terça-feira, 22 de janeiro de 2013

" O Quartinho dos Fundos!"

"O Quartinho dos Fundos!"
“Atualmente encontramos pessoas que
 se comportam como autômatos, que 
não conhecem ou compreendem a si 
mesmas, e a única pessoa que conhecem 
é a pessoa que se espera que ela seja cujo palavreado, sem sentido, substitui a 
palavra que comunica cujo sorriso artificial 
substitui o sorriso original e cujo sentimento 
de monótono desespero tomou o lugar 
da verdadeira dor.”

Erich Fromm

Toda casa que se preze, tem o seu “quartinho dos fundos”, ou o sótão, ou um porão. 
É lá que empilhamos tudo o que julgamos não precisar. Aquela velha caixa que “um dia”, podemos precisar um pequeno eletrodoméstico duplo ou que não funciona mais e que acabamos por pegar um determinado “amor”, e ficamos penosos de nos desfazer.
A bicicleta, que não é velha, mas que ninguém mais anda. O aspirador que não é mais usado. E todos dizem: “que pena jogar fora”! Um dia poderemos precisar? Não é mesmo? E assim vamos entulhando, neste pequeno local, tudo o que não nos interessa mais, mas mesmo assim queremos preservar. Não sabemos para que! Mas guardamos.
Lá se vão, depois, os velhos álbuns de fotografias. Os velhos livros que não lemos mais. E a lista é tão intensa quanto os entulhos, que somente não colocamos mais pela absoluta falta de espaço.
“E sempre dizemos a mesma coisa:”... Neste final de semana não assumirei nenhum compromisso, vou limpar meu “quartinho dos fundos”! Do final de semana que se torna conturbado, com tantos afazeres e agenda social, deixamos para o primeiro dia de folga que conseguirmos tirar, ou para aquele feriado que ainda vai vir.
E o quartinho?
Permanece intocado, com todo o seu entulho, poeira, emoldurado por lindas teias de aranha. 
O ser humano é exatamente assim. Coloca entulhos em seu “quartinho dos fundos”, localizado em algum canto de seu inconsciente.
Lá vão todos os casos fortuitos, ou nem tanto, resolvidos ou não resolvidos no passar dos dias. Geralmente as mágoas têm lugar certo. Os ressentimentos são colocados no canto esquerdo. Já no canto mais a direita, logo acima das mágoas, fica o lugar para as culpas. A raiva, na maioria dos “quartinhos”, tem o maior lugar, é como se fosse uma velha “motocicleta” que não tem mais peças.
Nas prateleiras de cima vem ainda: as carências, um amor não resolvido, ainda! Uffa! Ouvimos assim: “mas eu vou resolver”, só preciso de um tempinho para mim! Calma! E o resultado? Mais um entulho para o quartinho dos fundos. Stephen Covey, quando analisa dos hábitos das pessoas, diz: “... torna-se, então, a partir de um desequilíbrio irremediável, a recitar falas do texto do equilíbrio, da vida, dos amores, mas na verdade seus mandamentos são escritos nas frágeis tábuas carnais de seus rancores.”. 
Na verdade uma ação dos famosos cinco esses, poderia ajudar o Ser a vasculhar seu “quartinho”, e começar a fazer uma seleção do que realmente necessita ou quer guardar que ainda não está resolvido, e que gostaria, em um futuro próximo de resolver. Após ir para um descarte. Sim, descartar o que não presta o que não serve mais, o que somente polui a mente consciente, as ações diretivas que tanto precisamos no dia a dia. E este descarte necessita ir diretamente para a incineração, pois não existe reciclagem de tais “entulhos negativos” da consciência.
De outra forma, não necessitamos, necessariamente, de um “quartinho nos fundos”, que sirva apenas para entulharmos ações não realizadas, sonhos desfeitos, mágoas, muitas culpas, raivas e outros materiais não recicláveis, não utilizáveis, e com resultados nefastos para o ser.
A busca da comunicação com o próprio eu, tem sido incessante pelo individuo.
E isto faz tempo. Enriquez, em seu Ensaio de Psicanálise, afirma: “Toda comunicação é sempre parcial, principalmente conosco mesmos, e mesmo tendenciosa em razão dos mecanismos de repressão, clivagem, necessidades de autoproteção – na maioria das vezes falsa – e de transferências negativas, que podem estabelecer-se em relação a objetos ou ações desenvolvidas pelo sujeito (...) o que é possível, pela própria obrigatoriedade de se viver e trabalhar, antes dos outros, consigo mesmo, torna-se também, uma tentativa arriscada e retomada quotidianamente de uma comunicação que não choque, nem confronte os mecanismos de autossegurança, narcisismo e as necessidades de identidade do individuo, ou seja, que estabeleça um equilíbrio entre o reconhecimento desejado e o desejo de se fazer reconhecer de cada um...”. 
Desta forma, vamos, aos poucos, limpando nossos “quartinhos nos fundos”, e deixando que o ar puro passe pelas janelas abertas de nossa alma, e que possamos, com isso vivermos melhor. Primeiro conosco mesmo. O resto virá automaticamente. Afinal, Pensar Não Dói...

Obs.: O artigo foi baseado em comentários proferidos,
durante Curso de Comunicação,
 pela Executiva Leandra dos Santos – Toledo – PR.


Entendimentos & Compreensões
Leituras & Pensamentos da Madrugada
Arquivos da Sala de Protheus