quinta-feira, 5 de setembro de 2013

“ A Cultura de Nossos `Políticos`!”
- E Nossa Pseudo Educação -




Quem és tu que queres julgar,
com vista que só alcança um palmo,
coisas que estão a mil milhas?
Dante Alighieri – Poeta e escritor Italiano – 1290 -


Recebo de minha amiga e guerreira Beth Dalmeida, uma noticia para corar de vergonha. Bem, ao menos para aqueles que ainda têm a tal de “vergonha na cara”,
Sim, uma entrevista efetuada por um dos maiores jornais do país, com o Marcola, o Líder do PCC, de maio deste ano, do segundo caderno, da primeira edição, página 8.

Não estou fazendo apologia a um bandido, condenado pela justiça brasilesa por seus crimes. De forma alguma. Mas posso compará-lo aos nossos governadores e quase a totalidade dos políticos deste país.

O traficante, afinal este foi o crime que ele cometeu segundo a justiça, parece conhecer, de dentro de uma prisão, muito mais os problemas que os brasileses enfrentam do que os ditos políticos muito bem pagos, com nosso dinheiro, e não por competência deles, salvo raríssimas exceções – quem souber de alguma me avise, para não cometer nenhuma maldade com um “bom politico”-.
Estamos todos no inferno. Não há solução, pois não conhecemos nem o problema.

O repórter mandando pelo Jornal pergunta a certa altura da entrevista se ele é do PCC. Sua resposta:

- Mais que isso, eu sou um sinal de novos tempos. Eu era pobre e invisível… vocês nunca me olharam durante décadas… E antigamente era mole resolver o problema da miséria… O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias… A solução é que nunca vinha… Que fizeram? Nada. O governo federal alguma vez alocou uma verba para nós? Nós só aparecíamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre a “beleza dos morros ao amanhecer”, essas coisas… Agora, estamos ricos com a multinacional do pó. E vocês estão morrendo de medo… Nós somos o início tardio de vossa consciência social… Viu? Sou culto… Leio Dante na prisão…

A propósito quantos de nossos governadores e políticos sabe quem foi Dante Alighieri? Ou melhor, ainda quantos de nossos formados na universidade sabem?
Um traficante, preso, condenado, não somente lê como cita Dante em italiano,
Mas o repórter do jornal, um pouco com medo, não do traficante, acredito que estava mais receoso era de sua cultura alcançada enquanto preso, ousa perguntar a solução para um presidiário.
A resposta é de fazer inveja até para o mais inteligente dos governadores. A proposito quem é ele mesmo?

- Solução? Não há mais solução, cara… A própria ideia de “solução” já é um erro. Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio? Já andou de helicóptero por cima da periferia de São Paulo? Solução como? Só viria com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com um governante de alto nível, uma imensa vontade política, crescimento econômico, revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de ser sob a batuta quase que de uma “tirania esclarecida”, que pulasse por cima da paralisia burocrática secular, que passasse por cima do Legislativo cúmplice (Ou você acha que os 287 sanguessugas vão agir? Se bobear vão roubar até o PCC…) e do Judiciário, que impede punições. Teria de haver uma reforma radical do processo penal do país, teria de haver comunicação e inteligência entre polícias municipais, estaduais e federais (nós fazemos até conference calls entre presídios…). E tudo isso custaria bilhões de dólares e implicaria numa mudança psicossocial profunda na estrutura política do país. Ou seja: é impossível. Não há solução.
Não esqueçam que o repórter é jornalista, portanto saiu de uma universidade. Sim destas que dão diploma e que os grandes jornais contratam, faz outra pergunta mais idiota que a primeira: Se o traficante tem medo de morrer?
A resposta do traficante:
- Vocês é que têm medo de morrer, eu não. Aliás, aqui na cadeia vocês não podem entrar e me matar… mas eu posso mandar matar vocês lá fora…. Nós somos homens-bomba. Na favela tem cem mil homens-bomba… Estamos no centro do Insolúvel, mesmo… Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira da morte, a única fronteira. Já somos outra espécie, já somos outros bichos, diferentes de vocês. A morte para vocês é um drama cristão numa cama, no ataque do coração… A morte para nós é o presunto diário, desovado numa vala… Vocês intelectuais não falavam em luta de classes, em “seja marginal, seja herói”? Pois é: chegamos, somos nós! Ha, ha… Vocês nunca esperavam esses guerreiros do pó, né? Eu sou inteligente. Eu leio, li 3.000 livros e leio Dante… mas meus soldados todos são estranhas anomalias do desenvolvimento torto desse país. Não há mais proletários, ou infelizes ou explorados. Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivado na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias, como um monstro Alien escondido nas brechas da cidade. Já surgiu uma nova linguagem. Vocês não ouvem as gravações feitas “com autorização da Justiça”? Pois é. É outra língua. Estamos diante de uma espécie de pós-miséria. Isso. A pós-miséria gera uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, satélites, celulares, internet, armas modernas. É a merda com chips, com megabytes. Meus comandados são uma mutação da espécie social, são fungos de um grande erro sujo.

