quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

" Inquietações!"




“... Se existe um caminho para o Melhor,
ele exige uma visão completa do Pior...!”

 dos pensamentos de  T.Hardy


Quando desejo perdoar o próximo o que significa?
Significa que desejo perdoar a mim mesmo.
Quando desejo ferir o próximo o que significa?
Significa que desejo ferir a mim mesmo.
Feche seus olhos. E pense no mundo como ele é visto do espaço.
Daquela distância ele é calmo. Silencioso. Pacífico. Único.
                                                   Devíamos tomar cuidado com o poderoso apego exclusivo a outra pessoa; ele não é como algumas pessoas pensam evidência da pureza do amor. Esse amor encapsulado, exclusivo – alimentando-se de si próprio, não dando nem se importando com os outros -, está destinado a desmoronar sobre si mesmo. O amor não é apenas uma centelha de paixão entre duas pessoas; há uma distancia infinita entre se apaixonar e permanecer apaixonado. Mais propriamente, o amor é um modo de ser, um “dar a”, não um “enamorar-se”, um modo de se relacionar como um todo, não um ato limitado a uma única pessoa. Freud afirmava: Ternura é um resultado de sublimação da energia.
                                                  É como a busca de significado. Essa busca é muito semelhante à busca de prazer, O significado resulta da atividade significativa: quando mais o procurarmos deliberadamente, menos provável será seu encontro. As perguntas racionais que alguém pode fazer a respeito do significado sempre excederão as respostas.
                                                        Um dos grandes paradoxos da vida é que a autoconsciência provoca angústia. A fusão elimina a angustia de modo radical – eliminando a autoconsciência. A pessoa que se apaixonou e ingressou em um bem aventurado estado de fusão não é autorreflexiva, pois o eu solitário questionador (e a concomitante angustia do isolamento) não se dissolve no nós. Assim, a pessoa se livra da angústia, mas perde a si mesma.
Alguns filósofos imaginam muito mais; que a arquitetura da mente humana torna cada um de nós responsável pela estrutura da realidade externa, pela própria forma do espaço e tempo. É aqui, na ideia da autoconstrução, que reside a angústia; somos seres que desejam estrutura, e ficamos amedrontados ante um conceito de liberdade que afirma que embaixo de nós não existe nada, apenas pura falta de fundamento.
Ainda assim, ”todas as coisas”, nas palavras de Spinoza, “lutam para persistir em sua própria existência”. No âmago de cada pessoa há um eterno conflito entre o desejo de continuar a existir e a consciência de algo inevitável, como a morte, principalmente, como resultado desta angústia.  
E isso pode nos levar a um pesadelo que é um sonho mal sucedido, um sonho que, por não “manejar” a angústia, falhou em seu papel de guardião do sono. Embora os pesadelos defiram no conteúdo manifesto, o processo subjacente de todos os pesadelos é o mesmo: a pura angústia da perda ou da morte escapou de seus guardiões e explodiu na consciência.
Perante qualquer situação, principalmente a de uma paixão, racionalmente, sabemos que o passo crucial é a aceitação da responsabilidade por nossa própria condição de vida. Na medida em que acreditamos que nossos problemas são causados por alguma força ou entidade fora de nós mesmos, não há avanço em uma resposta racional e consciente. Afinal de contas, se os problemas estão fora, por que acreditaremos que poderemos modificar? É o mundo externo (amigos, trabalho, companheiros, cônjuges) que devem modificar-se – ou trocados.
Claro que algumas pessoas têm desejos bloqueados, não sabem o que sentem nem o que querem. Sem opiniões, sem inclinações, elas se tornam parasitas dos desejos dos outros. Essas pessoas costumam serem cansativas e enfadonhas. Ou quem sabe nós somos assim?  Nietzsche afirmava: que em uma condição de angústia, ou de paixão incontrolável, era necessária uma abstinência higiênica; assim mantinham-se os sentimentos originais. A racionalidade era alimentada mesmo que inconscientemente resultasse algo. É o caso específico, como gosta de salientar meu mestre em Língua Portuguesa, professor Ironi Andrade: Eis aqui algo que com a consciência que comando, tenho certeza, mas com a inconsciência que me comanda, não tenho tanta certeza.
Por isso podemos pensar. Afinal, ainda, não dói!

Entendimentos & Compreensões
Publicado no Sul, Bahia e ES.
Crônica que originou o PPS Apego do sitio www.viverearte.com.br