quinta-feira, 21 de agosto de 2014


Uma das pessoas mais admiradas
E respeitada do Twitter
Marisa Cruz é a convidada
Especial da Sala de Protheus:

 
Um Dia Que Parece Uma Mentira!

 “... Não existe sucesso ou felicidade
sem o exercício pleno da cidadania e da ética global...!”

Carlos R. Sabbi

               Como boa “conversadeira”, resolvi, no dia da eleição, puxar “prosa” com os eleitores que estavam na fila e me inteirar sobre o que significava este dia e o que esperavam dos candidatos escolhidos para prefeito e vereador. Usarei nomes fictícios, pois o que lerão a seguir é quase que unanimidade.
Baseada nesses encontros classifiquei os tipos de eleitores:
Eleitor Tipo 1:  MARIA VAI COM AS OUTRAS!
               Dona Maricota: Uma senhora na faixa etária de 30 e poucos anos. Perguntei-lhe se havia escolhido os candidatos ao que me respondeu:
               -Meus vizinhos lá do meu bairro falaram para votar no “Pafúncio” para prefeito porque ele vai asfaltar as ruas, fazer o saneamento básico porque pisamos em esgoto a céu aberto até o ponto de ônibus, fazer uma escola e posto de saúde e também segurança com viatura porque aqui tem muito assalto.
Indaguei se ela sabia alguma coisa sobre a vida política dele. E qual não foi à resposta:
               - Não, nem sei quem ele é, mas meus vizinhos dizem que ele é bom então vou votar nele.
               - E vereador?
               -Ah, vou votar num morador lá do bairro que também promete que vai trazer tudo que falta para nós.
               – E a senhora acredita? 
               - Claro!
               - E se eles forem eleitos, durante os quatro anos a senhora irá à Câmara e na Prefeitura cobrar?
               - Eu não!  Tenho mais o que fazer que seja trabalhar fora, cuidar da minha casa, do marido e dos filhos!

Eleitor Tipo 2:  DESINFORMADO!
                Sr. Godofredo: Um senhor na faixa etária de 50 anos. Novamente a mesma pergunta sobre em quem iria votar. Ouço que escolheu pelas promessas e principalmente porque o candidato comprometeu-se em lutar por melhor aposentadoria.  Aproveitei para explicar-lhe que nem prefeito e nem vereador tem qualquer interferência neste assunto porque isto é decisão do governo federal e aprovado ou não pelo Congresso. Ele me olhava com cara de desconfiado achando que eu deveria ser cabo eleitoral do outro candidato. 

Eleitor Tipo 3:  ALIENADO!
                Serginho: Observo este rapaz de 18 anos, com ar de seriedade e vou puxar conversa.  Qual não foi minha surpresa ao descobrir que a tal seriedade não passava de cara feia mesmo porque iria perder a “pelada” com churrasco e cerveja no bairro vizinho.  Mesmo assim perguntei se ele tinha escolhido os candidatos a prefeito e vereador
              - Vou votar em qualquer um porque todos são ladrões mesmo.
              - E você, votando em qualquer um não está alimentando isso?
              - Até pode ser, mas sozinho não vou mudar o Mundo. 
              - Mas quem disse a você que está sozinho? Será que não está na hora de conhecer mais sobre política e de quantos brasileiros estão lutando para uma mudança? Se você tem PC basta entrar no Google que encontrará grupos que estão discutindo sobre isto e verá que existe jeito sim para melhorarmos. Só passeando pelas redes sociais e participando constatará que não é uma andorinha a fazer verão.                                                                 
              - Este país não tem jeito não e também quero arrumar uma boquinha dessa e botar o burro na sombra. 
              - Mesmo que você arrume sua vida, já fez a conta da quanto paga pela roubalheira de todos os outros aproveitadores?
              – Hum, nunca pensei nisso!
              – Pois comece a pensar e verás que esta não é a melhor saída.
                             Muitos outros tipos poderiam ser classificados como Eleitor Interesseiro esperando o cargo público ou ascensão prometida pelo candidato; Eleitor Imediatista que assim que seus candidatos tomam posse já quer solução de todos os problemas; Eleitor Peixe Fora D’Água que detesta Política e assim por diante. 

