quinta-feira, 19 de setembro de 2013



Das Coisas Abstratas Até Onde Não Se Responde!





“... FELINA... Sou arisca como uma gata, ainda assim,
felinamente me arrisco... Mas precisa ser no escuro?...!”

das percepções de Claudia Letti – RJ.
                                                     

                                    “ (...) Perguntei uma vez ao silêncio porque sua voz era muda e falava tanto, ao qual o silêncio apenas invadiu-me se nada responder. E ficamos calados, eu e o silêncio, ouvindo as próprias verdades. E, ao final desta meditação sem palavras, encontrei-me dentro de um cubículo, fechado, e meus braços não tinham forças, mas meu coração batia descompassadamente.

É assim que te procuro... No Teu breve silêncio, entre uma frase e outra, entre um beijo e um abraço. E no teu silêncio me fala tanto deste amor, carregado de tantas coisas que eu me limito a te olhar por breves instantes cheios de ternura, pelos teus pensamentos que falam mais alto que tua própria voz.
E quando tua voz me atinge alta. “Alta e clara parece que meu mundo está concluído, porque as palavras que tu ao me dizes, encontro no silêncio delas.”
Este é um trecho preferido do livro Coisa Abstrata, com prefácio de Josué Guimarães,  de 1983, de Claudia Letti.

Claudia, agora felinamente menos abstrata, e absorvendo mais coisas ainda, virou carioca.
De nosso tempo de colegas de jornalismo, televisivo, deixou a essência fluir. Visceralmente, como gosta de citar.
Recebi, com carinho e saudades, dois livros da agora escritora Claudia Letti, carioca, mas eternamente gaucha: Onde Não se Responde.

Em uma ligação com uma amiga, li alguns trechos, compartilhando minha alegria do reencontro literário com Claudia. Minha amiga teve verdadeiros orgasmos mentais, ao ouvir-me citando Claudia. De seus “poemeus”, como adorava dizer o poetinha Mário Quintana, até as crônicas mais profundas, essências e viscerais, extraídos do âmago de suas experiências. Vivenciadas com uma vida cheia de alegria, marca de Claudia.

Claudia fascina quando diz: ”Falar em amor é muito fácil, Mas sentir é visceral (ela adora essa palavra), e vai alem do que se pensa que sente. E depois que ele se instala o que se faz com ele? (boa pergunta, minha cara – aguardarei resposta). Por isso é bom tomar cuidado com as palavras. Amar não é inconsequente, nem apenas aparente. A Batida nem é do pobre coração. A batida é mais embaixo...!” Conclui a autora neste soneto de eterna busca, incessante de respostas,através das palavras.
Fascinou-me mais suas Doses Cotidianas. Crônicas escritas com a visceralidade de sua mente iluminada e superior. Consegue ir além das próprias palavras.
Claudia me lembra dum poema de Fernando Pessoa quando afirma:

É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!
É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!

Claudia escreve igual. Sente da mesma forma. Identifica-se com tudo isso. Busca a incessante consciência, conscienciosa de que o que busca ainda esta longe. Mas segue.
Isso Nietzsche afirmava quando dizia: Não poríamos a mão no fogo pelas nossas opiniões: não temos assim tanta certeza delas. Mas talvez nos deixemos queimar para podermos ter e mudar as nossas opiniões.”

Eis Claudia Letti,em seu fantástico ONDE NÃO SE RESPONDE, das Edições Arteclara, de 2004.
Ela também participa com uma dezena de outros cronistas de Agora Não, Mundo.
A contra capa desta obra diz simplesmente, além de crônicas belíssimas, da Editora Pátio, de 2011:
“Dizem que em 2012 o mundo vai acabar. Acaba não, Mundo! Pensa bem: Eu sei,há coisas feias e más. Se eu fosse você,de vez em quando também ia querer explodir. Mas Acabar agora,sei não,é desperdício,não acha? Afinal de contas, eu nem fui9 assim tão feliz ainda...!”
Nesta obra Claudia escreveu, Banho de Mel,de dezembro de 2003 e está na página 85.
Só posso concluir afirmando: Esta amiga, colega, irmã, ser iluminado das palavras deixou-me marcas indeléveis na alma ao ler seus escritos.
Minha amiga, a quem li alguns trechos de alguns poemas, correu para anotar os dados para adquirir a obra.

Só posso concluir usando as palavras doces de Claudia:
“.. Um metro e setenta,desde a ultima vez que medi do dedo do pé até o ultimo fio de Cabelo. Mas tem dias  que ando com os ombros mais encurvados.Em outros,eu levanto bem a cabeça, e desafiando qualquer pedestre e ignorando qualquer pedra...!”

Da minha amada amiga Claudia Letti.
Ser que já descobriu que Pensar não dói... Nadinha!
Carioca, agora. Mas, gaúcha sempre!



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