sábado, 3 de outubro de 2015


#SeriePoetica:

 

“... Entre o Nascer do Sol

e o Crepúsculo...!”


“... Quando admiro a maravilha de um pôr-do-sol

ou a beleza da lua, minha alma se expande em reverência ao Criador...!”

Mahatma Gandhi 

 

Luz e sombra nas pinturas dos artistas e na decoração dos ambientes. Dia e noite na natureza. Oriente e Ocidente no mapa. No contraste, a sábia complementação humana ou divina. Opostos que convivem no micro e macro espaço da esfera terrestre, dia após dia, dentro de certa proporção, apesar dos excessos que a mãe natureza vem sofrendo pela ação de alguns. Partindo do raciocínio elementar de que, em tese, precisamos da luz para acordar e da sombra para descansar, a vida vai indubitavelmente seguindo o seu curso nesse intervalo de 24 horas. “E o mundo vai girando cada vez mais veloz/ a gente espera do mundo/ o mundo espera de nós/ um pouco mais de paciência”, não é Lenine?


Enquanto os ponteiros do relógio assinalam a marcação do tempo, cada um vai seguindo no seu ritmo, mais ou menos acelerado, dependendo da idade e, sobretudo, das condições de saúde. A vitalidade física depende de uma série de fatores, entre os quais a genética, a prática de exercícios, a alimentação, a própria vontade de viver em si e a maneira como se encara a vida...


“você lembra, lembra/ naquele tempo eu tinha/ estrelas nos olhos/ e um jeito de herói/ era mais forte e veloz/ que qualquer mocinho de caubói/ (...) água da fonte cansei de beber/ pra não envelhecer/ como quisesse roubar da manhã/ um lindo pôr-do-sol...”. E quando a roupa não for mais nova? Por mais independente que sejamos, financeiramente, somos dependentes de afeto, reconhecimento e gratidão, os bálsamos da alma. Em algum momento da vida, entre o amanhecer dos primeiros anos ou o anoitecer dos que se passaram, vamos precisar de alguém que nos estenda a mão e, se possível, com um sorriso no rosto. As pessoas estão vivendo mais. É fato!


A ordem natural de quem plantou muito é esperar que a colheita seja satisfatória mais tarde, quando os passos se tornarem mais lentos, a visão não for mais aquela e a dificuldade para realizar simples tarefas aumentar. O convívio entre gerações nunca foi fácil, mas – ao contrário das pedras – somos esculturas vivas sendo moldadas e lapidadas pelos fatos, em contínuo movimento! Só nos resta aprender!

É deprimente ver idosos ABANDONADOS PELA FAMÍLIA nos abrigos, feito caixas velhas em depósitos ou porões sombrios, como párias da sociedade, longe da claridade! Muitos pagam as despesas e nem lá aparecem para visitar seu ente. O idoso tem a SABEDORIA DE VIDA para compartilhar no FB ou fora dele. Não sou eu quem cantou essa pedra, mas o Lupicínio Rodrigues - grande compositor gaúcho cujo centenário de nascimento está sendo comemorado neste ano: “esses moços/ pobres moços/ ah, se soubessem o que eu sei...”.



Obviamente que quando eles próprios decidem ir, a família precisa entender e apoiar. Ou ainda quando todas as alternativas se esgotaram... DESDE QUE A FAMÍLIA ACOMPANHE, não há o que questionar. A DIGNIDADE está sendo mantida. “(...) Mas ainda sirvo se você quiser/ basta você me calçar/ que eu aqueço o frio dos seus pés”. Nossos idosos não podem ser simplesmente como um sapato velho, somente poético na canção do grupo ROUPA NOVA.

 

 

Entendimentos & Compreensões

Fabiana Ratis – Cronista &Crítica Cultural

Recife – PE.

Dos arquivos da Sala de Protheus.

 

Obs.: Todas as obras publicadas na Sala de Protheus

são de inteira responsabilidade de seus autores.

O Editor!