quarta-feira, 7 de junho de 2017

A Normose Brasilesa!

 #PensarNaoDoi

A Normose Brasilesa!
                                          
“ O Silêncio é a linguagem do Sagrado.
Todas as outras linguagens são ecos.

Jean Yves-Lelloup

Dentro de uma conhecidíssima “mesmice” do Brasilês, em termos culturais e políticos, continuamos adormecidos “ternamente” em berços nada esplêndidos, contrariando nosso Hino Sagrado, O Nacional, é claro.
A partir da chegada do mês de junho, veremos não somente o inverno achegar-se, mas também um quadro imbecilatório de proporções desconhecidas.
Não é possível que mesmo quase duas décadas de péssimos administradores e ausência completa de um estadista não saibamos ainda o que queremos e muito menos o que precisamos.
É isso tudo que me remete ao pensador francês que criou o termo Normose:
O conceito foi cunhado quase que simultaneamente pelo psicólogo e antropólogo brasileiro Roberto Crema e pelo filósofo, psicólogo e teólogo francês Jean-Ives Leloup, na década de 1980. Eles vinham trabalhando o tema separadamente até que um terceiro psicólogo, o francês Pierre Weil, se deu conta da coincidência. Perplexo, Weil conectou os dois, e os três juntos organizaram um simpósio sobre o tema em Brasília, uma década atrás. Do encontro, nasceu uma parceria e o livro Normose: A patologia da normalidade.
“O normótico padece de falta de empenho em fazer florescer seus dons e enterra seus talentos com medo da própria grandeza, fugindo da sua missão individual e intransferível”. “Quando temos necessidade de, a todo custo, ser como os outros, não escutamos nossa própria vocação”.
Entenderam agora? 
Nosso problema, literalmente, é patológico.
                                        
Não nos empenhamos em absolutamente nada no que se refere ao todo, ao povo, aos que vivem a nossa volta. Parece que não temos este espirito de grandeza?
A normose nos impede de sermos quem realmente somos. O consenso e a conformidade impedem o encaminhamento do desejo no nosso interior. Tornar-se uma pessoa é um caminho. Por intermédio de cada um, o desejo continua sua rota. Trata-se de ir ao encontro da identidade transpessoal. Não basta ser apenas eu, um ego. No interior de cada um de nós podemos sentir o chamado do Self. Através das experiências do numinoso, descobrimos que existe algo maior do que nós. Mas temos medo de enlouquecer, de perder o ego, de perder o que foi construído no ambiente das relações parentais, familiares e sociais. O que temos a perder são as ilusões: as imagens de Deus, as imagens de nós mesmos, as imagens que construímos do que seria um homem ou uma mulher bem-adaptada. A realidade, em si, é impossível de ser perdida.
A cura da normose é trabalho individual, mas alguns esforços sociais podem ajudar. Para começar, seria um adianto se tivéssemos um novo modelo educacional.
Mas aí, antes que alguém me diga, estamos longe. Aliás, Portugal, nossa terra mãe já tem escolas sem séries. Mas não vou entrar neste detalhe. Vou deixar o termo normótico para que sofre desta patologia.
                                          
Por óbvio que isso não é uma anamnese, muito menos a pretensão de um diagnóstico social, mas que consigo ver as verossimilhanças, ah, creiam-me, são muitas...
Não necessito nem entrar em detalhes mais. Basta que cada um verifique as notícias da semana e como continuaremos na próxima...
Exatamente igual, falando as mesmas coisas, sobre os mesmos temas com os mesmos termos.
Portanto dentro desta mesmice ensandecida do brasilês, estamos sendo normóticos. Ah, se estamos...
Pensar não dói... Neuro e psicologicamente, porém, quanto ao Brasilês, já começo a ter sérias dúvidas...



Entendimentos & Compreensões
Leituras & Pensamentos da Madrugada
Transpirado da obra 
Normose a Patologia da Normalidade
Jean Yes-Lelloup – Editora Verus – julho de 2004
Publicado originalmente no Grupo Kasal –
Konvenios – Vitória – ES 
http://www.konvenios.com.br/info/Artigos.aspx?codAutor=117
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