domingo, 31 de agosto de 2014



“... Quer Mesmo Ser Professor...?”

 



... É isso, não vou entregar os pontos
Vou procurar o valor de X
Buscar mais adjetivos
Aprender com o que já fiz...!”

 

Da Obra do mesmo título acima

de Monica Raouf El Bayeh

 

"Todo professor deve ter um pouco de ator"

Ariano Suassuna.



                                 Amava quando meu ídolo, Rubem Alves em falar do processo da educação, afirmava:

“... Sem tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em lugares onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte... Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: "as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos". “Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...”.

                                 Para quem pega, em mãos, a nova obra literária de Mônica Bayefeis aqui seu “quinto” filho literário -, pelo título, espera encontrar um verdadeiro manual para todo aquele que tem em seu âmago um dia ser professor, ou então como ser um melhor professor.

Novamente um engano.

Aliás, como diz minha mestra literária e minha fonte de pesquisas na literatura, a mineira e também professora Claudia Ezdgidia de Carvalho:Mônica já deveria estar no “hall” dos grandes escritores nacionais. Não é possível – Continua Claudia – (...) que uma escritora e poetisa do talento de Mônica ainda não tenham uma divulgação de acordo com seu talento”.

                               Confesso sem o conhecimento profundo de minha mestra que também não sei. Aliás, penso que sei: Em um país onde não se valoriza a cultura e a educação como o nosso não poderíamos esperar nada de diferente. É tudo na base do: “(...) quanto mais ignorante for melhor...”. Triste constatação de governos – em todos os sentidos – Do nacional ao municipal. Da União aos Estados não valorizem os verdadeiros talentos puros, e ainda desconhecidos deste imenso Brasil.

                           Ao conversar com o meu Mestre em Linguística e Simbologia, Professor Nelson Valente, aliás, o grande mentor e “navio” que serviu para “levar” todo o talento de Mônica ao grande público brasilês, dialogávamos sobre a missão de fazer com que verdadeiros e natos talentos como a escritora e poetisa, nossa amiga, deveriam ter seu “lugar ao sol” e através de sua genialidade chegar a tantos seres necessários.

                         Mônica, como já se afirmou, em crônicas anteriores faz uma espécie de estilo “confessionalismo” – um estilo muito raro no Brasil. Mais conhecido na Europa e Estados Unidos.

Ela se baseou nestes grandes literatos para sua poesia e escrita?

Não. Mônica é natural. Um talento nato.

                       Muito vem de sua riqueza cultural... Somado ao fato de ser uma psicóloga e, principalmente, uma professora em diversas áreas, ensinando inclusive línguas como o francês. Sua origem genética tem muito a ver com seu talento.

Mas e o livro? E a nova obra de Mônica?

                        Bem, como sempre é tudo, novamente ao contrário do que o simples leitor espera ao ver a capa de uma de suas obras.

                        Ela conta exatamente o que um professor enfrenta em sala de aula, através de seus próprios exemplos.  As “armadilhas” que escapa de todo tipo de aluno. Como por exemplo:

                          Ela trabalha com a mesma linguagem do aluno. Mesmo, acredito que enfrentando “verdadeiras batalhas interiores” que seu lado de psicóloga ajuda, mas nem sempre explica. Ah, Freud...

Com uma aluna:

-Minha mãe está grávida.

- Que legal! Está feliz?  - claro que a pergunta é de Mônica.

-Muito. Vi o exame do bebê em posição “fecal”.

- Quer merda, né?

Ops: linguagem inapropriada? Para os padrões do MEC, muito acima do que eles próprios estão acostumados.

É isso que, por incrível que pareça, Mônica consegue fazer em sua nova obra:

Sim. Transformar em sorrisos verdadeiros “pesadelos” de sala de aulas, entrecortadas por poemas – todos de professor na prática – com crônicas que são acontecimentos de suas aulas.

De faculdade?

Engano novamente. De uma escola comum. Daquelas estaduais do Rio de Janeiro. Sim, pode ser do tipo que você esteja pensando agora.

