quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015


Et Maintenant
Que Vais Je Faire...
Et maintenant que vais-je faire
Je vais en rire pour ne plus pleurer
Je vais brûler des nuits entières
Au matin je te haïrai
Et puis un soir dans mon miroir
Je verrai bien la fin du chemin
Pas une fleur et pas de pleurs
Au moment de l'adieu
Je n'ai vraiment plus rien à faire
Je n'ai vraiment plus rien...

 E agora o que farei...
 
Eu irei rir para não mais chorar
Eu irei arder nas noites inteiras
Mas na manhã eu irei te odiar
E então numa noite em meu espelho
Verei bem la no fim do caminho
Nenhuma flor e nenhum choro
Até o momento do adeus
Na verdade nada mais a fazer
Na verdade nada mais a fazer

Gilbert Becaud

                                                Sou um privilegiado contemporâneo do Maestro Gilbert Becaud e por tê-lo visto comandando, cantando e fazendo cantar, afinadamente toda a plateia na entrega de um Prêmio Moliérè, que não lembro o ano, Le importante c’est la rose. Porém, minha admiração começou muito antes desde o princípio da divulgação das suas músicas, das quais tinha todos os discos, alguns em 78 rotações, que começou com Et maintenant.
                                   O Monsieur 100.000 Volts, como era conhecido pela energia que passava em seus shows era também o cantor dos “amores desesperados”, talvez por uma forte influência de Edith Piaf, que foi sua grande incentivadora no início da carreira.
                                     Uma tônica em suas canções era o descompasso entre o início fulgurante e o final humilhante dos “amores humanos” feitos de miserabilidade entre a euforia e a depressão. Com certeza, sua juventude passada durante a II Guerra Mundial na qual participou da Resistência Francesa ainda adolescente, levaram-no muitas vezes ao sentimento de “nulidade da vida” pelas perdas próximas de amigos queridos.
                            É a eterna briga entre os “desejos” do coração e a “prudência” da razão humana. A sofreguidão necessária de uma paixão em queda livre e a razão perdida no vácuo de “quand l’amour est mort”. São sempre assim esses “amores desesperados”. Deles lembro-me de muitos e hoje me rio.
                              Uma coisa que eu sempre me disse nas “horas confusas”, é que “hoje tudo está muito enrolado, mas “amanhã” ainda vou rir muito disto tudo... Acalme-se, Toninho”. Talvez Gilbert tenha muito a ver com este meu estoicismo. Afinal, sempre é bom se ter uma filosofia na vida para não se pular dentro do poço. Inconsequente sim, suicida, jamais.
                               A toda e qualquer das grandes desventuras um “grande amor” resiste, mas jamais à sua “menor das mentiras”. O “grande amor” tem passos muito largos. Anda depressa demais e as “pernas curtas” não conseguem acompanha-los.
                               Bem, nesta altura do campeonato muitos dos habituais leitores devem estar se perguntando: o que “este Martha Suplicy de calças”, (aquela dos tempos de Sexóloga da Globo), vem teorizar sobre relações afetivas, nem sempre racionais e normalmente carregadas de desejo sexual, se habitualmente só vem aqui dar “pitacos políticos”?
                                  Explico-me. Nos anos 60 uma peça teatral de Vinicius de Morais e Carlos Lyra, que alguns vão se lembrar, já profetizavam o atual momento político brasileiro com sua Pobre menina rica. Assim como quando Noel Oliveira da Acadêmicos do Salgueiro compôs O neguinho e a senhorita.
                                  Como o “amor” nascido entre a intelectualidade de esquerda moradora de Zona Sul e Jardins, “guerrilheiros democráticos” e “trabalhadores metalúrgicos”, poderia se tornar uma “loucura nacional”, conciliando “paixão, tesão e razão” e ser “um casamento até que a morte os separe”?
                                          Do “casamento prático” parece que de há muito a intelectualidade já pulou fora do barco e com isso foi-se a “razão”. Só restaram as mentiras de amor, a paixão e a tesão, que ao que parece evidente hoje, “agora é cinza, tudo acabado e nada mais” ...
L’amour est mort ... et maintenant, PT.

 
Das lembranças Românticas
De Antônio Figueiredo
Escritor e Cronista
São Paulo - SP