domingo, 26 de abril de 2015


#PensarNaoDoi:


O Convite!

 
“...Só são verdadeiramente felizes aqueles
que procuram ser úteis aos outros...!”

Albert Schweitzer


                                Que surpresa inesperada, chegou um convite, não qualquer convite, um convite para jantar no palácio de um Sheik, o convite em papel de seda e letras de ouro é nominal, isso mesmo, seu coração pula de emoção é para você! Você, Sim, você!

                                Há tanta coisa para fazer, o dinheiro curto não dá para comprar um Prada ou um Armani, o negócio é dar um jeito e alugar um vestido de noite, deslumbrante, um terno de corte e caimento perfeito. Há sim e as joias! O cabeleireiro para fazer um penteado primoroso, as unhas com perfeição. Sim, nessa noite terás que ficar deslumbrante. Afinal, um homem riquíssimo, fino, da realeza ao convida para jantar! Depois de tanta ansiedade chega o dia. A limusine negra, estonteantemente linda para à porta de sua casa, os vizinhos vem olhar, curiosos e você não pode se conter de tanto encantamento, ah sim... Orgulho manda uma tchauzinho para a vizinha chata e, claro, faz um Self entrando na limusine.
                                   Dentro dela, bebidas caras, champanhe de verdade (até aqui você só tinha visto sidra e champanhe de segunda), petiscos. Os bancos acolchoados de couro puro, ar condicionado e na frente um condutor silencioso e respeitoso lhe conduz ao aeroporto. Oh, Deus! Um avião a sua disposição! Tão elegante quanto a limusine. Poltronas em couro branco, uma aeromoça sorridente lhe recebe, o capitão vem lhe cumprimentar. Tudo somente para você. E o avião decola e você olha tudo tão pequeno lá em baixo, as nuvens no céu e o sol que se põe em resplendor, a impressão é que tudo, tudo, é somente para você. E não seria? Porque não seria? 

                                  Encantada você olha o palácio, seus jardins de conto de fadas, suas salas de arcos feitos de ouro, o luxo chega ser luxuriante. Você olha muitas pessoas convidadas, celebridades, ricos, políticos. Parece o tapete vermelho de Hollywood. Fica tonta de tanta beleza, flashes são disparados a todo o momento, e você pensa que saíra nos jornais. Será que estou bonita? Sim, está, mas, se compara aos outros, bate aquela insegurança. Sempre parece que alguém é mais sarado, tem o cabelo mais perfeito, os olhos mais claros, a boca perfeita da Angelina Jolie... Porque não sou, nem um pouquinho, parecida com ela?
                               O salão de jantar se abre e todos entram, você se assusta um pouco, pessoas tão finas agora se atropelam querem sentar próximo à cabeceira da mesa, onde certamente o bilionário sheik sentará. Você está encantada, porcelana chinesa antiga, talheres de ouro? Taças de cristal! As pessoas querem mostrar o melhor de si, ninguém naquela mesa quer “ficar pra trás”, homens de negócios falam de seus lucros, políticos de sua influência e poder, celebridades de sua fama, intelectuais demonstram toda sua inteligência e você não pode ficar de “boba”, entabula uma conversa inteligente, quer mostrar que também é relevante. Ora afinal de contas você está naquele banquete também.

                                A comida finíssima é servida, todos comem, bebem e conversam cada vez mais se exibindo uns aos outros, afinal eles são uma elite, um tipo de gente diferenciada que recebeu o convite do sheik. Que você nota não apareceu ainda. Mas, você espera logo chegará. Sabe como são esses bilionários e suas excentricidades. Chega a hora da sobremesa, olhares espantados se detêm sobre o servente, somente agora os convidados e você se dão conta que o servente é o sheik, desde o início ele estava ali, servindo todos à mesa. Mas, bem, gente rica tem dessas coisas. Se fosse pobre era maluco, rico é excêntrico!
                                 Então, o sheik para de servir e vem em sua direção. Um silêncio toma conta da mesa, de todas as pessoas naquela mesa o sheik vai logo falar com você? É isso mesmo, falar com você? Sim!  Olhares invejosos são lançados sobre você, dá para sentir como flechas transpassando seu corpo, você fica rubra? O sheik se aproxima lhe sorrir e então lhe diz: “Gostaria que se despisse de sua tão elegante roupa, de suas joias, desfizesse seu primoroso penteado, vestisse as roupas de serviçal e servisse a mesa comigo.” 

                             O que? Há um murmúrio, sorrisinhos. Você fica em choque. “O que?” o Sheik amavelmente faz o convite.

                             Qual a sua resposta? Talvez você pense: “esse homem não respeita minha posição social?” “Esse homem não sabe o quanto inteligente e sábio sou?” “Esse homem está a debochar da minha beleza?” “Esse homem não respeita meus cabelos brancos?” “Esse homem não sabe que político poderoso eu sou?” “Ela não sabe da minha fama?” “Está fazendo isso só porque sou mulher?”.
                             Mas, ele insiste amavelmente no convite: “Você poderia despir-se de toda sua elegância, suas joias, desfazer seu lindo penteado, e vestir-se como um serviçal e servir a mesa comigo?”.
O convite está feito: qual sua resposta?


Pois qual é maior: quem está à mesa, ou quem serve? Porventura não é quem está à mesa? Eu, porém, entre vós sou como aquele que serve.
Lucas 22.27


Entendimentos &Compreensões de
Candida Maria Ferreira da Silva
Assistente Social, Teóloga, Especialista em Infância
 e Violência Domestica pela USP. - Rio de Janeiro – RJ -
Candida é autora do Diárioblogcontosrecontos.blogspot.com.br