quarta-feira, 8 de outubro de 2014


As histórias fantásticas do
escritor Antônio Figueiredo
na Sala de Protheus:

 
O Bom Humor na Política!

 

 ... A cada militante da Democracia,
           pague-se seu soldo diário em         
  LIBERDADE...!"      
O autor
                           No Twitter alguns amigos têm me classificado como “troll”. E eu discordo. Nasci e fui criado em um tempo em que o exercício da política era temperado de muito debate e paixão, mas onde nunca faltou um “toque de bom humor”, de “inteligência crítica” e uma “língua democraticamente afiada”. Sempre foi o bom humor que construiu pontes e salvaram desesperados e desenganados.
                         Há onze anos enfrentei uma situação limite, na qual os “Pilatos médicos” diziam que a escolha entre a vida ou a morte era exclusivamente minha. Lembro-me dos amigos, visitantes, e só pelas suas caras, “porta adentro”, não era difícil de interpretar o impacto da minha aparência por seus sorrisos amarelos e abraços condoídos.
                          Era eu quem os animava e ria da situação. Não fazia isso por eles, mas por mim. Eu era a única pessoa que não podia desanimar e foi com “muito bom humor”, que eles visivelmente relaxavam e eu... Sobrevivia.
                          São muitos os casos na história política de quando a tensão cresceu explosivamente no calor do debate, que uma tirada de bom humor distendeu os ânimos e um bom acordo foi conseguido. A leitura de Sebastião Nery e sua série “Folclore Político” sobre a “política nacional” é uma leitura imperdível, pois descreve essa ciência do “bom debate”.
                           O Congresso Nacional teve passagens épicas. Conta-se que nos Anos 50, Carlos Lacerda (UDN) fazia um dos seus discursos verborrágicos e violentos contra Getúlio na tribuna e Alzirinha Vargas (PTB), filha do Presidente, insistentemente pedia um aparte, que Lacerda não concedia. Alzirinha não se conteve: Vossa Excelência é um filho da puta! Ao que Lacerda retrucou: Não me consta que Vossa Excelência tenha idade para ser minha mãe”. Já nos anos 90, Ulisses Guimarães retrucou Collor de Melo, que o chamou de “velho”: “Velho mas não velhaco”...
                          Conta-se do tempo dos Governos Militares, que Costa e Silva foi “batizar” uma embarcação, para o que lhe deram uma garrafa de champagne. Perguntou: O que faço com isso? Responderam-lhe: Quebre no casco. E ele quebrou a champagne no salto da bota. Outra é que, se criara uma “medida de burrice”: o TAR e assim contava-se: 1 militar, 2 militar... Outra era a pergunta: Como se mede um burro? Médici da cabeça aos pés... Dizem até que Médici e Geisel faziam questão de saber e rir de “quais eram as novas”.
                            Desde tempos imemoriais o “humor” era um tipo de “pesquisa de avaliação” do político e bem me lembro do programa de Alvarenga e Ranchinho na minha infância de cantigas caipiras e com auditório ao vivo. Quando perguntavam à plateia o tema e tinham por resposta: POLÍTICA! Debochavam: É cumpadi. Tão querendo vê nóis preso! As vítimas eram Jânio Quadros e Adhemar de Barros, (em SP) e Getúlio Vargas, (Gegê), e depois Juscelino do quadro nacional. Juca Chaves iniciou sua carreira nos anos 60, principalmente com a sátira política a Juscelino, (Presidente Bossa Nova).
                              É com tristeza que hoje as Redes Sociais destilem tanto ódio e manipulação da verdade, em vez de “bom humor” e principalmente, inteligência. As pessoas perderam a capacidade da inteligência crítica e principalmente, muitos “doutos sociólogos e humanistas”, que deveriam ser “formadores de opinião política”, “vendem” o conhecimento tradicional da História, reescrevendo-a convenientemente à “encomenda do freguês”. Bilateralmente, vale isto.
