quarta-feira, 15 de outubro de 2014


As histórias vividas do
escritor Antônio Figueiredo
na Sala de Protheus:

NÃO IMPORTA QUE A MULA MANQUE...

“... Nunca subestime seu adversário. Conheça-o.
Você pode não ser tão forte quanto pensa.
Sua "fraqueza" tem que ser maior que a "força" dele...
 
                                                                                     O autor
 
                                  (,,,) o que eu quero é “rosetar”!
                                  A canção foi composta por Haroldo Lobo para o Carnaval de 1946 e tornou-se um “escândalo nacional”. O termo na “linguagem tropeira mineira” significava “assentar as esporas”, (rosetas), mas o imaginário popular levou o título da música para a sacanagem. Naquele tempo as “marchinhas de Carnaval” eram cumulativas, ou seja, ano após ano as novas marchinhas eram incorporadas às já “tradicionais” e eram cantadas nos “bailes carnavalescos” dos anos seguintes e lembro-me dela cantada até pelo menos 8 anos após.
                                   A imaginação popular sempre vai ao “limite da irresponsabilidade”, como afirmou um alto funcionário do Governo FHC durante o “processo de privatização”, que o “limite da irresponsabilidade da Oposição” chamou de “Privataria Tucana”, assim como hoje a Oposição alega, que os “fatos da Petrobrás” nas manchetes diárias dos jornais, seja um “salve à Democracia” no sentido criminoso hoje em voga e que o “processo democrático brasileiro” não seja o suficientemente sólido e sob risco de um processo de “venezuelização”.
                                    O medo apregoado por todos acaba por ser o medo de ninguém e tão somente um simples mote eleitoral para quem quer se manter ou conquistar o poder e eu como a “boa Oposição” queremos “rosetar” o lombo do “poder constituído”, como sempre fizemos desde tempos imemoriais do passado, ainda que pedindo: “Pai, afasta de mim este, (cálice), cale-se”.
                                   Nos meus mais de 50 anos de espectador político o tema “corrupção” sempre foi recorrente, só que outrora sempre destinada ao “enriquecimento pessoal”. A montagem de um “esquema permanente de corrupção” é inédita, pelo menos no Brasil e isso exige uma reflexão maior sobre o nosso sistema político. Em especial a questão do “ideário partidário”, no qual tantos partidos são indistintos e não comportam qualquer diferença de propósitos e objetivos.
                                   O Brasil como “organização nacional” sofre da falta de regras firmes e claras sob todos os aspectos. O Executivo ao “executar” peças orçamentárias e com a “liberdade imperial” do Presidente em mover e redestinar suas verbas, além da usurpação da competência legislativa com o uso de Medidas Provisórias.
                                     O Legislativo há muito abdicou do “poder de legislar” e tornou-se apenas “subserviente regulador” dos mandos legislativos do Executivo e o Judiciário elefantino e sujeito a leis e recursos descabidos de “sentenciar” finalmente e sob um arcabouço legal excessivamente disperso, genérico e ineficaz em “punir”.
                                     As Agências Reguladoras há muito deixaram de “regular”. Nossas Empresas Públicas, que por definição deveriam ser apenas aquelas essenciais a promoção do interesse público, porque não despertariam interesse dos investidores, estão aí desacreditadas e com sua situação financeira escondida sob um “manto negro”, que encobre sua “transparência”.
                                      O Serviço Público totalmente desmantelado e desmotivado não presta os “serviços públicos” essenciais e em benefício do cidadão. As Contas Públicas desarrumadas e pouco transparentes e sujeitas à manipulação e que têm mais de Houdini que de Adam Smith.
                                     Nossa própria Constituição é um amontoado de salvaguardas equivocadas voltadas para o passado, (foro privilegiado) e de “legislação comum”, que nada representa em “salvaguardas constitucionais”, bem como com a exigência de “reformas constitucionais”, que atravancam a pauta legislativa regular.
                                         “Diante da esculhambação, brasileiros não conseguem mais entender o que são princípios, integridade, verdade, valores, ética, honestidade...” escreveu o amigo ativista, Willian Fagiolo, nas redes sociais. E é disso que se trata. O lema iluminista “Ordem e Progresso” do Pavilhão Nacional é um mero pensamento e jamais foi um compromisso do Poder.
                                  A tarefa é hercúlea, pois é inadmissível que a 7ª Economia do Mundo apresente uma “organização nacional” própria de “claudicantes repúblicas nascentes”, que se veem na África e Ásia e nas “demagógicas republiquetas bananeiras” sul-americanas. Uma Nação do nosso vulto tem enormes responsabilidades perante o concerto das nações e por isso deve ser respeitada.