Eleitor Tipo 4:  CIDADÃO PLENO!
                                  Caminhando mais um pouco vejo um senhor de seus 65 a 70 anos que me chamou muito a atenção pelo traje de vestia: Terno, sapatos engraxados, barba feita, pronto para ir a uma festa.  Puxei a conversa elogiando seu traje e ele, Sr. Benedito me respondeu:
                             - Para eu votar. É um dever cívico que merece minha melhor roupa. Fiquei admirada com a resposta e não me contive em perguntar-lhe sobre este momento da eleição. Recebi uma aula de patriotismo, civismo e cidadania. 
                           - Na minha idade já vi muita coisa na política brasileira. Do Getulismo, com ações boas para o povo, de um Juscelino com sua mania de grandeza construindo Brasília e colaborando para o aumento da dívida pública e tornando a Capital Federal distante dos olhares de todos nós e uma “Ilha da Fantasia”, presa fácil para negociatas. Tão fácil que até um grupo queria implantar o comunismo que a maioria dos brasileiros não queria. E ouvindo o clamor do povo os militares tomaram o poder e até hoje me pergunto por que, depois de 6 meses, a ordem estabelecida, eles não devolveram ao eleitor o direito de escolha do presidente, senadores e governadores. Será que gostaram do poder? Ou temiam a força comunista da União Soviética na América Latina, que acabaram permanecendo no Poder por 21 anos?
                      E veio a Constituinte para elaborar uma Nova Constituição e as eleições indiretas para presidente. Tancredo eleito morre e assume o Vice-presidente. Outra coisa que não entendo: Se o presidente não tomou posse por que o vice toma? Deveria ter tido outra eleição no Colégio Eleitoral. Este período foi de inflação galopante. A gente não dava conta de ganhar e pagar para comer. Tinha que estocar tudo. A maquininha da remarcação passava a noite inteira trabalhando... – E mostrou um risinho de constrangimento e resignação.
                      Nós brasileiros fomos para as ruas pedir Diretas Já e vencemos com o primeiro presidente eleito na República Democrática Brasileira depois do Regime Militar. Um jovem candidato bonito, elegante, que prometia acabar com os marajás.  Eleito, confiscou o nosso dinheiro da poupança por 1 ano e abriu o mercado para os importados obrigando os industriais a aperfeiçoarem suas fábricas para concorrer com o que vinha de fora do país.  Mas o moço quis ser o único marajá e os deputados e senadores inflamaram o povo para pedir o impeachment e o mesmo renunciou ao cargo, assumindo o vice, novamente. Resolveu pôr um fim na inflação e lançou junto com o ministro do Planejamento o Plano Real, que  foi uma benção para nós.
                     Tivemos um presidente sociólogo, um metalúrgico aposentado e hoje uma presidente “gerente”, com diz seu criador. Todos trouxeram muitas coisas reais para o povo, mas nenhum deles conseguiu amenizar a corrupção em todos os níveis da máquina pública e muito menos cobrar dos juízes a punição aos ladrões do nosso dinheiro.
                     Ai está outra coisa que me deixa encafifado: Será que o povo brasileiro não sabe que qualquer governo, federal, estadual ou municipal não tem nada além dos impostos arrecadados em tudo que compramos (de uma caixa de fósforos a uma casa, carro) ou consumimos (água encanada, luz, telefone, gás, combustível) e que nós deveríamos cuidar de cada centavo que gastam? Não é assim que fazemos em nossa casa? E outra coisa que me espanta nestes meus 70 anos é ver que muitos brasileiros, quando perguntados se pagam imposto, dizem que são isentos! Vivo numa cidade grande e fico imaginando com é nos fundões do Brasil.
                   Disse-me também que investigou a ficha dos candidatos escolhidos e pesando as promessas e o que realmente cada um iria fazer nos 4 anos seguintes seguindo de perto caso fossem eleitos.
Despedi-me encantada com este senhorzinho que com sua sabedoria de vida merecia ser um professor de cidadania dando aulas ao eleitor brasileiro por todo Brasil.
                  Quantos benditos Beneditos precisamos para mudar o rumo deste País...
                 Encontrei poucos na fila que tinham consciência política, que examinaram a ficha corrida dos escolhidos e muitos com raiva deste ou daquele partido.
                 Depois desta aula de história, política e cidadania, resolvi caminhar na fila dos que justificam o voto.

Eleitor Tipo 5: PREGUIÇOSO!
                Encontrei o Sr. Raimundo, na faixa dos 35 anos, preenchendo a ficha e perguntei-lhe há quanto tempo morava na cidade.
              - Moro aqui há 15 anos.
Perguntei por que ainda não tinha transferido o título eleitoral para o novo domicílio. Respondeu-me que era mais cômodo justificar do que ir ao TRE fazer a transferência. Indaguei que o prazo para a transferência era bem longo, geralmente 5 meses antes da eleição.  Aí justificou que sempre esquecia e só lembrava no dia da eleição.  Desta feita fui eu a dar uma de cidadã e expliquei que não votar é não participar da vida política e como iria cobrar dos eleitos se ele mesmo não havia feito a sua parte? Parou, pensou um pouco e respondeu-me: É verdade! 
                           Nesta fila de justificativas se encontra de tudo: do que nunca lembra, daquele que ainda pensa em voltar para sua terra natal, mesmo estando aqui há 20 anos... Outros diziam que tinham programado ir para sua cidade e não deu certo.
                          E vejam a incoerência: Povo foi para as ruas pedir eleições diretas (direito ao voto). Conseguiu e vota como se fosse para um convescote obrigatório e agora pede fim da obrigatoriedade. Por que ao lutar pelo voto não pediu também a desobrigação do mesmo?
                          Nas andanças não só no dia da eleição, mas diariamente, vemos um povo desinformado sobre o que é dever e compromisso de um parlamentar ou governante. Mistura obrigações em nível federal com governo estadual e prefeitura. Não conhece os caminhos para exigir os direitos constitucionais como também não reconhece seus deveres.
                          Será que a saída é confeccionar uma Cartilha com o BÊ-A-BÁ e letrinhas de caderno de caligrafia para todo brasileiro poder entender o que é Cidadania e Cidadão Pleno?
A receita do Bolo está pronta só falta colocar no Forno!
Mãos a Obra!

"Mesmo com diploma Universitário, me tornei um Cidadã Observadora através dos ensinamentos de meu Pai: Um homem que deixou como legado a sabedoria de Vida mesmo tendo diploma de primário, CPEOR, um autodidata que lia os Jornais de “cabo a rabo”, ouvia notícias nos rádios, assistia na TV Programas de debates políticos e econômicos e se tornou um conselheiro da Família e dos Amigos. Não só diplomas nos fazem cidadãos plenos, mas sim o nosso interesse em sê-lo." 

  

Das percepções, entendimentos e
da sabedoria compartilhada
da Mestra Marisa Cruz –“Cidadã Brasileira” –
Como Ela mesma gosta de afirmar:
 Formada na Escola da Vida