segunda-feira, 18 de agosto de 2014


O Escritor Antônio Figueiredo
Faz uma análise dos Valores do 
Brasil na Sala de Protheus:

 
"Diz-me O Que Pregas
E saberei do Teu Deus...!"
 
“...Dizem que Deus escreve reto por linhas tortas,
mas, penso eu, as linhas é Deus quem as traça retas
e o ser humano é quem põe sua escrita torta sobre elas....!”

                                                                                                                         @ToniFigo1945

                                      Em tempos em que apenas as virtudes da beleza juvenil são valorizadas, exclusivamente induzindo os jovens ao consumo de grifes de roupas, energéticos, produtos eletrônicos e “points” da balada, rio-me dos tempos atuais e seu vazio existencial. Parece que do jovem nada mais é esperado, de que ande nos “trinques” e com isso perde-se aquela onda de “energia renovadora”, que deveria preencher a sociedade e suas estruturas.
                                     Se admirarmos as pinturas e esculturas épicas de todos os tempos veremos que ali sempre pontilha um jovem, quer empunhando uma bandeira de luta ou uma espada ou fuzil, como a afirmar que é dos jovens a responsabilidade e o preço a pagar por todo e qualquer processo de mudança. Aos velhos, normalmente representados com longas barbas e cabeleira brancas, cabe a “voz da experiência” a guiar tão bravos combatentes.
                                     Falamos da importância dos símbolos místicos, sejam dos ideais políticos de liberdade e democracia, futebolísticos ou religiosos e dessa necessidade humana de se ater a eles para suportar a sua miserável e frágil estrutura de carne com uma energia além das suas baterias. Ainda que a ciência há muito venha tratando com muita convicção a Teoria da Evolução das Espécies, para a raça humana sempre foi vital a “crença” do boneco de barro tornado vivente por um sopro divino a nos distinguir do resto da criação e que a Bíblia não especifica de que materiais seriam feitos.
                                    Também a crença num Deus Vingador do Velho Testamento, (Torah), era muito adequada ao comportamento guerreiro hegemônico vigente e sempre foi mais conveniente crer numa “vingança divina” a punir os erros humanos. Era a proteção e justiçamento celestiais a determinar rumos e destinos. O Deus Misericordioso do Cristianismo veio reafirmar o “livre arbítrio” e devolver ao homem a responsabilidade pelas suas “escolhas pessoais”, ainda que influenciando a vida de muitos.
                                  Creio que a raça humana nos dias atuais afasta-se paulatinamente dos símbolos e assume o caráter evolucionista da “lei do mais apto à sobrevivência” e isso se reflete na busca por “vantagens competitivas” nos mais diferentes campos, como Educação, Saúde, Habitação, Segurança e Justiça. Os mais aptos são os que tem a capacidade de pagar por esses benefícios, sem contar com a “ajuda” do Estado e desta forma a sociedade se estratifica cada vez mais, alargando as diferenças sociais.
                                  No campo social existe uma verdadeira “cadeia alimentar” onde os mais fracos são “consumidos” pelos mais aptos dos patamares superiores até o topo da pirâmide social e por isso se vê um processo de concentração de renda cada vez mais exacerbado, que torna os mais possuídos mais acumuladores e os demais abaixo como contribuintes caudatários, a começar pela própria classe média.
                                  No campo federativo se produz o mesmo fenômeno com a centralização do Poder fundada nos Estados mais fortes economicamente e que por isso influem mais politicamente e a adoção de “políticas compensatórias” acaba por dar importância e peso ao assistencialismo ao cidadão e por consequência ao seu Estado, o que é a prova dessa falha tanto no equilíbrio de um Pacto Social, como no Federativo.
                                   Em um Estado Federativo cabe ao Governo a adoção de políticas de desenvolvimento equilibrado tanto do cidadão em particular, como dos estados membros e esse equilíbrio se reflete na equivalência do “padrão social” individual entre os diferentes e para todos os membros federados. Um Governo Democrático é aquele que aquinhoa igualmente classes sociais e Estados da Federação.