O pior de tudo é que o tal de repórter faz para o traficante perguntas que nem os governadores teriam respostas.  Mas o traficante  tem quando perguntdo: O que mudou nas periferias?
- Grana. A gente hoje tem. Você acha que quem tem US$40 milhões como o Beira-Mar não manda? Com 40 milhões a prisão é um hotel, um escritório… Qual a polícia que vai queimar? Mas a mina de ouro, tá ligado? Nós somos uma empresa moderna, rica. Se funcionário vacila, é despedido e jogado no “micro-ondas”… ha, ha… Vocês são o Estado quebrado, dominado por incompetentes. Nós temos métodos ágeis de gestão. Vocês são lentos e burocráticos. Nós lutamos em terreno próprio. Vocês, em terra estranha. Nós não tememos a morte. Vocês morrem de medo. Nós somos bem armados. Vocês vão de “três oitão”. Nós estamos no ataque. Vocês, na defesa. Vocês têm mania de humanismo. Nós somos cruéis, sem piedade. Vocês nos transformam em superstar do crime. Nós fazemos vocês de palhaços. Nós somos ajudados pela população das favelas, por medo ou por amor. Vocês são odiados. Vocês são regionais, provincianos. Nossas armas e produto vêm de fora, somos globais. Nós não esquecemos de vocês, são nossos fregueses. Vocês nos esquecem  assim que passa o surto de violência.

Mas fica  pior  as perguntas do dito repórter. Se for o chefe dele, já teria feito a mesma coisa da resposta acima.
O ser de pouco cérebro pergunta para um presidiário: Mas o que devemos fazer?

- Vou dar um toque, mesmo contra mim. Peguem os barões do pó! Tem deputado, senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai nas paradas de cocaína e armas. Mas quem vai fazer isso? O Exército? Com que grana? Não tem dinheiro nem para o rancho dos recrutas… O país está quebrado, sustentando um Estado morto a juros de 20% ao ano, e o Lula ainda aumenta os gastos públicos, empregando 40 mil picaretas. O Exército vai lutar contra o PCC e o CV? Estou lendo o Klausewitz, “Sobre a guerra”. Não há perspectiva de êxito… Nós somos formigas devoradoras, escondidas nas brechas… A gente já tem até foguete antitanques… Se bobear, vão rolar uns Stingers aí… Pra acabar com a gente, só jogando bomba atômica nas favelas… Aliás, a gente acaba arranjando também “umazinha”, daquelas bombas sujas mesmo. Já pensou? Ipanema radioativa?
E o traficante encerra citando Dante em italiano para nossa vergonha.
Sabem por quê? Porque vocês não entendem nem a extensão do problema. Como escreveu o divino Dante: “Lasciate ogna speranza voi cheentrate!”  Percam todas as esperanças. Estamos todos no inferno.

Será que o digno ministro da Educação chegou a ler esta entrevista? Algum Governador? Algum Político? E não ficaram com vergonha e entregaram seus cargos?
Nos, povo Brasiles, temos que parar com a mania de colocar incompetentes nas áreas públicas. Não dar poder para quem não tem cérebro, parafraseando Maquiavelli, e que se locupletam com o dinheiro público e ainda nos chamam de idiotas.

Ou damos um basta de uma vez por todas, ou mesmo doendo, vou dizer o Senhor  Marcola, tem razão. Ele pode ser um condenado, mas é mais inteligente que a grande maioria dos políticos que conheço.
Ele sabe que pensar não dói... Já nossos políticos... Que vergonha

Em tempo: os erros da língua portuguesa colocados pelo repórter no jornal foram corrigidos. Até isso,


Leituras & Compreensões da Madrugada
Publicado no Grupo Kasal – Vitória – ES

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