quarta-feira, 30 de abril de 2014


Da Sabedoria do Escritor e Amigo Toni Figueiredo
Especial da Sala de Protheus!

 

“... Dê-Me A Honra...!”

 

 
“... A maneira mais fácil e mais segura
de vivermos honradamente,
consiste em sermos, na realidade,
o que parecemos ser...!”.

 

Sócrates

                      Há 40 anos o amigo Rogério Gallupo, que era Promotor de Justiça, mas que nas hostes rotaryanas do BH-SERRA tinha fama de ser um “grande promotor de bagunça”, contava uma história folclórica dos antepassados de Ivo Pitanguy na sua Curvelo-MG. O velho avô numa das muitas brigas domésticas do casal disse a sua mulher: “Quando te conheci v0cê era bonitinha e usava um vestidinho de chita barato e debaixo dele uma “honrazinha” muito da duvidosa”.
Ao contrário do que muita gente pensa, a honra não é uma virtude, mas tão simplesmente, “um louvar”, “um homenagear”, ou seja, é um “ato de respeito” à tradição ou a um passado individual ou coletivo.

Assim, “honrar” pode ser tanto para o que é bom, quanto ao que é ruim. Na antiguidade, (hoje também), existiam famílias que viviam do roubo nas estradas, (hoje dos cofres públicos) e com certeza a nova geração que se dedicava ao mesmo fim, estaria “honrando os antepassados”.
Roubar é também um ato. O “ato de subtrair” algo material existente e até mesmo um “bem imaterial futuro”.

Rouba-se dinheiro, ouro, prata, esperanças, direitos e etc. Roubou Caim, roubou Jacó, roubam as megapotências ao impedir aos “menos desenvolvidos” o seu direito à autodeterminação, como rouba o vereador daquele municipiozinho “prá lá de Deus me livre” a verba da merenda escolar e da educação.
Talvez não exista assunto de maior discussão e repercussão do que esse no Brasil. Alguns comprovados, outros suspeitos e outros ainda apenas imputados sem prova e nestes rouba-se a “verdade”.
Com todos nivelados por baixo é mais fácil fazer política e já que todos roubam, qualquer um que for eleito fará exatamente o que dele se espera: roubará. Existem os que “rouba, mas faz” e existem aqueles que apenas roubam sem qualquer retribuição. Entre políticos apenas o “furto” é proibido... Coisa de gentalha de periferia.

Há 60 anos falava-se da meia dúzia de chevrolets do Adhemar, depois, a 50 anos, de alguns hectares do Lupion, até que entrou em cena o Maluf nos anos 70 e ai começou a se falar em milhões... De dólares.
 Hoje quem falar em menos de bilhões, é expulso da rodinha. Nunca dantes na história deste país o escárnio foi tão grande e o assalto aos cofres públicos tão intensos e não me refiro exclusivamente aos cofres federais. E pensar que se gastou uma revolução com isso. Parece que só serviu como um fermento retardado e fortalecido.

O que mais me causa espanto é que o Brasil tem uma das instituições mais bem aparelhadas do mundo para controlar esses fluxos financeiros ilegais. A Receita Federal do Brasil, graças ao nosso histórico de enriquecimentos ilícitos, transferências milionárias de recursos ilegais, sonegação fiscal, corrupção endêmica e sinais de riqueza aparente através do COAFI e das DECLARAÇÕES DE RENDA tem como rastrear tudo isso.
 
 
Todos os anos são milhares de “contribuintes espertinhos”, que acabam retidos na “malha fina”, o que quer dizer que a rede do Ministério da Fazenda é feita para pegar só “lambaris”, que nadam em águas rasas da superfície, enquanto os “peixes grandes” que nadam nas profundezas dos cofres públicos escapam dessa malha.
A forma de justiça mais urgente dos tempos de hoje é que todos tenham tratamento igual nos maus feitos financeiros e vejamos respeitado nosso dinheiro arduamente ganho e “entregue” em impostos.

Afinal o dinheiro é a mola propulsora de tudo, inclusive da miséria.
Quero ver “peixe velho e grande enrolado em jornal novo”.

Para meu admirado amigo Antônio Figueiredo... Pensar não dói!
E você?

 

Das percepções e pesquisas de
Antônio Figueiredo – Entre Algum Lugar entre a Bahia e São Paulo
Economista, Escritor, Empresário, Militante Apartidário Parlamentarismo e Voto Distrital Puro. Ex - Ativista Movimentos Sociais Católicos/ Metalúrgico/ Estudantil (1961/73). Operário da Cidadania