                                   Por outro lado, nem mesmo a participação do Estado na Economia tem limites definidos. Graças à concentração da arrecadação tributária no âmbito federal a capacidade de intervenção põe de joelhos a iniciativa privada, viciando-a e prostituindo-a num conluio de interesses mútuos e escusos. Este é o “teorema político” a ser solucionado no Brasil e seu veículo é uma Constituição Federal séria e pragmática.
                                  O Sistema Político e sua Representatividade, equilibrados e justos, são um desafio à característica humana de “domínio interessado e interesseiro”, posto que partidos classistas, (ruralista, evangélicos, sindicalistas e etc.), se propõem à defesa de interesses específicos em detrimento dos interesses globais nacionais.
                                  Num regime democrático, em comum, todos os Partidos devem defender basilarmente esse regime, contudo sua visão e foco da resolução macro dos problemas nacionais devem ser diferentes, visto que a unanimidade de objetivos partidários levaria ao monopartidarismo, ou a um regime de coligações espúrias e oligárquicas. Ideias e ideais não são diferenciados por virgulas e reticências.
                                   A Justiça, da base do tripé democrático, deve representar a defesa da sociedade, não somente relativamente a crimes cometidos contra ela, sejam contra as pessoas ou patrimoniais, mas mais principalmente moderar os interesses de forças desiguais: a sociedade e o poder do Estado. Cabe-lhe o equilíbrio entre os interesses do cidadão e o do Estado, contudo, hoje, talvez seja o de acesso menos democrático dos Três Poderes.
                                      Desde sempre a Justiça tem sido o mais oligárquico dos poderes e de mais difícil acesso a quem “não pode pagá-la” e é consenso que se aplica somente aos três Ps. De pouco ou de nada adiantará, que enquadremos o Executivo e Legislativo, se o Judiciário continuar a ser “cego e distante”.
                                     Entretanto o conceito de Justiça para as classes mais desprotegidas não se restringe exclusivamente à Justiça propriamente dita, mas à garantia do conjunto de direitos constitucionais como um todo, pois são os mais vulneráveis ao mal emprego ou à corrupção do uso do dinheiro público por menor que seja, visto que é dos programas essenciais básicos, que esse dinheiro é retirado.
                                     Os juros e os pagamentos das contas estatais sempre têm seu empenho garantido e satisfeito, ainda que aconteçam atrasos nesses pagamentos. Já as aplicações em Educação, Saúde, Habitação, Mobilidade Urbana e Segurança acabam por depender da sua disponibilidade de caixa.
                                    O conceito pleno de justiça social jamais deve ser encarado como um programa partidário de governo ou de manutenção de poder, visto que se trata de um “direito constitucional” estabelecido e a sua execução não merece propaganda, pois advém da “obrigação constitucional” de ofertá-lo ao cidadão, além do fato de ser uma “obrigação política” de qualquer partido político no exercício de um governo.
 
                                   A única coisa a celebrar é que os políticos estarão cumprindo com suas promessas e principalmente, sua obrigação, por pura obediência aos “princípios constitucionais” estabelecidos e por isso não merecem nossa gratidão. 
                                   Como podemos constatar o Brasil não cumpre com nenhum desses pontos num “check list” institucional e essa é uma amostra da tarefa hercúlea a que a cidadania deve se dedicar e exigir. Uma Democracia só se constrói no dia a dia e pela vontade comum e assim é conquistada plenamente. A “amostra grátis” que tem sido oferecida pelos políticos sempre se revelou um “cavalo de Tróia” a posteriori. Uma falácia embutida em uma verdade aparente.

 
Fonte:
Das vivências, percepções e pesquisas de
Antônio Figueiredo – De algum lugar entre a Bahia e São Paulo
Economista, Escritor, Empresário, Militante Apartidário Parlamentarismo e Voto Distrital Puro. Ex - Ativista Movimentos Sociais Católicos/ Metalúrgico/ Estudantil (1961/73). Operário da Cidadania