quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Da Sabedoria do Escritor
Antônio Figueiredo para
a Sala de Protheus

 
Dez Dias Para Refletir...!

 “...Uma Sociedade só é democrática quando ninguém for
tão rico que possa comprar alguém e ninguém seja
tão pobre que tenha de se vender a alguém...!”
Jean-Jacques Rousseau

                               Pela primeira vez em 25 anos marchamos para uma Eleição Geral na qual a “emoção” com certeza não influenciará o voto. Nenhum dos três mais importantes postulantes é “carismático” e muito menos representa um “pai/mãe dos pobres”, a Economia vai cambaleando e “nuncadantesnahistóriadestepais” o tema “corrupção” tem sido apresentado tão pútrido.
                               Desta vez o “senhor eleitor” não só deverá, como terá de votar com a razão e com isso não terá o escudo da “esperança” ou do “medo” e é nisto que reside e saúdo o ineditismo deste certame.
                              Quem espera que eu enverede pela análise das candidaturas, com certeza se verá frustrado, pois o único comentário que farei, é que vote no seu “candidato favorito”, pois será a única forma de conhecermos o “cacife eleitoral” dos “partidos cabeça”, principalmente PT e PSDB. O “voto útil” terá sua vez e lugar no “segundo turno”, que creio que ninguém duvide que venha a ocorrer.
                                Ainda que indiretamente é a oportunidade do eleitor demonstrar o seu amadurecimento, principalmente no tocante a se posicionar quanto à necessária e urgente Reforma Política, pois é a votação, que cada candidato receber, que certamente refletirá às formações de bancadas para as próximas legislaturas.
Explico-me melhor: Não resta a menor dúvida, que o atual sistema de representatividade esgotou seus recursos e isso ficou explícito no último debate promovido pela CNBB. A candidata Marina Silva (PSB) respondeu genericamente e apenas mencionando as manifestações de Junho 2013, repercutiu esses políticos não nos representam das ruas, ponderando que o atual “sistema político” não nos representa mais.
                                 Já o candidato Aécio Neves (PSDB) fez a defesa do “voto distrital misto”, sendo endossado por Eduardo Jorge (PV), mas lembrando, que Aécio omitiu uma bandeira histórica do PSDB, o Parlamentarismo. O Pastor Everaldo (PSC) defendeu o voto distrital puro. Entretanto, a surpresa da noite foi a afirmação de Dilma Rousseff (PT), que em “ato falho” defendeu a extinção do “voto proporcional”, para em seguida se corrigir e dizer, que se tinha que acabar com as “coligações proporcionais”.
                                Falou-se também, “au passant”, da multiplicidade partidária produtora de “partidos nanicos”, que tornam as “decisões políticas” um “balcão de negócios”, evidentemente não comentada pelos “minoritários presentes”. Aliás, é das “minorias”, que mais se trata neste país e evidentemente é porque nelas é que é mais fácil serem aplicados os “golpes e promessas utópicas”.
                               O mais interessante de tudo é que essas “minorias organizadas” têm “lideranças representativas”, que em vez de se apresentarem, como sempre tradicionalmente o fizeram como “opositoras”, hoje se alinham com o “governo”, que seria o responsável pela atenção às reivindicações. Os “excluídos das ações governamentais” tornaram-se “excluídos governistas profissionais”. Ou alguém consegue ver os MST, MTST e qualquer “M” organizado, como saídos das “reivindicações populares”?
                                 Hoje se constata, 50 anos depois, o que Zé Kéti clamando contra as “injustiças sociais”, (protesto contra as condições de vida nas favelas cariocas) da época, já profetizava: “Acender as velas, já é profissão...”. Hoje todas as grandes metrópoles do Brasil, de Manaus ao Chuí, se cobriram de favelas onde vivem alguns de milhões de brasileiros sob as mesmas ou até piores condições de 50 anos atrás, (não havia o domínio do tráfico de drogas, então), mas o movimento que repercute é o dos “Sem Teto”, que não congrega no Brasil todo mais de 10 mil pessoas.
                                  O MST, uma reedição grotesca e mais ousada das Ligas Camponesas, através de seu dirigente João Pedro Stédile ameaçou “com o inferno” a sociedade brasileira, caso a atual Presidente Dilma Rousseff não seja reeleita. É um “democrata de esquerda a la 1964”.
                                  E a luta pela Reforma Agrária? Bem..., é complicado o “assentamento” no campo sem a infraestrutura de shopping centers, smartphones, notebooks, supermercados sortidos e praças de alimentação. Em 2014 ninguém mais quer ser “Jeca Tatu”, (aquele do Biotônico Fontoura, cheio de “bicho de pé”), no Brasil, tomando-se por base a “assistência técnica” aos pequenos agricultores.
                                  Os tempos de “períodos de exceção” já estão muito distantes e a grande maioria dos eleitores brasileiros, se mal é capaz de se lembrar dos tempos de inflação, quanto mais do “tempo dos governos militares”. Como comentei recentemente, temos a comemorar pela primeira vez na História do Brasil 30 anos de “estabilidade e liberdades democráticas” e principalmente de “alternância democrática no Poder”.
                                     Isso é totalmente inédito em toda nossa história desde o início da República, que conta já 125 anos. Isso não é pouco e demonstra amadurecimento político. Portanto a “ameaça não tão velada” do Sr. Stédile não é aceitável e principalmente deveria ser severamente punida, por tratar-se de um “atentado expresso” aos princípios democráticos, utilizando-se das liberdades democráticas facultadas.
                                  
