terça-feira, 10 de setembro de 2013


“... Sistemas Definitivos...!”





"Uma ideia pode chegar à mente sem,
no entretanto, ter alcançado os lábios".

Lawrence Durrel  -  1912-1990




Sempre que se tece comentários, opiniões, ou até mesmo teses, baseia-se meramente em pontos conceituais, ou inócuos, muitas vezes ambíguos.

O que se quer, ou ao menos, se pretende, é buscar maneiras mais racionais de se fazer algo, que pode ser feito, de maneira simplificada, sem complicações, mas sempre para o benefício do maior número de pessoas.

 Uma tese é uma suposição de algum ser qualquer, eminente, que esteja em conflito com uma opinião geral. Por exemplo: A ideia de que a contradição é impossível, como disse Antístenes; ou o ponto de vista de Heráclito, de que todas as coisas estão em movimento; ou de que o ser é um, como afirma Melisso; pois ocuparmos com uma pessoa comum quando expressa pontos de vista contrários as opiniões, ao menos de uma grande maioria, seria no mínimo tolice, não é mesmo?

Ou talvez se trate de uma concepção sobre a qual tenhamos uma teoria raciocinada contraria as opiniões dos homens, por exemplo, a concepção defendida pelos sofistas, na antiguidade, de acordo com a qual o que é nem sempre necessita ter sido gerado ou ser eterno, pois um músico que é também, até gramático, é tal sem jamais ter vindo a ser, tal nem ser eternamente.

 Porquanto, mesmo que um homem não aceite tal teoria, poderia aceita-la fundando-se em que é razoável.
Ora, uma "tese" é também um problema, embora um problema nem sempre seja uma tese, visto serem certos problemas de tal espécie, que não temos sobre eles nenhuma opinião num sentido ou noutro.

Que uma tese, por outro lado, também constitui um problema, é evidente: pois do que dissemos acima, deduz-se necessariamente que ou a grande maioria dos homens discorda dos pensadores no tocante a tese, ou uma ou a outra classe esta em desacordo consigo mesma, já que a tese é uma suposição em conflito com a opinião geral.

Em verdade quase todos os problemas ditos "dialéticos" são hoje em dia chamados de "teses". Mas não se deve dar muita importância a denominação que se usar, pois o nosso objetivo ao distingui-los não foi criar nenhuma "bossa nova", muito menos terminologia, consequentemente, longe de neologismo, pois é usual, e sim reconhecer as diferenças que podem ser encontradas entre essas duas formas.

Claro que não se deve examinar todo problema nem toda tese, mas apenas aqueles que possam causar embaraço aos que necessitam de argumento, e não de castigo ou percepção. Pois um homem que não sabe se devemos ou não honrar a Deus, e a nossos genitores, necessita de castigo, o do próprio mundo, o do próprio dia a dia,  e aqueles que não sabem que a neve é ou não é branca, necessitam de percepção.

 Os temas devem aproximar-se demasiadamente da esfera da demonstração, nem tampouco estar excessivamente afastados dela, pois os primeiros não admitem nenhuma dúvida, enquanto os segundos envolvem dificuldades demasiado grandes para a arte da instrução generalizada.

Porquanto se conseguir, as definições, para aquilo que se quer, poder-se-ia dizer que ficará, consequentemente, longe daquilo que se objetiva como necessidade geral.

Os homens, são consequentemente responsáveis, por seus atos, sejam eles bons ou maus. Mas saibam que religiosamente ou legalmente, aqui deverão pagar, ou receber, se assim for julgado necessário.

Então, a "tese", é uma espécie de manifestação, mais profunda e estudada daquilo que se necessita, sempre de acordo com aquilo que se pretende, e nunca para subjugar vontades. Muito menos para que se venda facilmente, as ideias ou serviços, a serviço ou vontade de algum outro qualquer, em nome do poder. Por que poder se conquista, não se impõe. A simplicidade das coisas é que esta, diretamente, relacionado ao homem democraticamente social.

O restante é sempre discutível. O que sobra poder ser somente isto, uma sobra.

Por mais obvio que se esteja parecendo ser, ainda assim poder-se-ia dizer que falta argumentos para quadrúpedes ruminantes, que perambulam pelos esgotos da ignorância.
Certamente, se torna óbvio. Ou não?
Até porque, para a grande maioria, pensar ainda dói muito...


Leituras & Pensamentos da Madrugada
Publicado no Grupo Kasal – Vitória – ES
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