sábado, 20 de setembro de 2014


Amor e uma Ilha!
- Você Acredita Nisso?

 
“... A loucura é uma ilha perdida no oceano da razão...!”
Machado de Assis.

                                        O amor nasce subitamente, sem qualquer reflexão, por temperamento ou por fraqueza: um traço de beleza o provoca, o desencadeia. Pelo contrário, a amizade se forma aos poucos, com o tempo, com o hábito, com uma longa convivência. Quanta inteligência, bondade, dedicação, quantos serviços prestados, quanta condescendência são necessários para conseguir em muitos anos do que às vezes num momento se consegue um rosto lindo ou uma bela mão.
É assim que Jean De La Bruyére, em Caracteres, inicia a descrição sobre o coração.
                                      Em Ecce Homo, Por Que Sou Tão Esperto, no parágrafo 10, meu pensador preferido Nietzsche diz: Minha fórmula para a grandeza no homem é amor fati: não querer nada de outro modo, nem para diante nem para trás, nem em toda eternidade. Não meramente suportar o necessário, e menos ainda dissimulá-lo – todo idealismo é mendacidade diante do necessário -, mas amá-lo”. Ou o amor ágape, dos gregos. Você escolhe.
                                      Desde os pré-socráticos até os pensadores e filósofos modernos... Todos... Sim todos, de uma forma ou outra, tentaram definir o amor.
Shakespeare foi um dos que enfatizaram que o amor ideal é dois seres em uma ilha.
E nós... Pobres ignorantes das coisas do coração... Levamos ao pé da letra, de que teríamos que achar uma ilha e lá com nosso ser adorado viveríamos a perfeição de uma vida a dois.
Pobres mortais modernos que julgarem ser significantes ao pensarem terem achado significado. Enganamo-nos com uma “perfeição” que beira a uma “loucura impensada”.
                                         A metáfora tão necessária dos pensadores antigos... Sim hoje parece que para todos... Pensar Dói... Continuamos a: primeiro encontrarmos o ser perfeito... E, em seguida, procurar uma ilha... Para lá viver, de fato, o grande amor... Uma vida inteira de perfeito amor a dois.
Como nos tornamos pequenos com o tempo... Como confundimos a razão com as coisas do coração...
                                         O que os pensadores quiseram deixar, ao pensarem, idealizarem desta forma, uma espécie de “fórmula” para que não errássemos tanto na vida a dois... Que pudéssemos colocar para fora tudo o que existe em nosso coração lotado de tanto amor... E na maioria das vezes não sabemos o que fazer com ele. E desta forma, o transferimos para o primeiro ser “bonito” que aparece na nossa frente... Mesmo que depois venhamos a descobrir que aquela beleza é somente exterior... Nada foi descoberto naquele interior... E nos decepcionamos conosco mesmo... Como erramos tanto ao amar alguém? Por que não consigo ter “sorte” no amor? O que há de errado comigo.
                                           Nas entrelinhas vejo e sinto isso todos os dias, na vida real e nas redes sociais – este método moderno - de tentativa de erro e acertos na procura de alguém... Que logo achamos atrás de um perfil “bonito”, não importa o que está do outro lado... Há uma tendência natural de aceitarmos tudo o que vier daquele “rostinho bonito”.
                                       Quanta ignorância criamos quando deveríamos apenas ter sentido cada palavra... Cada reticência do que nos foi ensinado direta ou indiretamente. O amor e uma ilha nada mais é do que você passar as fases necessárias do seu coração como descreveu o próprio Nietzsche, depois de ter se apaixonado por Lou Salomé... E morrido em consequência de não ter visto uma conclusão... Logo ele que tinha tanta definição... Tanto conceito... Mas, nada de prática, de uma busca, de uma virtude que estivesse além do simples “olhar o belo”.
