terça-feira, 8 de abril de 2014


O Escritor e Amigo Toni Figueiredo
É o Convidado especial da Sala de Protheus!

 


“Memórias de Abril!”
– A Mentira Meio Centenária –
 

 

 
Não é por acaso ou coincidência, que retomo os escritos nesta data de 1º de Abril, sempre levada em conta mais como a do “dia da mentira”, mas certamente “portão de entrada” para o Brasil Moderno.

Vou pela via estreita da polêmica embasada em uma discussão honesta e lógica sob as luzes do tempo apropriado, suas normas e consequências esperadas em busca do definitivo “balanço pacificador” de uma discussão meio centenária, ainda que alguns “calos doloridos” se sintam pisados.

Aos muito poucos, aos quais interessa ficar definitivamente “acocorados” e cuja única solução aceita é a que calce perfeitamente “seu manequim ideológico e o dos seus propósitos”, minhas sinceras condolências. São desonestos, tanto os que se baseiam em conceitos contemporâneos de DDHH para julgar os casos de tortura e mortes ocorridas, quanto os que sadicamente torturaram por “dever de ofício” na assessoria aos “herdeiros tenentistas”, a partir do AI-5. Nenhum deles lutava pela Democracia. Uns totalitários de Esquerda, outros totalitários de Direita.

A manutenção desse “Holocausto Revolucionário”, uma “justificativa democrática esquerdista” de hoje para a atuação extremista de ontem, atribui uma falsa relevância e importância para a construção do Moderno Estado Brasileiro e objetiva somente impor à sociedade uma “dívida de guerra” em pensões e indenizações em quantidade nada desprezível e moralmente desonesta, pois não faz jus à memória dos muitos idealistas, que se envolveram e morreram na luta armada gratuitamente.

Respeitem-se os mortos dos dois lados, pois uma “escolha ideológica” não se julga. É foro íntimo. Daí meus respeitos à considerada última geração da “juventude idealista, inflamada e transformadora dos anos 60/70, em todo o mundo, expressa na rebeldia do rock’n’roll e ideologia”. A troca desta por sexo e drogas foi das gerações seguintes, que dormiram sobre os louros e tumbas gloriosas daquelas gerações e agora cobram um “aluguel”.

Ao contrário do que se tenta fazer crer hoje a repressão a partir de 1967 não foi aceita com mutismo social. Muitas foram às vozes que se levantaram pelas vítimas, uma grande maioria imbuída do “espírito nacionalista” de então, contra os muitos casos de selvageria sarcástica explícita e com motivação pessoal, tanto da parte da oficialidade militar, quanto do “famigerado” Delegado Sérgio Fernando Paranhos Fleury.

Atuante inicialmente no Esquadrão da Morte que dominou São Paulo nos anos 70 justiçando bandidos convenientemente foi requisitado pelos Órgãos da Repressão, (DOPS-SP), pela extrema eficácia dos seus métodos no trato de bandidos comuns, quem foram transferidos aos presos políticos. Acabou “convenientemente afogado” nas águas de Ilhabela-SP em 1979 e especula-se que por “ordens superiores” por seu enriquecimento e corrupção oportunistas.

É dessa época a destemida atuação dos Promotores Públicos Dirceu de Mello e Hélio Bicudo, este um verdadeiro campeão e paladino dos DDHH.

No “lado golpista” foram muitos também os “especialistas” e seus excessos que foram punidos dentro do próprio Código Militar, como o ocorrido na morte de Manoel Fiel Filho no DOI-CODI-SP e que custou a “cabeça” do Comandante do II Exército, Gal. Ednardo D’Ávila Melo, responsável também pelas mortes de Wladimir Herzog e outros, (1976), para mencionar os mais conhecidos, por ordem do Presidente Ernesto Geisel, reconhecidamente o mentor da Abertura Política Gradual, mas que mostrou-se impotente em combater o “corporativismo dos porões da ditadura”.

 Imputar à Revolução a invenção do pau de arara, sessões de choque e afogamentos é desconhecer os procedimentos policiais, que sempre foram corriqueiros nas delegacias de Polícia, desde os tempos de Vargas e Felinto Muller no Estado Novo.

Pois bem, quem se metia em um “processo de insurgência” sabia perfeitamente dos seus códigos e o “custo da fatura” vigente e que foram largamente utilizados tanto pelo Capitalismo como pelo Comunismo. A Convenção de Genebra nunca reconheceu os direitos dos “Exército sem Uniformes”, assim como, por essa mesma razão, nunca se manifestou sobre as execuções sumárias de prisioneiros por “exércitos não regulares” e por Regimes Revolucionários, que se instalaram no Poder.

Era a chamada “guerra suja” e por isso “suja” para todos. Não existiu qualquer diferença de tratamento entre as masmorras do Estado Novo de Getúlio Vargas, na Intentona Comunista, no Regime Militar do Brasil. Idênticos procedimentos foram utilizados no Uruguai, Argentina, Chile e Peru, bem como na Revolução Cultural de Mao na China, na Castrista em Cuba.

 E na Guerra do Vietnã. Che Guevara é hoje chamado de criminoso, contudo pelas “regras” da época, jogava com o regulamento embaixo do braço, como dizemos no futebol. A guerra de guerrilhas não mantinha campos de prisioneiros e nem tampouco hospitais, assistência da Cruz Vermelha e observadora da ONU. A tecnologia e experiência dos métodos da Inquisição prevaleceram desde a Idade Média.