                                  Há algum tempo atrás outro amigo ativista, que agora me passa o nome, postou que: “Os políticos brasileiros não acompanharam a evolução política do eleitorado e das práticas democráticas modernas”, o que não é de se estranhar, posto que uma grande maioria é “herdeira política” dos coronelatos e currais oligárquicos dos “grotões” e das “periferias” e no Congresso Nacional conduzem o “alto clero”.
                                 O que projeta o Brasil no mundo nos dias correntes é seu potencial e desenvolvimento econômico, sua cultura e seu povo e aqui investidores estrangeiros e brasileiros tem colocado suas apostas no futuro. Poucos países, apesar do extrativismo secular, mantêm ainda seu potencial mineral tão integro e tão explorável no longo prazo. É baseado na conjunção “desenvolvimento econômico e desenvolvimento político”, que hoje as nações se sobressaem.
                                É na solidez de suas instituições e regras, que as apostas se fazem e delas deve se beneficiar a população de um país igualmente. Não há como falar em “igualdade” com a aplicação de “políticas compensatórias”, pois apenas socorrem “populações vulneráveis” sem dar-lhes a dignidade da “inclusão na cidadania”. Todos os países um dia delas se socorreram pontualmente e deram um “passo adiante” incluindo esses “excluídos” com educação, saúde e principalmente trabalho e renda.
Louve-se quem as criou e quem as ampliou, mas é preciso “exigir mais”.
                              Com já afirmei algumas vezes, já viajei centenas de milhares de quilômetros pelas estradas brasileiras do Sul/Sudeste, Centro Oeste e Nordeste e uma coisa me chamou muita a atenção. Com exceção da “área mineira da SUDENE” e o Nordeste em geral, sempre vi às margens das rodovias a oferta de produtos locais, sejam agrícolas, (frutas, abóboras e etc.), ou da pecuária, (carnes curtidas, linguiças e queijos), além de artesanatos e doces de frutas regionais.
                               Dificilmente se roda mais de 100 quilômetros sem avistar as “tendinhas”, mas nas áreas citadas isso é praticamente invisível por mais de 200 quilômetros, o que demonstra o pouco “estímulo econômico” dos habitantes locais. Sempre foi muito discutível se isso é fruto do “abandono secular” e a falta de condições de produção ou por terem se acostumado ao “assistencialismo”, visto que Programas de Incentivo às Vocações Regionais sempre foram muito superficiais e ilusórios. “É a vontade de Deus” se diz por lá.
                                   Essa é a “grande responsabilidade” do próximo Governo Eleito. A “estruturação do Brasil” de baixo para cima, mas nesse particular, do Nordeste para o Norte. A “presença do Estado” mostrando-se como o traço de união da “brasilidade igualitária”, pois se não fizermos e conseguirmos isto teremos fracassado como Nação e principalmente como “seres humanos”.
                                    Entretanto, é do eleitor a parcela de responsabilidade maior como “agente da mudança” em escolher o “novo Presidente”. A reeleição não poupará a atual ocupante do cargo dessa responsabilidade e a população não aceitará “mais do mesmo”, que tem desqualificado todo o esforço nacional na busca do seu real espaço e lugar.
                                   Será necessária uma atitude corajosa de “reabertura dos portos”, quer na Economia, quer nos objetivos políticos. Um país do porte do Brasil não pode ser tímido em impor seu real protagonismo nas decisões que envolvem o futuro da humanidade, principalmente no tangente ao “desenvolvimento sustentado”.
                                    Uma discussão corajosa sobre toda a matriz energética não pode excluir nenhuma das opções, inclusive as “nucleares”. A água é certamente a “commodity vital” do futuro e nosso modelo hidrelétrico está praticamente esgotando essa via de energia. Há algum tempo um grupo francês esteve na Bahia interessado nos Aquíferos Baianos, isso sem contar o Aquífero Guarany no Sul/Sudeste.
                                  Vote, eleitor, pensando em tudo isto. Construir uma Nação é da responsabilidade do trabalho de todos e não podemos delegar aos políticos essa responsabilidade exclusiva. Eles têm demonstrado sua capacidade e empenho ao longo da vida republicana e por isso reafirmo:
Não importa que a mula manque, porque eu quero “esporear” ...

 

Fonte:
Das vivências, percepções e pesquisas de
Antônio Figueiredo – De algum lugar entre a Bahia e São Paulo
Economista, Escritor, Empresário, Militante Apartidário Parlamentarismo e Voto Distrital Puro. Ex - Ativista Movimentos Sociais Católicos/ Metalúrgico/ Estudantil (1961/73). Operário da Cidadania