Deixou dito ele: Paixão é uma tempestade... Vem... E logo termina. Se sobrar algo é amor... O amor é uma estação... Vem, tira-se o máximo daquele tempo... Mas também passa... Se sobrar algo é apenas sentimento... Este por sua vez poderá durar vários meses... Mas estes também passam e querem mais... Se sobrar algo então é afinidade... Esta também pode ter seu tempo finito... Mas se sobrar algo então você encontrou a Incondicionalidade. E somente a partir daqui dois seres podem utilizar a grande convivência a dois para tirar o máximo que cada um pode ofertar ao outro. Mas somente até uma tênue linha. Esta é a linha da preservação do próprio eu. Desta linha não há necessidade de passar.
                              Esta ilha é qualquer lugar que você vá viver com seu amor... Um local, uma casa... Um quarto... Não importa a descrição... Em meio a uma grande capital, ou então no campo. Se você conseguir manter este amor dentro da sua “ilha” particular, não deixar nada, nem ninguém penetrar então você conseguirá sobreviver com o amor de sua vida.
                            Em um pequeno livreto chamado Assim Falava Zaratustra, Nietzsche achou a maneira de colocar tudo o que sabia e sentia com uma sabedoria iluminada e poder deixar registrado. Pois a sua época se falasse daquela maneira, seria tranquilamente tachado de louco.
                           Neste pequeno livreto, no capítulo da Redenção disse ele: Aprender a amar nosso destino, encontrar beleza no necessário. Dizer sim à vida, porque só ela que existe e somente ela traz valor em si mesma. Esta lição serve tanto para momentos de felicidade como para momentos de desespero. Transformar o “foi assim” em “eu quis assim” dá um sentido próprio ao que aconteceu”.
                               Então significa que existe e você pode encontrar e viver um amor em uma ilha?
                                                                     Sim existe, basta você construir a ilha ideal que sirva aos dois... Em qualquer lugar e nunca... Mas, nunca mesmo, deixar ninguém penetrar, entrar, passear, utilizar esta “ilha”, este local onde o amor jorra é somente de dois seres.. Se houver mais seres não será amor... Transformar-se-á em amizade... E existe amizade no amor, pois existe confiabilidade, honestidade, retidão, lealdade... Exatamente como na amizade. Mas existe aquele algo mais que somente um olhar conhece... Então há necessidade de nada dizer... Só de estar... Ficar... Permanecer... Muitos momentos... Juntos.
                                  O jovem padre Fábio de Mello, com sua sabedoria de uma beleza infinita deixou dito em sua Liturgia do tempo: “Se você quiser saber se o outro te ama de verdade, é só identificar se ele seria cabaz de tolerar a sua inutilidade...”.
                            Ah, mas você poderá dizer: O que um padre sabe sobre o amor se ele tem que ser casto?
Talvez eles, os sacerdotes, saibam muito mais do amor, exatamente por serem castos... Por usarem a razão para buscar as verdadeiras coisas do coração e não do corpo físico. Esta separação, quem sabe, não seja uma das razões para eles, os sacerdotes (de todas as religiões) pensarem, falarem e praticarem tanto o amor Fati, como disse Nietzsche no trecho acima... Ou o amor incondicional, também dele.
                        Não deixe o tempo que fortalece as amizades enfraquecerem o amor.  Não deixe ninguém intrometer-se naquilo que é conquistado e reservado somente a dois.
Pensar não dói... Mas se você não usar o coração com a razão para amar... Bem, tenha certeza aí sim vai doer muito.
Existe amor e uma ilha? Sim. Existe. Cabe a você encontrar ambos.
Somente você.  Por que todos os acontecimentos se inserem numa ordem causal da natureza, assim como você, portanto, nada poderia ter acontecido de outra forma, nada poderia ter sido diferente, não adianta lamentar-se. 
Faça um favor a si mesmo... Ame mais...
Simples assim...

 
Dos entendimentos & compreensões da vida
Das observações diárias dos seres
Das perguntas diárias que recebo
Apenas um eterno aprendiz