quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Nem Só de Pão...
Palavras, palavras, palavras
Eu já não aguento mais
Palavras, palavras, palavras
Você só fala, promete e nada faz
Palavras, palavras, palavras
Desde quando sorrir é ser feliz?
Cantar nunca foi só de alegria
Com tempo ruim
Todo mundo também dá bom dia!

Gonzaguinha - PALAVRAS
 Nem só de pão vive o homem
Nem só com palavras se faz uma andança.
É da ação, que sai da palavra
Da palavra, que marcha e faz da luta
Uma luta que se transforma em “esperanças”.
...
Assim se escreve a História ...
O Autor
                                         Essa canção escrita por Gonzaguinha me retorna ao ano de 1973 e tem sido uma constante na minha memória por todos estes anos, principalmente os dizeres “cantar nunca foi só de alegria, com tempo ruim, todo mundo também dá bom dia”. Vira e mexe me flagro cantando esse refrão.
                                        Para nós amantes da palavra por seu conteúdo de expressão machuca muito a forma como ela é usada nos dias de hoje e por uma única e exclusiva razão. O seu desenvolvimento deve ter tomado alguns milhares de anos até se consolidar, quer através da fala ou da escrita e todo esse esforço em torna-la uma forma pura de transmissão precisa de significados e conteúdos se perde, porque a “qualidade humana” se degrada dia após dia.
                              Sempre fui um falastrão desde menino, afinal o gosto por “brilho” é infantilmente humano e nada melhor do que desde pequeno ler muito para falar bem. Contudo, a “busca do brilho” faz a “estrela” exceder-se na demonstração e daí tornar-se “excessivo” nas “pedras brutas” das palavras.
                                        O que o tempo nos ensina é a riqueza e o poder da síntese, que tira o foco do escritor e o concentra na “riqueza da palavra” o que infelizmente perde-se diariamente. Hoje as palavras são gritadas e cuspidas sobre a multidão para incendiá-la, em vez de ditas pausada e vagarosamente para que os ouvidos a captem e o cérebro as absorvam.
                                        É a provocação através da emoção, que via de regra se faz despertando os demônios do fígado e não aos anjos da razão. É assim, que se faz política. É o mau superando o pior como meta de poder. Eu sou ruim, mas com “eles” pode ser muito pior, mas que ao final implica no ruim tornando-se péssimo, superando o “esperado pior”.
                                        Entretanto, “palavras unidas, jamais serão vencidas”, se ditas com as “verdades permitidas”, sim porque política também se faz com elas, mas jamais com mentiras ou verdades inteiras.
                              Muitos dizem que o Bolsa Família tem sido o maior eleitor dos últimos governos, o que não é verdade. Na realidade a maioria dos eleitores, a dita “classe esclarecida”, assim o permite, pois ainda não ouviu o “chamado” com as “palavras adequadas” para o processo de mudança. O grande mantenedor desses governos tem sido os que anulam seu voto e se abstém de pelo voto dizer uma palavra muito simples: BASTA !!!
                                    “Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra ...”, assim reza a “filosofia cristã”, pois o pão só alimentará o corpo, enquanto só a palavra alimenta o espírito e seus anseios, angústias, certezas e esperanças e é dessa “palavra”, que necessita todo o povo brasileiro para ajustar sua História nesta quadra tão crítica.
                                       Palavras e pregadores são irmãos siameses. Bons pregadores, boas palavras e seguidores. Maus pregadores, más palavras e maus seguidores. É assim que se divide hoje a Nação, entre os muitos que falam do “eu” e muito poucos que falam dos “nós”.
                                     Uma nação não se identifica pelos “eu” do personalismo egoísta e sim pelo “nós” da coletividade irmanada na busca de paz, justiça e igualdade.
 
"Libertas quae sera tamen"...

 
 
Exclusivo para a Sala de Protheus
Das Percepções e Histórias de Vida
De Antônio Figueiredo
Escritor e Cronista
São Paulo – SP -