quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Ditadura da Corrupção!

“O uso do poder público para proveito, 
promoção ou prestígio particular, ou em 
benefício de um grupo ou classe, de forma 
que constitua violação da lei ou de padrões 
de elevada conduta moral”.

Calil Simão – Improbidade Administrativa – Teoria e Prática

A leitura dos escândalos diários leva-nos a uma reflexão profunda quanto às “práticas padrão de poder” dos políticos e juízes no Brasil. Não é à toa que se suspeita e em alguns casos já se tem como comprovado, que estão envolvidos membros dos Três Poderes. No Legislativo em realce temos Eduardo Cunha e Renan Calheiros além dos 100 deputados e mais de 30 senadores que se escondem por enquanto nas "franjas" da Lava-Jato. No Judiciário mencionam-se juízes do TCU, TSE, STJ e STF.
“À mulher de César não basta ser honesta. Tem que parecer honesta”, justificou-se Júlio César perante o Senado Romano quando do seu divórcio com Pompéia. E qual foi seu crime? Não ter “previsto e evitado”, que um jovem galanteador adentrasse a uma festa por ela promovida e restrita a mulheres com o intuito de seduzi-la. O que são meras desculpas esfarrapadas e o que é “padrão de imagem pública”?

Sou um leitor assíduo da vida política brasileira há mais de 50 anos e posso afirmar, que muito maior que o atual nível de conhecimento da corrupção na política do país é o da indignação da cidadania contra esses malfeitos, bem como a ação crescente da Justiça Federal e em especial a do Paraná, apoiada pelo Ministério Público e Polícia Federal. Celebro isso como o advento da consciência cidadã.
Todavia, muito mais importante que discutir se a corrupção começou no Governo A ou B, ou até mesmo na famosa carta de Pero Vaz e Caminha é determinarmos de uma vez por todas, que fatores culturais a ela nos predispõem e ao saná-los pela Educação, que tipo de comportamento e ação política queremos. A corrupção do passado apenas o braço da Justiça poderá “reparar”, já a corrupção futura cabe-nos estabelecer sua “suportabilidade” e limites administrativos.
O que é inadmissível é o cidadão estar submetido em grau crescente a uma verdadeira Ditadura da Corrupção, que a classe política e seus indicados nas empresas públicas submetem de forma sarcástica, irônica e debochada ao cidadão contribuinte.
Não é crível que presumam esses detentores de mando se revestir de tanto poder e influência para como monarcas absolutistas fazerem dos cofres do estado seus bolsos. Nenhuma democracia prevê e suporta esse tipo de comportamento.
Tenho batido e combatido, que apenas com a mudança do Sistema de Representatividade esse abuso pode ser eliminado, pois a representação distrital trará o representante legislativo para junto da sua base de apoio, onde será cobrado e fiscalizado permanentemente.
Por outro lado, a Administração do Estado deverá estar a cargo de “profissionais de carreira”, o que significa “servidores públicos profissionais” vestidos de um caráter meritocrata e sob permanente e competente fiscalização dos Tribunais de Contas.
Um país com a dimensão territorial, cultural e econômica do porte do Brasil não pode seguir sendo governado por essa estrutura podre, oligárquica e lesiva aos interesses do cidadão, mas também cabe ao cidadão saber se fazer representar e não agir como hoje, em que parece que nada do que acontece em Brasília afeta sua vida.
O comportamento da classe política só se justifica por essa falta de participação da cidadania. Falta “tesão política” ao cidadão comum, que hoje se engalfinha nas redes sociais por suas preferências partidárias, mas que é incapaz de preparar o futuro de seus filhos e netos, que não necessariamente compartilharão das suas crenças ideológicas.
As correntes ideológicas são passageiras. 
Só a Pátria é permanente.

Boa leitura.



Entendimentos & Compreensões
De Antônio Figueiredo
Escritor paulista. Autor da obra 
Recém lançada: Voto Distrital - Este Me Representa.
Editora Garcia Edizione - 2016 - SP
#PEDIDOS http://tonifigo1945.com 
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