Mas, Mônica em vez de perder as “estribeiras” (para cavaleiros (e não cavalheiros) como o gaúcho quer dizer: (estribeira) estribo usado pelo cavaleiro que monta à gineta (com estribos curtos, sela e arreios adequados); correia que prende o estribo ao arreio).  Ou seja, continuar “cavalgando” sem perder o equilíbrio. E deixa dito ao final de um poema:

Ver tudo acaba cansando

Ouvir demais já não é preciso

Menos às vezes é mais

Nesse caso, prejuízo.

Poderá achar até engraçado. Mas eis nossa realidade brasilesa. Aqui narrada pela professora Mônica:

 - Qual nome de seus filhos? (aluno perguntando a profe Mônica)

- Pedro e Maria.

- Engraçado, rico gosta de nome de pobre. (para aluno professora é sempre rica).

Mônica em sua infinita sabedoria e iluminação perguntam, ao aluno:

-O que é nome de pobre, Wildson?

-Assim, João, Ana, José, Pedro, Maria....

- E de rico, como é?  - indaga a professora Mônica:

-Chique, assim: Jéssica, Wedson, Weviton  Uoston, Kerolyn,  entendeu?

- Claro...




                             Assim de pequenas doses homeopáticas (duras, é verdade) a escritora Mônica mostra como é seu dia de professora.

                             E o incrível é que para ela – Mônica – Tudo vira em poesia... Tudo se transforma em crônica poetizada... Ah, espíritos elevados que conseguem ver na ignorância a singeleza dos seres.

Ah, professores de alma nobre que consegue, mesmo com o martírio e ausência de um governo que cultue a educação, consegue continuar sua missão... Não pelo escasso “salariozinho” medíocre e completamente inadequado a mestres de verdade – perdoem-me e redundância – mas utilizando a linguagem poética – não em nível de Mônica, mas ao menos tentar “engolir” tanta deseducação de pseudos governos que se implantam... E nós permitimos.

                           Somente posso pedir ao leitor: Por amor a cultura, a educação, a poesia (tão necessária nestes tempos de mentes obscuras) pegue, folheie, tenham, busquem estas preciosidades que esta “guria” (meu termo carinhoso para Mônica) faz com tanto amor, devoção, divindade. Digna de um coração e alma evoluídos.

                           Nesta nova obra – Quer Mesmo Ser Professor? – Mônica mostra sua humanidade a toda prova.

                            Por sua consciência e sua inteligência... Por favor: Não deixe de ler e de ter esta obra divina deste grande ser divino que, para nossa felicidade ainda habita entre nós.

                           Já perdemos os dois citados no início: Alves e Suassuna. Mônica é uma mistura dos dois. Singeleza, simplicidade, genialidade, sensatez, humanidade, cordialidade e um amor infindável por alunos... Por seres que precisam de seus conhecimentos divinos.

                           Emociona-me profundamente a cada obra que tenho o privilégio de folhear, de cada folha, cada pensamento, cada poema, cada crônica tal qual imaginando que, por osmose, consiga chegar, ao menos, um pouco próximo de tanta criatividade e ao mesmo tempo tanta simplicidade... Quase uma humildade divinizada.

                    Desta vez não encerro com suas ultimas palavras. Busco da página 43 onde em duas estrofes de um poema chamado: Erro, mas continuo tentando...

Mônica deixa-nos a seguinte mensagem:

Erro sempre

Mas, tem épocas que a margem amplia

Penso nas causas, penso nas razões

Talvez precisasse de assessoria

 Erro cronicamente

Mas, insisto. Erro faz parte da minha anatomia

Pior que errar, é nem tentar

Permanecer na correta antipatia.

Simpatia. Afirmo eu.

Como eu gostaria de ter uma professora como Mônica.

Certamente diminuiriam minha ignorância de ser humano...

Certamente conseguiriam galgar, ao menos, alguns degraus acima de uma existência tão pobre como as que convivo, quase que diariamente.

Somente posso deixar como reles mortal um agradecimento:

Obrigado Mônica por existir.

Torna nossos dias muito melhores...

Com Mônica El Bayef e suas obras... Pensar não dói... E nos emociona muito!

 

 

 

Transpirado da obra

Quer Mesmo Ser Professor?

Mônica Raouf El Bayef

Amazon Editora – RJ – Julho/2014

E do meu carinho, amor incondicional e homenagem de amigo...

Desta grande escritora Brasilesa.