domingo, 3 de janeiro de 2016


SOSEducacao:

 “Assassinando a Língua Pátria!”

"...A palavra é a essência da informação.
Palavras – especialmente as escritas ou
dirigidas a grandes públicos – podem condenar,
inocentar, camuflar, esclarecer, confundir,
caluniar, isentar, escarnecer, rotular,
ofender, denunciar, inspirar, emocionar,
indignar e marcar o destino de pessoas
para o bem ou para o mal...!"

                                                                           R. Duarte

Agora uma nova mania, do tipo vicioso, feio, asqueroso e inculto está surgindo. E tudo via as ditas “redes sociais”, fazendo tudo “mal e porcamente”. Decidindo mudar conceitos linguísticos pela simples necessidade de não pensar: Em outras palavras: preguiça mental.
Primeiro o adágio (ditado ((em tempo: todo ditado é popular)) – vai que muita gente não saiba o que é adágio) especificado acima está errado. Sim! Erradíssimo. Mas como é Brasil, um idiota diz e todos os demais, já idiotizados, concordam e saem espalhando “mundo afora”. Se está certo? Não importa. O que importa é espalhar, curtir, favoritar, rir... Nem que seja da própria ignorância.
Só concordo com o “porcamente”, sem ofensa aos quadrúpedes suínos, é claro, pois tudo está uma verdadeira “vara” de porcos (vara é coletivo de Porcos, antes que alguém pergunte).


 O ditado correto é “Mal e Parcamente”. Ou seja: quem fazia alguma coisa assim, agia mal e deficientemente, com parcos (poucos) recursos.
Como parcamente não era palavra de amplo conhecimento o uso popular logo tratou de substituí-la por outra, parecida, bastante conhecida e adequada ao que se pretendia dizer. E ficou mal e porcamente, sob protesto suíno, é claro.
Tudo está “Cuspido & Escarrado”, bem de acordo com a Deseducação atual do Brasilês (gentílico correto para quem nasce no Brasil antes que um ignorante se ofenda).
Esta expressão é usada quando se quer dizer que uma pessoa é – mais que parecida – praticamente igual a outra (“esse guri é o pai cuspido e escarrado”).
É uma corruptela (alteração, modificação, mudança) popular da expressão original “Esculpido em Carrara” – Alusão a beleza de tudo o que é feito do famoso mármore da região de Carrara. Por isso o nome.

Mas agora surgiu outra “discussão vomitântica, esdrúxula, ignorante e ofensiva à linda pátria”: O Rio Grande do Sul, famoso (outrora é claro) por sua cultura e frases completas com utilização da segunda pessoa (Tu) está trocando por achar mais “fácil” e mais bonito a terceira pessoa (você). Tudo por que alguém não gosta.
Dá para imaginar?
Sabe-se que uma língua vai sofrendo alterações com o passar das gerações. Isto acontece com quase todas as línguas ocidentais que são derivativas, oriundas ou filhas de outras línguas nativas ou composto de mais línguas. Assim temos o anglo-saxão. Ou seja:
Anglo-saxão é a denominação dada à fusão dos povos germânicos (anglos, saxões e jutos) que se fixaram no sul e leste da Grã-Bretanha no século cinco, e a criação da nação inglesa, para a conquista normanda da Inglaterra de 1066. Em relação aos saxões, podemos dizer que eram um antigo povo da Germânia, habitantes da região próxima da foz do rio Álbis (atual Elba) e correspondente à atual região de Holstein na Alemanha.
Já a língua portuguesa é oriunda (e ultima flor inculta e bela) do Latim, esta derivada do Românico e do Grego.

Estas são as origens linguísticas (em resumo) de todas as ocidentais. Porem muda-las ou adequá-las a determinados tempos ou modismos somente é aceito quando os termos perderam significação. O que aconteceu com a Língua Portuguesa Brasilesa a partir de 1943 e depois em 1971. Naquele tempo as pessoas viam e ouviam “paçarinhos” e quando iam ao matrimônio se “cazavam”. Estas alterações foram necessárias como adequação ou simplificação linguística, Outras são exceções. Porem barbaridades linguísticas ocorre quando elas se tornam oficiais sem nenhum cabimento especifico.
Por exemplo: o gentílico que sempre uso para os nativos no Brasil = Brasilês. Visto que o sufixo EIRO, é designativo de profissões ou de lugar para guardar algo, como: Dai açucareiro (lugar onde se guarda açúcar) tinteiro (lugar onde se guarda a tinta). É a mesma terminação que aparece em chiqueiros, que é o lugar onde se guardam chicos. Como não existem zequeiros nem manequeiros, é fácil deduzir que, ai, chico não é apelido de Francisco. Chico era como os portugueses chamavam o porco. Parece que a origem desse sentido da palavra é onomatopaica, porque chico era o grito dos guardadores de porcos para chamarem estes animais...

Já os que misturam a segunda como a terceira pessoa, no Rio Grande do Sul, trocando o TU por VOCÊ, e não trocando o resto e sentido da frase, chama-se “babaquices”. (Bobo, tolo, mané, otário, estúpido, escroto, infantil, sem graça.) Ou, afirmo eu: verdadeiros assassinos linguísticos.
Por tanto, tu que és culto e gostas da língua pátria e dos regionalismos, riquíssimos, continuas a praticar a língua de teus pais. Pois assim estará ensinando corretamente aos teus filhos, nobre Brasilês.
Do contrário, por favor... Calem a boca! Assim não ferem ouvidos alheios...
Pensar não dói... Já falar, escrever ou inventar errada e parcamente... Aiiiiii...


Entendimentos & Compreensões
Leituras & Pensamentos da Madrugada
Fontes:
Spalding, José Pereira da. A Origem das Palavras
Dicionário da Mitologia Latina – São Paulo – Cultrix – 1982.
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