sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

" A Lenda dos Porcos Assados!"


#Cidadania:

" A Lenda dos Porcos Assados!"

        “... Há quem passe pelo bosque e
só veja lenha para a fogueira..."
                      Léon Tolstoi – 1898 -


                          

                                  Para quem gosta das complexidades do complexo ser humano nada melhor do que a fábula dos Porcos Assados: Ela vale para qualquer situação, instituição – principalmente – e para os seres que já aprenderam que: Pensar não dói...!
Há muitos séculos atrás, quando os indivíduos não tinham preocupações mais sérias, sobre tudo ao seu redor - foi nesta época que se inventou a mesquinhez das frescuras públicas - após um dia que amanheceu bonito veio uma tempestade. Dela surgiram trovoes e raios, sendo que um deles iniciou um incêndio em uma das tantas florestas que existiam naquela época. Também nesta época, os criadores de porcos, criavam-nos livres sobre as matas e quantos mais passeavam, mais engordavam, principalmente aos olhos do dono.
Deixa estar que sob este temporal, e a floresta aturdida pelo temporal, e através de um destes raios, começou a queimar. E a queima, durou muitos dias, destruindo uma grande parte da floresta. E sob esta floresta, eis que padeceram assados, ou queimados vivos, muitos e muitos porcos. Seus proprietários, e demais habitantes, para não perder toda aquela carne, resolveram experimentá-la, visto que somente conheciam, as carnes cruas, ou estorricadas sob o sol e nada mais.
Eis que após o farto banquete carnívoro, apeteceu-lhes com a ideia, de que desta forma, a carne era muito mais saborosa, e decidiram: deste momento em diante não mais comeremos carne crua, ou salgada e estorricada sob o sol. Desta forma cada vez que queriam comer carne assada, incendiavam partes da floresta, e deliciavam-se com os novos petiscos por eles inventados, sob a bela ideia dos deuses. Para isto foram criados departamentos especiais como - Departamento de Incêndios na Floresta para Comerem Porcos Assados que atendia pela sigla DIFCPA - e muitos outros departamentos de onde se imagina surgiram as primeiras formas de organização pública para as sociedades primitivas, sendo que a maioria delas perdura, até os tempos atuais.
No meio de tudo isso, é claro, sempre surgem também novas ideias, afinal com todo este progresso que acabaram conseguindo, ou conquistando também é natural que surjam outros sábios indagadores, sobre novas formas e tentativas de progresso para o BEM COMUM, e a satisfação geral de uma sociedade. Nesta época, um jovem promissor, põe-se a pensar sobre estas novas fórmulas. E teve a brilhante ideia: se sobre o fogo, a carne, assava, ora então não era necessário, a cada vez que queria comer carne assada, incendiar uma floresta. Inteligentemente ocorreu-lhe que bastava pegar alguns galhos caídos da floresta, ou cortar pequenas árvores, transformá-las em lenha, pôr fogo, e tinha-se o necessário para um belo assado, sem maiores alardes e outros perigos que um incêndio representava. Achou sua própria ideia magnífica, e decidiu: iriam procurar o Departamento de Incêndios da Floresta... Para propor-lhes tal atitude, e quem sabe com isso ganhasse, até uma recompensa por sua sabedoria. Foi procurar o Administrador geral e contou-lhes sua brilhante ideia e o que era necessário para por em prática. Porém ficou aturdido com a resposta recebida do Administrador Geral, que foi mais ou menos assim:
- Quer Vós destruir tudo o que levamos séculos para idealizar em nome do nosso progresso, em nome do melhor para nossa sociedade? Propunha-vos que desmancheis, inutilizeis tudo o que foi criado para uma ideia tão simples? Respondei-me, o que farei Eu, com o Chefe do DIFCPA, o que farei Eu com todos os funcionários deste departamento, e todos aqueles que Dele dependem? Ora, caro amigo, saiba Vós que admiramos pessoas sábias que nos trazem belas ideias, mas isto é ridículo. Afinal não podemos simplesmente desmantelar todo um sistema organizacional, brilhantemente criado, para termos em seu lugar, apenas uma ou duas pessoas fazendo o mesmo serviço. Ide e continueis a pensar, quem sabe da próxima vez, encontreis uma ideia mais sábia para nos trazer. Passai bem amigo.
Portanto, após a breve história acima, É ÓBVIO, que é impossível atravessar uma multidão levando a chama da verdade sem queimar a barba de alguém.Também É ÓBVIO que enxergar o que temos diante de nossos narizes exige uma luta constante.
A história acima é também para pensar, iniciando a semana, e tentando enxergar quantos Departamentos de Incêndios em Florestas para Comermos Porcos Assados, existem por aí, em todo o lugar, em todo tipo de pseudas administrações.
Isto nos leva a lembrar de o que disse no século passado, o linguista Polonês Alfred Korzybski: “... existem duas maneiras de passar pela vida sem problemas: acreditar em tudo ou duvidar de tudo; de ambos os modos se evita pensar.".
E nós já descobrimos que Pensar não dói...






Entendimentos & Compreensões
Leituras & Pensamentos da Madrugada
Publicado originalmente no grupo Kasal - 

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Origem:
Esta síntese da fábula surgiu no Brasil na década de 70, de Gustavo Cirigliano quando a General Motors, comprou os direitos dos Motores Velko, que seriam movidos à água.
Alegoria ao sistema de petróleo e a indústria de automóvel mundial.
Primeira publicação em 1997

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