                               A abordagem lógica de tempos, circunstâncias e acontecimentos indica que muitos só têm uma orelha ou um só olho. Ou Esquerdo ou Direito, adeptos que são da “Teoria das Metades”. No “meio da missa” já comungaram a “opinião formada”. Temos o embate da “Privataria Tucana x Pivetagem Petista” e o debate de ideias tornou-se o embate dos “versus contra os adversos”. Puro lixo político. Um “sociólogo proeminente” esta semana me arguiu de onde tirei o conceito de “permeabilidade social”.
                               Nesta semana o nordestino recebeu muita solidariedade e principalmente “deboche”. Mas isso não importa, no Brasil nos últimos 200 anos apesar se ter investido mais no Nordeste, do que Israel investiu para fazer um “jardim no deserto” e o Governo dos Estados Unidos no Arizona e Novo México, o caminho dos “bolsos fundos” coronelistas por aqui não permitiu que “transbordasse” muito para chegar ao “semiárido”. Mas isso não importa, afinal demos lhes a Bolsa Família e os “marqueteiros” criaram o “fato novo”, que a campanha precisava.
                                  Como se dizia nos Anos 60, a era do “complexo de viralatas”, a que batizou Nelson Rodrigues: O brasileiro é o único povo que sabe que vai dar uma mancada e... Dá!
                                  É incrível se pensar que foi feita uma Revolução em nome da “moralização da política”, onde todos democratas foram derrotados, fossem os poucos da Esquerda e da Direita e a grande maioria de Centro e que mesmo “cumprindo a pena” de 21 anos de “severas restrições” às liberdades constitucionais não tenhamos aprendido nada. Ditadura e Democracia desperdiçadas.
                               Nem todo cidadão tem a habilidade de militar politicamente, mas todos têm a obrigação da “consciência política” da sua posição, obrigações e direitos na Sociedade e o justo retorno aos tributos, que paga. O Estado não é uma instituição de caridade e nem tampouco um “saco sem fundo”. É uma “organização voltada à administração do bem estar comum independente de todas as classes sociais”. Nem com mais direitos e privilégios aos mais poderosos e nem relegando à penúria da desassistência aos que tem “menos voz e influência”.
                                       Em outros tempos era alguém de sucesso, que nos inspirava a prosseguir lutando, por seu exemplo de superação de dificuldades. Hoje tudo se mediocriza, talvez como consolo da nulidade majoritária, que varre todos os segmentos sociais, incapazes de se manifestar e exigir seus direitos. Perde-se a liberdade pelas pequenas concessões de consciência, que se faz a cada escândalo novo, que explode. Sem indignação, não há “revolução”.
                                      Tenho a convicção, que este momento é de construir uma verdadeira “união nacional”. Aquela que nunca nos esforçamos por ter, pois nos acovardamos em permitir, que o Nordeste tenha sido desde o fim da escravidão o “estoque de mão de obra barata”, seja para desbravar o Acre, seja para construir São Paulo ou Brasília, o que nunca permitiu que construíssem o seu “Brasil Regional”.
                                     Tenho o privilégio de ter morado em periferias e vivido por 37 anos entre Minas Gerais e Bahia e o de conhecer o Brasil de Norte a Sul e de Leste a Oeste, principalmente em seu “miolo atrasado” e creio que apenas dando-lhes “esmolas”, jamais os recompensaremos pelo “Brasil dos outros”, que ajudaram a construir.
                                     É confortavelmente covarde achar que o óbolo na bandeja do padre ou do pastor garante a Salvação. Acalma a consciência, mas não nos livrará do inferno que tão competentemente estamos construindo. O Brasil é um pouco mais, que “nós e eles”...

 
Das vivências, percepções e pesquisas de
Antônio Figueiredo – De algum lugar entre a Bahia e São Paulo
Economista, Escritor, Empresário, Militante Apartidário Parlamentarismo e Voto Distrital Puro. Ex - Ativista Movimentos Sociais Católicos/ Metalúrgico/ Estudantil (1961/73). Operário da Cidadania