sábado, 21 de fevereiro de 2015


#SOSEducacao:

 Ah, Educação... Saudades de Ti!
 “...Todo jardim começa com uma história
de amor, antes que qualquer árvore seja
plantada ou um lago construído é preciso
que eles tenham nascido dentro da alma.
Quem não planta jardim por dentro,
não planta jardins por fora e
nem passeia por eles...!”

 Rubem Alves

                      O meu admirado autor acima, Brasilês de alta estirpe, costumava dizer mais: “... A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar...!”.
                    Não é mero saudosismo, mas tudo. Sim tudo na atualidade remetendo, a quem teve esta chance, esta perspectiva real de uma verdadeira educação e instrução em níveis de aprendizado completo.
Primeiro uma separação que falamos sempre:
Educação vem de casa. Sim começa e termina em casa. O que você levar depois para evoluir em atitudes, modos será uma definição de teu verdadeiro caráter. De tua persona. De personalidade.
Vamos pelo básico:
                            Todo mundo com mais de trinta anos (lembrei-me da música da Elis Regina) sabe que sentar a mesa para uma refeição em casa, era um verdadeiro ritual. Não que com a correria e o tal de “modernismo” hoje não possa ser feito. Mera configuração de uma desculpinha, bem esfarrapada... Para as famílias mais tradicionais, principalmente de origem italianas ou alemãs, um minuto de oração: Os princípios eram mais rígidos.
Claro que não vou aqui dar “aula de etiqueta”. Longe disso. Mas comer frango com as mãos, diretamente, nem pensar. Mesmo que o correto, para saborear frangos, seja com as mãos. Até nutricionistas aconselham isso hoje. Mas tudo tinha certo zelo. Não estou falando de mesas de casas ricas, de endinheirados. Não.
                                   Sou de uma família que hoje seria classe pobre mesmo. Na época poder-se-ia dizer que éramos classe média. Tínhamos casa, carro e estudávamos em escolas particulares, estas mais numerosas que as ditas, hoje, públicas.

                                  Escola, até o final do que hoje é o fundamental, somente de uniforme. E ai de você se o uniforme estivesse sujo ou em desalinho, amassado ou coisas do gênero. Primeiro a vergonha pública. Segundo um “caderninho vermelho” (está ai a origem do meu horror a esta cor) estava sempre a mão dos professores, e se alguma anotação dela não retornasse com a assinatura dos pais. Pronto.
Enfim, prepare-se ou apanha em casa ou fica de castigo na escola e paga um “mico” estrondoso. E as meninas não poupavam quem pagava “mico”. Você certamente seria deixado de lado. Bullying? Frescurinha moderna.
Estas pequenas lembranças, sintetizadas em poucas frases entre a casa e a escola, levam-me diretamente a uma obra de Erasmo de Rotterdam – De Pueris – (Dos Meninos) A Civilidade Pueril. Isto tudo em 1530, século XVI, Renascimento, Humanismo, em época que a educação aprimorada era para poucos, sobretudo para os nobres e príncipes.
                         Sim, enquanto por aqui estávamos nos organizando para ser, algum dia, alguma coisa... Na Europa renascentista já se cuidava dos modos, de todo modo e maneira possível.
E até o final da década de 80, meu pequeno relato inicial, era lei. Levantar da cadeira sem a licença do professor? Nem pensar. Sair de casa sem permissão do Pai ou da Mãe... Esquece.

                                Sair à noite antes dos 18 anos... Só em piada. Pegar o carro do pai sem ter habilitação. Servia para você ficar um mês de castigo com as piores tarefas possíveis e imagináveis. E rapidamente a escola e seus colegas, todos, já sabiam disso.
Talvez ai tenha sido aonde aprendemos a ter a famosa “vergonha na cara”.
Sempre fui, tremendamente, mal nas áreas exatas, principalmente em matemática. E o que fazia: Em época de provas levava rosas vermelhas para minha professora.
                               Um galanteio e uma chantagenzinha inocente, porem cavalheiresca. O amor. A paixão, diria eu, pela Língua Portuguesa Brasilesa, começou cedo com uma professora e continuou, com um mestre nas áreas de comunicação em veículos – rádio, jornal e televisão-, e teve o ápice com um mestre, décadas mais tarde.
Mas de tudo isso uma certeza. O respeito aos mais velhos. Principalmente às mulheres que era cobrado por meu pai de modo bruto. “.. Ou aprende a respeitar uma mulher de qualquer idade ou nunca respeitarão tua filha...!”.

Filha? Eu? Com 10 anos de idade? Risada na certa. (por dentro e escondido é claro). Professor então... Nem se fala. Uma reclamação chegada em casa de desrespeito ao mestre era a pior das torturas que alguém pode imaginar hoje... Era impensável uma ação destas. Nunca.
E digo-lhes mais: Meu amado pai, homem rude, bruto, do campo, que veio para a cidade tentar a vida, tinha apenas o equivalente ao terceiro ano primário. Mas a cultura familiar italiana fortíssima, como se tivesse passado por uma escola de filosofia, a moda dele é claro. Leituras? Não precisava de tema de casa. Era cobrado em casa diariamente. Tabuada. Se não soubesse.. Não almoçava. Simples.
                             Na década de 70, televisão, preto e branco é claro, assistir? Somente se as notas estivessem muito boas e as tarefas da casa estavam completas. Senão... Esquece.
Era um sistema meio “militarizado”. Como fiz o serviço militar posso dizer que não. Mas muito próximo disso. Arrependo-me de ter “saído” de um lugar destes?
Não. Agradeço.
Gostaria de professores, talvez como eu, atualmente?
Na minha época não. Nada saberíamos e nada aprenderíamos.
Foi neste período com professores de fato e não Gramscistas idiotizados ou doutrinas de comunistinhas de Freire sem sentido nenhum. Não, eram à moda antiga mesmo.
                             Ainda tive algum período com latim. Tinha filosofia pura – eis de onde vem à paixão-. “E todas as outras matérias, que eram curriculares, de um MEC fortíssimo e não desta ‘coisa” que leva o mesmo nome hoje.
Estamos vivendo uma época diferente? Sim.
                                Estamos modernizados? Não. Tecnologicamente sim. Humanamente passamos por uma involução, uma desaprendizagem quase completa, chegando ao cúmulo de uma “lavagem cerebral”. Não temos mais a poesia tão propalada por Rubem Alves em sua educação fantástica. E o como diria ele, o professor... Ah este era.... Exatamente assim: “... Mas na profissão, além de amar tem de saber. E o saber leva tempo pra crescer...!”
Onde estão estes mestres?
Confesso: Também não sei...
Pois até para eles pensar dói...
Na verdade, Pensar Não Dói...
Mas este é apenas o meu pensamento....

 

Entendimentos & Compreensões
De uma Época de Aprendizados
Leituras & Pensamentos da Madrugada.