terça-feira, 21 de julho de 2015


#SerieCompreensao:

 

O Verdadeiro e o Falso!


“...O verdadeiro e o falso são atributos da
linguagem, não das coisas. E onde não há
linguagem, não há verdade nem falsidade...!”

 

Thomas Hobbes.

 

 

                     Estamos em um movimento quase metafísico das relações e compreensões entre os seres humanos. Entre nós, todos os dias, em todas as partes. Desconhecemos valores e seus tributos e atributos. Estamos nos robotizando com o que vem primeiro.  Se é falso ou verdade... Bem, deixa para depois. Para compreender essas duas coisas, o verdadeiro e o falso, necessitamos começar pela significação das palavras, o que nos permitirá ver que são apenas denominações extrínsecas (externas) das coisas e que só lhes são atribuídas para um efeito retórico (conjunto de regras que constituem a arte do bem dizerem, a arte da eloquência; oratória). O grande pensador e filosofo Espinosa, 1665, considerava a retórica como a admissão de que uma palavra tem valor próprio e independente daquilo que denota. Quando falamos sobre o verdadeiro e o falso, o pensador revelava uma preocupação com problemas de linguagem e como atribui a pensadores (a filosofia) a tarefa de desencavar a prima significatio (o primeiro significado) das palavras, a fim de recuperar ou criticar o sentido inicial que se apresenta.


                       Mas como é que o simples, ou o sem ou com pouca cultura, ou instrução encontra primeiro as palavras que os pensadores ou o que chamávamos de mestres empregam depois, cabe àquele que procura a significação primeira de uma palavra perguntar o que esta significou primeiro para o sem instrução ou cultura, entre nós seria o analfabeto, sobretudo na ausência de outras causas que poderiam ser tiradas da própria natureza da linguagem para fazermos um pesquisa verdadeira dos significados e suas origens, assim como a significação para nós todos, para o que estamos vivenciando. Foi há não muito tempo, a que a primeira significação de verdadeiro e falso apareceu nas narrativas e logo em seguida registrada, como significação de algo com tal atributo. Quando se estuda a filosofia diz-se que uma narrativa é verdadeira quando o fato narrado aconteceu realmente, falsa quando o fato nunca aconteceu em parte alguma. Foi muito tempo mais tarde do pensador Espinosa, que se começou a empregar a palavra para designar o acordo e o não acordo de uma ideia com seu idealizado. Assim, denomina-se ideia verdadeira aquela que mostra uma coisa tal como é em si mesma, e falsa aquela que mostra uma coisa diversamente do que ela realmente é. Com efeito, as ideias são apenas as narrativas ou histórias da natureza do espirito humano. A partir disso, por metáfora passou-se a designar da mesma maneira as coisas inertes, como é o caso quando falamos em ouro verdadeiro e ouro falso (vulgarmente chamado de ouro de tolo – inclusive música título de Raul Seixas),como se o outro que nos é apresentado nos contasse algo sobre si mesmo, sobre o que está e o que não está nele.


                          Aqui novamente recorro ao filósofo, para dissecar este pensamento que “parecemos” conhecer, mas que na maioria das vezes foge de nossa compreensão e discernimento, do mais simples até o mais sábio dos seres. Dizia Espinosa: A verdade não é adequação da ideia ao ideal, nem o falso é inadequação da ideia ao ideal. A verdade é o encadeamento necessário das ideias, encadeamento determinado pelo processo que as envolve. A verdade não pode ser acrescentada ou retirada às coisas, pores é uma qualidade das ideias e não das coisas. A ideia verdadeira é aquela que mostra sua própria gênese, por isso a verdade é intrínseca à ideia e não extrínseca como naquilo que parece adequado. Utilizei aqui dois pensamentos do Grande pensador e Filosofo holandês, do século dezesseis, para vermos, um pouco mais, a clareza das ideias, com que não conseguimos manifestar nossos ideais.  Com isto não sabemos distinguir o verdadeiro e o falso, entre nós desde a educação familiar, passando pela péssima instrução escolar, das quais as qualidades das ideias não são  mais discutidas a partir de ideais e sim de uma formatação, quase mecanizada, recebido de cima, para que obtenha os resultados desde baixo. (o ensino assim é manipulado desde o primeiro ano do fundamental e vai sendo colocado na criança) Desta forma quando chegar à idade adulta terá sempre dúvidas entre o que lhe concerne como verdadeiro ou falso.


                     No fundo eis uma das origens de todos os nossos problemas sociais e culturais sentidos e vivenciados em nossa época. Sendo resultado exclusivo de uma ”politicagem” vestida de politica e disseminada por uma imprensa que tem ausência de discernimento e as espalha exatamente como as recebe. Perdemos a noção, com isso, do que é realmente verdadeiro e do que é falso.
Pensar ainda não dói... Já identificar os conceitos e valores aos quais estamos sujeitos todos os dias é um pouco mais difícil...
Leia mais... Ajude-se e ajude o Brasil!

 

 

Entendimentos & Compreensões
Leituras & Pensamentos da Madrugada
Inspirado nos pensamentos metafísicos de
Baruch de Espinosa – Filosofa Holandês
Do século dezesseis – tradução para a Língua
Portuguesa Brasilesa em 1991.
Editora Nova Cultural