segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

" O Reencontro de um Ser!"




“... Surpreende-me, sempre e cada vez mais,
o que as pessoas fazem com as pessoas....!”.
by Protheus

Um homem comete uma violência contra uma mulher. Violência. Não importa o tipo.
O suficiente para que esta mulher perca o seu tesouro mais sagrado, profundo e importante para o ser humano: Sua Dignidade.
O dito, ´homem´, esta mais para uma criatura abominável,  macho primitivo, ofensivo até aos animais que respeitam, acima de tudo as fêmeas de sua espécie.
Mas parece que isso é, um pouco natural, neste país em que os valores continuam, cada vez mais distorcidos. Esta criatura abominável faz o que faz e fica por isso, por mais esforços culturais que poucos tentam fazer. È ofensivo para nós homens. É cruel.
Mas ele ainda enfrentará o pior dos algozes, um dia, sua própria consciência. Por isso não valorizaremos seu ato mais abominável ainda, falando dele.
Isaak Dinesem diria sobre isso que: (...) Todos os sofrimentos podem ser suportados se os convertermos numa história ou se contarmos uma história sobre eles (...).
 O que nos interessa é o ser sensível chamado mulher.
O que resta para esta mulher? Sem dignidade? O fundo de um poço horrendo, chamado o infinito indescritível de o seu próprio ser. Muitas não conseguem superar isso. E as consequências são as mais horríveis possíveis de se imaginar com um ser humano. Outras seguem conselhos de amigos ou familiares e procuram ajuda. Muitas desistem facilmente.
Mas o que se traz hoje é diferente. Em parte.
Uma mulher que passou todo este inimaginável sofrimento, esta horripilante experiência, esta descida a um poço profundo de seu próprio ser, este sentimento de ausência de dignidade, resolveu seguir os conselhos e procurou uma profissional. Sim, foi buscar ajuda em uma psicóloga especialista no trato de questões, como essa: A violência contra a mulher. Penso que foi mais por sugestão do que por acreditar em um resultado. Mas foi. E o principal: Encontrou. Sim encontrou uma profissional que lhe desse o tratamento adequado ao seu sofrimento. Ao seu martírio.
Esta psicóloga esta profissional do comportamento humano, este ser que somente pode ser definido com extremada humanidade, de compaixão infinita e de uma sensibilidade profunda, além de sua percepção profissional quase iluminada.
Se existe este tipo de profissional quando precisarmos? Sim. Existe.
Após um curto período de terapia, de ouvir completamente esta mulher, de sentir o seu problema como se fosse seu, a ajudou além do que se espera de uma simples consulta terapêutica.
Quando a mulher se julgou pronta, a profissional a acompanhou a uma delegacia especializada à violência contra a mulher.
Como se fosse uma mãe, com a menina pela mão, levando-a, com coragem, com determinação para que enfrente com altivez estas criaturas abomináveis.
E lá foram as duas. A mulher e sua psicóloga.
Efetuaram o registro em um boletim de ocorrências com detalhes para que os profissionais, desta área, procedam a investigação e sigam a lei.Ponto.
Agora é com os policiais. Portanto a criatura abominável que busque a sua defesa, se é que ela existe neste mundo.
Mas o que interessa, agora, é o comportamento, fantasticamente, exemplar e louvável da profissional de psicologia. O que interessa agora é sentir que esta mulher recuperou ao menos parte de seu tesouro mais autêntico, sua parte mais profunda do Ser – sua dignidade.
Você consegue ao menos imaginar como esta mulher esta se sentindo?
Você consegue sentir alguém ao recuperar sua própria dignidade?
Sim, é difícil. Por isso chamo a atenção para ambos os seres.
Primeiro: a mulher e sua grandeza, quase natural, mas que seguiu seus instintos e foi buscar ajuda e não se sentiu envergonhada, menor, diferente. Ao contrário enfrentou o que precisava para voltar a se sentir um ser digno.
Esta é uma grande mulher.
Segundo, outra grande mulher, desta vez a profissional. Que foi além de ouvir e soltar alguns conselhos técnicos de sua área, dentro da psicologia.
Foi além ao ter empatia profunda, ao entender a gravidade da situação enfrentada por outro ser.
Foi além ao acompanhar sua cliente, eu diria quase uma amiga, mantendo a distancia entre profissional e paciente, e não deixá-la sozinha, quase como que comprovando que tudo o que ouviu e disse a sua cliente/paciente, ela estaria junto para comprovar.
Há um leigo examinando toda esta questão? Sim. Porem há, também, um ser dotado de humanidade profunda.
Houve transferência ou contra transferência, utilizando o jargão profissional da área?
Pesquisei a fundo esta questão e lhes garanto, não houve.
Pense agora como saiu esta mulher, com a cumplicidade da profissional, que ela buscou, ao sair de uma delegacia, como se tivesse dado fim a um sofrimento indescritível, apenas por que esta psicóloga acreditou nela.
Por isso busco Maquiavelli para auxiliar nesta questão: (...) A maneira mais fácil de crescer é se cercar de pessoas mais inteligentes que você (...).
Pensou?
Quanto mais estamos enfrentando um problema mais necessitamos que alguém nos entenda, nos ouça, nos compreenda. Não importa se esta mulher pagou as consultas à profissional. Isso não é mais importante. Tudo porque esta profissional foi além do que diz as regras de sua profissão, e não afetou nenhuma delas.
Muito pelo contrário, criou nova, no atendimento profissional/paciente, não só mostrando os resultados que este paciente poderia atingir, como acompanhando para comprovação de ambos.
Por isso pode-se afirmar, ainda vale a pena confiar no ser humano. Que bom que existem profissionais como esta psicóloga.
Dá pra quase sentir a alegria e transformação desta mulher recuperando sua dignidade e, por que não dizer, sua própria vida.
Acredite, o ser humano vale a pena, mesmo em meio a criaturas primitivas e horrendas.
A mais profunda admiração por este profissional. É muito iluminada.


P.S,: Mantive a discrição de nomes, em respeito à profissional e a este ser humano que recuperou a dignidade. O que importa é a mensagem transmitida disso.

Publicado no Paraná
Entendimentos & Compreensões.