sua origem no grego antigo, e sua fonte foge um pouco do conceito que temos do termo. A palavra que originou “humildade” foi a grega HUMUS, que significa “terra”. Este mesmo vocábulo da antiga Grécia também deu origem as palavras “homem” e “humanidade”. Significando primeiramente “terra fértil” e “criatura nascida da terra”, se desenvolveu até ter o significado que conhecemos hoje. “Humilde“, obviamente tem a mesma origem em HUMUS, e vem do grego HUMILIS, que significava literalmente “aquele/aquilo que fica no chão”.

                            Já a conceituação subjetiva foi-nos ensinada que devemos ser humildes com todos. Como se dissessem: Fique em termos de igualdade na simplicidade. Com as pessoas e com os fatos a elas atribuídas.
A partir daí ser humilde quando se ama, é praticamente ser humilhado. Eis a ligação ente ambos.
                                Quando utilizo o poeta gaúcho que poucos conhecem Alceu Wamosy, é exatamente por ele ter em suas obras uma poesia que começa como em epígrafe (no começo antes que alguém pergunte) reflete esta parte das almas sozinhas que buscam a sua parceira em equivalência, em nível espiritual.
                             Quando digo que poucos conhecem é que, geralmente, ao nos referirmos a poetas gaúchos, o primeiro que vem à mente é nosso amado poetinha Mário Quintana.
                      Alceu viveu no século dezoito até os anos de 1923 em Uruguaiana, cidade fronteiriça com o Uruguai, no Rio Grande do sul. E foi um escritor e poeta em nível internacional. Os espanhóis e português o adoravam. Muito mais do que nós que poucos conhecem.
Sempre que ele se referia, em suas obras, sobre o amor, tratava do assunto como se envolvessem “almas no céu”.

                          Para o poeta amar significava estar no céu, nas alturas, coração em enlevo, mente perdida em pensamentos que jamais pensariam em humilhar a parte amada. E sim submeter-se a uma humildade divina.
Deixou dito o poeta no mesmo poema:

“...A neve anda a branquear lividamente a estrada,
e a minha alcova tem a tepidez de um ninho.
Entra, ao menos até que as curvas do caminho
se banhem no esplendor nascente da alvorada...!”

Não era um poeta dos conhecidos impressionistas por sua poesia.
                    Este gaúcho nasceu em Uruguaiana, em fevereiro de 1895, e faleceu em outra cidade fronteiriça, Livramento em 1923. Publicou seu primeiro livro de poesias Flâmulas em 1913 quando trabalhava como colaborador do jornal A cidade, fundado por seu pai, em Alegrete, outra cidade fronteiriça do RS.
                   Fez várias obras, mas nenhuma delas fez tanto sucesso como Duas Almas, poesia que utilizo aqui.
Em uma de suas obras explica-se esta sua paixão derradeira e quem seria sua musa inspiradora.
                     Alceu simplesmente dizia que amar era estar no céu. Não entendia como um ser que ama pode humilhar o outro ser que humildemente lhe recebe tanto amor.

Eis o jogo, utilizado aqui, das duas palavras e seus sentidos com significados que são muito significantes para os amantes.
Alceu, nesta obra, Duas Almas, diz mais:

“...E amanhã quando a luz do sol dourar radiosa
essa estrada sem fim, deserta, horrenda e nua,
podes partir de novo, ó nômade formosa...!”

                Este “afastar-se” do amor, tal qual “estrada sem fim e deserta”, remete o poeta ao seu derradeiro sofrimento do abandono. Eis o que ele considera humilhação para um coração humilde e apaixonado.
Será que temos tal entendimento hoje entre dois seres?
Deixo-lhe a resposta para que busque em seu coração.
Nesta poesia, Duas almas, Alceu encerra-a assim:

“...Já não serei tão só, 
nem irás tão sozinha:
Há de ficar comigo uma saudade tua...
Hás de levar contigo uma saudade minha...!”

Assim como todos os amores que se vão.... Nunca vão sozinhos...
Levam com eles um pouco de saudades do que tiveram, mas também deixam partes de si, ou de suas almas, como gostava de dizer o poeta, ligado a parte que ficou.
Por isso amar não é humilhar o humilde. E sim utilizar o coração lotado de humildade para ofertar o que lhes é doado.
Não seja só.... Nem ande sozinho...
Ame mais...
Pensar não dói.... Já amar deverá doer sim!




Entendimentos & Compreensões
Leituras & Pensamentos da Madrugada
Fonte:
Alceu Wamosy – Poeta Gaúcho
Uruguaiana – RS.
Poesias Completas – 1925. Ed. Globo
Publicado Originalmente no Grupo Kasal/konvenios 
Vitória – ES.
http://konvenios.com.br/info/verArtigo.aspx?a-id=27834#.V13VCvkrK00
Arquivos da Sala de Protheus
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