segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Uma Noite Em Silêncio!
 "...Há noites que eu não
 posso dormir de remorso
por tudo o que eu
deixei de cometer...!"
 
Mário Quintana – Poeta e escritor gaúcho.

                                 Ali estive entre várias pessoas.
                                Ano novo e uma nova vida! É o que se fala. É o chavão da sorte. As coisas velhas e até o ano que se foi, se tornaram obsoletos. 
Recomeçar é a palavra de ordem!
                                   A ceia estava animadíssima. Vozes partilhavam seus projetos, intentos, um passeio, estudos, enlaces, mudança de vida, emprego, negócios, tudo ao despontar das primeiras horas daquele novo ano.
Pessoas de várias classes sociais e financeiras.
                                Algumas realmente gostam de mim, outras sabem que existo e outras ignoram, não fazem o mal e nem o bem.
                             Ali estive, alimentamos da mesma iguaria.
Que apetitosa ceia e ainda nos deliciamos com a sobremesa.
                         Assentamos a mesma mesa, cadeiras, bancos, brincadeiras, sorrisos, flash. Ali estive olhando as pessoas se fotografando.
Ali estive e vi um jovem, muito alegre.
                          Fotografou uma pessoa ao meu lado e uma criança quase encostada em mim. Um senhor chegou e disse: tira dela também...
Sem muita vontade, o jovem tirou uma foto que nunca vi.
Ali estive e vi meus amigos conversando, brincando, rindo.
                            Outros posavam para fotos e convidavam a muitos.
E eu ali. Não fui notada senão por poucos, inclusive por aquele senhor 
que falou para também fotografar-me.
                            As pessoas passavam por mim e foi como se eu estivesse invisível.
Cumprimentos, as pessoas não ouviam, não viam.
Fiquei  até o final. Estava curiosa para aprender um pouco mais sobre o comportamento humano.
                           Nada mais tive por fazer senão a observar uma festa, movimentos, atos. Não sofri por isto, apenas vi como somos muitas vezes fúteis, até mesmo em lugares e épocas especiais. Forçamos alegrias que não existe, mantemos aquela sensação de bem estar que nos leva à perdição, ao flagelo interior.
                              Temos que sorrir, blindar, cantar, aplaudir!
Um garoto conversou muito comigo. Despediu-se. O outro estava muito cansado. Brincou demais. A mãe deles não me notou. Eu despedi e as crianças responderam. A mãe me ouviu? Se ouviu, também nada respondeu.
Não fiquei alegre e nem tão pouco triste com a grandeza da festa.
Não posso ainda dizer se é bom ou não ser uma pessoa notada.
Depende da necessidade momentânea de cada um!

 
 
Dos Entendimentos & Percepções da minha
amiga Mineira Marilene Marques
Mineira, nascida na Vila de Assaraí, Município de Pocrane, Região do Vale do Rio Doce, MG, Aposentada, trabalha com voluntariado social.