domingo, 13 de janeiro de 2013

"As Crianças Querem Nossa Criança!"




“... Criança é esse ser infeliz que os pais põem para dormir quando ainda está cheio de animação e arrancam da cama quando ainda está estremunhado de sono...!”

dos pensamentos de Millôr Fernandes


Nosso amado e saudoso “poetinha” – assim gostava de ser chamado, não por ser um poeta qualquer, mas por ele saber ser pequeno na estatura – Mário Quintana, afirmava: “Quando guri, eu tinha de me calar, à mesa: só as pessoas grandes falavam. Agora, depois de adulto, tenho de ficar calado para as crianças falarem.
Esta semana li a página da Rioeduca.net, sobre a família e uma receita maravilhosa da Professora Maria Delfina que faz-nos retornar aos tempos de criança, ou ainda de deixar sair, lá do fundinho a nossa própria criança.
A professora desfila uma enorme receita do que fazer com as crianças nas férias. Sim Uma professora, em tempo de férias, como se estivesse dizendo aos pais: “Por favor, cuidem bem delas enquanto estivermos fora..!”. Às vezes parece, os papeis estão invertidos. Os conceitos não. Há uma diferença enorme entre valores e disciplina.
A escola e a educação são disciplinas; O que passamos as crianças, nesta ou em casa, são valores. E a professora deixa isso claríssimo
Mas porque parecemos tão impressionados com o gesto natural desta professora? Simples: Nunca se falou ou discutiu tanto sobre a parte mais nobre na formação de um ser humano: A educação. Nunca cobramos e fomos tão cobrados pelo que deixamos de ser ou fazer por nossas crianças e ver o que se transformaram mais tarde. Políticos fazendo estupidez, bizarrices e outros seres que “apanharam” uma oportunidade utilizam, usam as pessoas. E uma enorme multidão fazendo audiência ao maior Big Bobos, que já se apresentou na TV Brasileira. Porque eles apresentam isso? Porque tem audiência. Mas porque uma baboseira idiotizada daquelas tem toda esta audiência? Aqui entra a professora Maria Delfina.
No Ensino Fundamental. Na origem de onde aprendemos e como aprendemos.  E se aprendemos. É lá que começamos a subir a escadinha da educação. Junto vem a língua portuguesa. É lá que juntado letrinhas, formamos palavras, que se tornam frases; e que de períodos e parágrafos se tornam orações e um belo texto que nos remete a um contexto. E tudo isso precisa de discernimento. E poucos têm e outros tantos não sabem o que significa. Assim a criança precisa, antes de tudo, de ser criança. E em suas “férias” que eles tanto esperam é que começa nosso trabalho de pais. Fazendo tudo o que eles querem. E pais eles não querem Disneylândia, coisas impossíveis ou caras. Não. A grande maioria quer brincar com os pais que estiveram “longe” deles o ano inteiro. Querem mostrar para os pais o que aprenderam as novas brincadeiras. Mas querem, sobretudo, que os pais mostrem a eles como brincavam. Esta é a descoberta maravilhosa de ter uma criança dentro de um adulto.
Bem de uma forma ou outra ainda me impressiona e surpreende, muito, o que as pessoas fazem com as pessoas.
Que graça e emoção ler a receita da professora Maria Delfina. Ela lembra o pensamento do escritor italiano, criador da Divina Comédia. Dizia Ele: “Sai da mão de Deus que a contempla, antes de criá-la, como uma criança, que chora e ri sem verdadeiro motivo,  a alma ingênua que tudo ignora,  exceto quando, movida pelo desejo de retornar a Ele,  segue de bom grado o que a diverte.
Pais, nestas férias, sejam crianças para suas crianças.
O prêmio que receberão ficará guardado eternamente. Em ambos os corações. Pensem país... Não dói...!”.

Das Leituras & Pensamentos da Madrugada