                           Talvez esse senhor, que prega abertamente a “luta armada”, cujo tipo de manifestação deveria merecer prisão com base na Lei de Segurança Nacional, pois se trata de ameaça ao “regime vigente”. Respalda-se na ojeriza à política pelo cidadão comum, mas se esquece de que existe uma instituição, que é a responsável pela garantia da lei, da ordem e dos poderes constitucionais, que certamente não faltará às suas obrigações constitucionais. Somos cidadãos relapsos e frouxos na preservação das instituições maiores e mais ainda, em defende-las ao não reconhecer as ameaças e chantagens feitas.
                                     Nunca em todos os tempos, toda e qualquer ideologia gozou de tanta liberdade de manifestação e organização. Até mesmo os Partidos Comunistas desde sempre proscritos estão legalizados duradouramente pela primeira vez na História. A Democracia Brasileira perdeu o medo de conviver e confrontar qualquer viés ideológico e muitos de nós gozamos do privilégio da convivência com muitos de seus seguidores, democraticamente.
                                    Isso só ocorreu porque a “via democrática” escolhida é unânime e por isso não há mais espaço para extremismos de qualquer coloração e o eleitor deve atentar neste momento de disputa eleitoral, quais “discursos” se prestam ao “interesse nacional” e quais aos “interesses particulares”.
                                        O importante neste momento é analisar com frieza quais candidatos, que não apenas prometem, mas que efetivamente tem a capacidade e autoridade para enfrentar os desafios imediatos da: I) redução das mortes por crimes e acidentes de trânsito, II) redução das mortes hospitalares, III) combater eficazmente o crime organizado das drogas, das polícias e da política e IV) reestabelecer a lei e a ordem com mão firme e usando todo o rigor da lei.
                                          É inaceitável, que a lei seja “pesada” apenas para os cidadãos “comuns e ocasionais” para os “criminosos oficiais”, pois a vida e a saúde dos cidadãos são os bens maiores de uma Nação, que se propõe a ser “justa e igualitária” segundo o mando constitucional.
                                          Não são 87 milhões de beneficiados por programas assistencialistas e isso afirmo a partir da Bahia, que tem 4 milhões de famílias incluídas, nem tampouco os noticiários denunciadores de escândalos dos jornais e muito menos “promessas incumpridas e requentadas”, que decidirão a sétima eleição consecutivamente “democrática e livre”. E que já afirmei ser motivo de grande celebração por estes últimos 25 anos, pois aí estão os números nas pesquisas a confirma-lo.
                                          O “Muda”, slogan de Campanha dos principais candidatos, não é uma concessão, mas sim uma exigência da sociedade iniciada nos protestos de Junho de 2013. As promessas de Dilma de um “novo Ministério”, de Aécio de “Mudança com Segurança” e de Marina de “Mudança com Nova Política”, independente do vencedor, deverá ser uma prática e não “mais uma promessa”.
                                         Estamos terminando com certeza um ciclo de 25 anos, uma “quarentena” compensatória aos 21 anos de Ditadura, de reaprendizado da “prática política” e assim como o último Governo Militar foi de “transição”, também agora “repetimos esse ano” nesse “pré-primário civil”, mas certamente nos “diplomaremos com louvor”.
                                       Não sei se “o tempo é o senhor da razão”, sei simplesmente que “é tempo de mudar”, pois assim o exige a Nação, ainda que alguns teimem em “ressuscitar mortos”, “recriar fantasmas” e “blefar”. A Revolução de 64 fez-se “pelo medo” aos “Grupos dos Onze” de Leonel Brizola, que presumivelmente reunia 1 milhão de ativistas. Deu no que deu.
                                       Leia a História, Sr. Stédile, pois usando um jargão tão usado por vocês, repetimos: No pasarón y no pasarán...
 
 
Das percepções e pesquisas de
Antônio Figueiredo – Entre Algum Lugar entre a Bahia e São Paulo
Economista, Escritor, Empresário, Militante Apartidário Parlamentarismo e Voto Distrital Puro. Ex - Ativista Movimentos Sociais Católicos/ Metalúrgico/ Estudantil (1961/73). Operário da Cidadania