segunda-feira, 30 de setembro de 2013


Consciência ou Inconsciência Humana?
- Uma visão sobre O Buraco Branco no Tempo –





“... Cada um de nós é como um homem que
vê as coisas em um sonho e acredita
conhecê-las perfeitamente, e então desperta
para descobrir que não sabe nada...!”.

Platão –  em Político – 387 aC


  
                                       A análise inicial, sobre a segunda parte da obra de Peter Russel, O Buraco Branco no Tempo, leva a indagação efetuada por Immanuel Kant, filósofo alemão, 1728-1808, em Fundação da Metafísica dos Costumes. Ele diz: (...) Age de modo que considere a humanidade tanto na tua pessoa quanto na de qualquer outro, e sempre como objetivo, nunca como simples meio (...)”.

O efeito do homem sobre o próprio homem, considero, independente do autor, ter transformado o texto em uma espécie de documentário de autoajuda, misturando política com consciência, apenas os efeitos produzidos por ele mesmo. O autor esqueceu de salientar, mesmo com sua inteligência eloquente que o homem tem o bem e a maldade dentro de si. Por isso a constatação de Kant. Ao planejarmos qualquer ação, não podemos esquecer que fomos “treinados” para pensarmos que somos todos iguais. Mas não no sentido filosófico do ser, e sim como uma igualdade manipulável em todos os sentidos. Desta forma não conseguiremos os meios para produzir os efeitos tão necessários para a devida compreensão do mundo como mundo. Bem mais difícil do homem como homem em seu próprio habitat.   
           
                                      Maquiavelli, filósofo político do século XIV, deixou escrito que não devemos dar poder a quem não tem cérebro. E é o que mais fazemos. O autor salienta a necessidade de  milhões para recuperar o solo comparativamente ao trilhão gasto em armamentos em um só ano. Esqueceu de salientar, que a preocupação e gasto com armas no mundo é o terceiro fator de PIB mundial, não oficial. Ele ainda está atrás do tráfico de escravas brancas (novo nome ou politicamente correto a escravidão com fins de prostituição controlável), esqueceu da indústria farmacêutica e suas cobaias, através dos grandes laboratórios, que são principalmente os pobres do terceiro mundo, e que os valores são muito maiores do que o salientado na segunda parte de sua obra.

Válida a tentativa de chamar a atenção para este novo mundo globalizado em que o homem não faz mais a pergunta que os gregos já faziam, mesmo depois de mais de 2500 anos passados: Quem sou eu? De onde venho? Para onde vou? O que eu quero?
A busca por mudanças, diariamente, faz parte de nossa memória genética, mesmo que a administração acadêmica ainda não tenha compreendido que mudança significa atitude e não nos foi ensinado a ter atitude. Fomos ensinados sermos humildes. Em outras palavras, fracos. Torna-se ilógico e anticonceitual utilizar o pensamento de um autor, como o que escutamos ou lemos como parte de uma filosofia moderna quando não nos foi ensinado a tradicional: Que é o Pensar.
O autor da obra deixa varias perguntas: Por que continuamos?
Mas a quem ele dirige a pergunta? A todos?

Os governos que ajudamos a eleger por fraquezas de nossos próprios pensamentos e depois os julgam? Aos mesmos governos que não cobramos? Começando por nossa própria cidade? Quem sabe por nossa própria faculdade, quando não concordamos com alguns conceitos utilizados? A quem nos dirigir para discutir? E se encontramos este alguém ele discute conosco?
Deixa outra questão: O que está errado conosco?

Ele salientou como artefato milagroso depois da consciência a mão humana, como um instrumento dos mais perfeitos. Mas é desta mesma palavra, desta raiz que sai manipulação, a ação de manipular, de mexer com algo através das mãos, que depois teve novos conceitos e se transformou em mudar ações, pensamentos e atitudes nos próprios seres humanos como formas modernas de controle. E controle é poder. O autor não salientou nada em sua obra, tanto na primeira como na segunda parte, sobre o poder que o homem utiliza sobre os outros. Desperdício, poluição, excesso de produção com excesso de consumo, excesso de população. Será que compreendemos as ações que fazemos em longo prazo? Será que sabemos mesmo o que necessitamos? E se sabemos depende unicamente de um ser?

 Lançar questionamentos era o início de todos os “banquetes” utilizados por pelos gregos, imortalizado por Platão, para que a discussão seguisse de uma argumentação, uma contra-argumentação e chegasse a refutações. Mas eles não ficavam somente nas perguntas, eles questionavam, iam mais fundo e deixavam suas colaborações como respostas.

Hoje nos é permitido fazer isso com toda a liberdade que possuímos? A propósito: Temos liberdade? O que é liberdade? Até onde?
Felicidade? Paz de espírito? Perguntas empíricas que a metafísica gosta de fazer. Temos como pensar no agora, com o sistema de mundo, mesmo em nosso dia a dia?

Simples projeções de pensamentos que levam a mais pensamentos. E quando os temos não sabemos o que fazer com eles.

A resistência? Vamos ter sempre. Faz parte de nossa sobrevivência.
Finalmente, o homem não deseja o que têm, vai sempre desejar o que não têm, mesmo que em sua grande maioria, não pense sobre o ato em si.


Transpirado dos pensamentos e diálogos
de minha amiga de alma Hérica Gambin - Toledo – PR - 
Inspirado no documentário de Peter Russel –
Um Buraco Branco no Tempo, segunda parte, da obra do mesmo autor.
Leituras & Pensamentos da Madrugada
Publicado no Grupo Kasal – Vitória – ES –
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