segunda-feira, 16 de setembro de 2013

“Nossas Verdades... Ou Mentiras!”*



“...Se desconfiarmos que alguém mente, finjamos crença:
ele há de tornar-se ousado, mentirá com mais vigor, sendo desmascarado. Por outro lado, ao notarmos a revelação
parcial de uma verdade que queria ocultar, finjamos não acreditar,
pois assim, provocado pela contradição, fará avançar toda a
verdade...!”


Arthur Schopenhauer –
Aforismos para a Sabedoria de Vida


O que é verdade e o que é mentira hoje?
Para nós mesmos. Sem filosofia ou religiosidade. Apenas como seres únicos, mesmo que sociais. Ou aqueles que ao menos tentam ser mais socializáveis.

Você consegue discernir e chegar a um entendimento com rapidez sobre os assuntos, o qual está vivendo no momento?
Seus valores lhe dão segurança sobre tudo isso? Em todos os aspectos?

O ser humano mente. É de sua natureza.
Temos frases celebres como: Uma mentira repetida inúmeras vezes se torna verdade... E muitas outras nos levando exatamente a esta mentira.
Será que as pessoas estão mudando com o tempo?

Não. O ser humano não muda. Ele envelhece, o tempo passa e acaba se adaptando as mais diversas situações. Em todos os sentidos.
Com o tempo ele descobre que todo mundo mente um dia. Que tudo o que está em seu íntimo ficará lá, por isso não muda.

O grande escritor português, Teixeira de Pascoaes afirmou:  “(...)que o nosso mundo vive repleto de esqueletos, de ossos erguidos ao alto, que se apresentam diante dos nossos olhos como tentativas de eternidade.”

As pessoas não querem mais a verdade, pois assim elas não dormem.
E dormir é mais importante do que ficar buscando entendimentos. Parece mais importante que tudo.
E isso acontece quando nos traem. Julgamos que alguém disse uma mentira que se tornou verdade. Não gostamos de acreditar nisso. Não queremos isso.
Preferimos que nos mintam. Assim conseguimos continuar vivendo... Ou sobrevivendo. Dentro de nossos casulos, já acostumados com nossos fantasmas... Ou monstros que domesticamos.

Afinal, no fundo, como já disse Coringa Quinn: “... Todos têm algo a esconder... Algo obscuro dentro de nós, que não queremos que o mundo veja. Então fingimos que está tudo bem...!”

E mentimos.
E vamos levando nossa vidinha de acordo com as devidas situações. Se der certo nos sentimos felizes e até confundimos com felicidade. Mas continuamos. Não temos tempo para pensar. Isso não nos permitiria dormir. E dormir é importante. Nossa consciência é um algoz terrível. E muito mais medos têm dela do que nossos inimigos. Sejam eles reais ou imagináveis.

Transformamo-nos no vento que leva o que não queremos guardar.
Ledo engano. O vento não leva. Não conseguimos. Fica guardado. Lá no “Quartinho dos Fundos”.

Um dia algo ou alguém vai abrir esta porta. E um turbilhão de sensações pode nos destruir... Ou nos encontrar.

Nossas lembranças são curiosas. Às vezes são fiéis, mas outras vezes se transformam no que queremos que sejam. Sejam elas do tipo que forem. Tristes ou alegres. Mas continuamos. Estar assim, ser assim, entre verdades e mentiras... Tenham a certeza, na grande maioria das vezes optamos e nos adaptamos a uma mentira do que a uma grande verdade.

No fundo não saberíamos o que fazer com ela. A verdade.
Assim ela se torna uma lembrança... Ou nem isso.

Com o tempo, com a idade avançando, vamos nos adaptando. Mas não mudamos. Nossa essência será sempre a mesma.
Poderemos colocar uma máscara. Mas por trás dela lá estaremos nós. Conosco mesmo. Eis nosso labirinto indescritível que ninguém nos ensinou como lidar. Ou como entender.

Simples?
Não complexo.
Mas, ao menos, estamos descobrindo que Pensar Não dói...
Ao menos isso

*Transpirado de minha amiga Fabiana Ratis
Entendimentos & Compreensões
Publicado no Grupo Kasal – Vitória – ES –
www.konvenios.com.br/articulistas