No século XX, a princípio foi o Nazi/Fascismo e depois a Guerra Fria quem definiu territórios e influências, mas foi nos anos 60, após o “descuido cubano”, que os USA estabeleceram que fosse inaceitável que o Comunismo fizesse novas “cabeças de ponte”, no Continente e que “via Cuba” exportasse sua Revolução financiada pela URSS, que financiava Cuba.

 Enquanto a CIA teve fortíssima atuação junto aos Governos Latino Americanos, da mesma forma que KGB teve fortíssima influência no Leste Europeu, absorvendo países satélites de cultura “não Eslava” e internamente com mão de ferro sob Stalin. A China, ainda que fora dessa “rivalidade”, também estendeu seus “tentáculos de influência” ao Laos, Camboja e Vietnã.

Cada qual cuidava do seu “terreiro” e foi assim no “affair”, que a tentativa de instalação dos foguetes soviéticos em Cuba em 1961 foi obstada pelos USA forte e militarmente, mas que nas invasões de Hungria e Checoslováquia pela URSS, passivamente condescendentemente mantiveram-se à distância. Era o poderio nuclear dissuasório e intimidadores mútuos.

Para melhor entender o Golpe de 1964 é importante entender o equilíbrio das forças políticas de então. Nas Eleições de 1960, Jânio Quadros saiu vencedor por 48% dos votos impondo uma derrota esmagadora a Adhemar de Barros e ao Marechal Lott. Contudo, o Vice Presidente João Goulart (PTB) foi eleito com apenas 36,1% dos votos, contra 33,7% de Milton Campos (UDN). A eleição foi garantida pela diferença de votos no Rio Grande do Sul, que teve como vencedor Fernando Ferrari (MTR), que já havia derrotado Jango Goulart e Leonel Brizola em pleitos anteriores.

Como se pode verificar, o “espólio varguista” sempre teve muita briga de “herdeiros” no Rio Grande do Sul. A maioria do Congresso era composta por PSD/UDN.

Na primeira fase do golpe ocorreu uma Intervenção Militar comemorada em inúmeras manifestações de apoio em todo país e que deveria ter os dias contados até as Eleições Gerais de 1965, por acordo mútuo entre o Gal Castelo Branco e os partidos opositores a Jango Goulart, basicamente PSD, PSP e UDN, ou seja, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Ocorreram apenas cassações de mandatos parlamentares e a repressão foi praticamente nula.

Contudo, pela “quebra do acordo” e a ascensão de Costa e Silva e a edição do AI-5, a intervenção transformou-se em Golpe Militar, que fez recrudescer os protestos por Democracia e a atividade guerrilheira. Com isso o número de baixas começou a crescer: entre os “guerrilheiros de esquerda” 356 mortos e desaparecidos e 6.016 denúncias de torturas. Entre as “forças do Golpe” foram 119 mortos.

Hoje a “Esquerda” se esquece de descontar da sua “cota” uma quantidade muito grande de “vítimas democráticas”, (não esquerdistas/nacionalistas), que estão incluídos nos números acima[AF1] , que pagaram o mesmo preço pela militância, ainda que não violenta. Mas ainda assim, se considerarmos uma população de 75 milhões de brasileiros na época, esses números dão a exata proporção da “força revolucionária” da contrarrevolução de então e demonstra que desde a Intentona de 1935, o Comunismo continuou a ser uma “filosofia estranha” e pouco empolgante do pensamento político brasileiro.

Decorridos 50 anos, hoje temos um arcabouço legal devidamente sedimentado e negociado entre todas as forças e tendências políticas, inclusive as “forças de esquerda”, que gerou o “Pacto Social de Pacificação”, representado pela Lei da Anistia Ampla, Geral e Irrestrita de 1979, para que “judicialmente” se busque a solução de todas essas pendências. O que é inaceitável é que uma minoria tente fazer prevalecer a sua “visão particular da História”, por dispor de maior força política momentânea e queira fazer refém toda a Sociedade, como que imputando-lhe um “complexo de culpa” pelos desmandos de um período autoritário e no qual fracassaram na “tomada do Poder”.
 
 

 Essa “devassa histórica”, que necessitamos, deve ser feita para escrever com “letras limpas” todos os períodos obscuros na nossa História, que são muitos e a sua grande maioria, mitologizada com heróis forjados e outros reais omitidos, conveniente e seletivamente, para sabermos quem efetivamente e que contribuição patriótica deu para a “nossa construção cidadã”.

 Nossos Panteão e História Nacional mudam ao sabor dos modismos ideológicos e pragmáticos.

Uma Comissão da Verdade Verdadeira Ampla, Geral e Irrestrita não pode esquecer que existem dezenas de milhares de torturados e desaparecidos de sempre nas “cadeias e periferias públicas” desde a Abolição da Escravidão. Destes ninguém cuida e lhes oferece uma solução definitiva de inclusão social, econômica e política, apenas “assiste-os a caridade pública” do bolsismo e cotismo, por serem pretos, putas e pobres, militantes históricos do Partido dos Excluídos, que é a maioria nacional.

Essa é a “fatura”, que a República enrola e empurra com a barriga, quem sabe até o dia em que uma “guerra civil” venha resgatá-la... Aliás, não seria isso o que vemos na grande maioria das metrópoles brasileiras?

Atribui-se tudo à “droga” e eu concordo... À “droga da maioria dos políticos”.

POR QUÊ?
 

Das percepções e pesquisas de
Antonio Figueiredo – Entre Algum Lugar entre a Bahia e São Paulo
Economista, Escritor, Empresário, Militante Apartidário Parlamentarismo e Voto Distrital Puro. Ex - Ativista Movimentos Sociais Católicos/ Metalúrgico/ Estudantil (1961/73). Operário da Cidadania.