terça-feira, 12 de março de 2013

" Mulheres Balzaquianas! - Ou a Idade da Lôba - "


"Mulheres Balzaquianas!" 

- Ou a Idade da Loba - 


"... Todas as mudanças mais desejadas têm a sua melancolia. 

Pois o que deixamos para trás é uma parte de nós mesmos.
Devemos morrer para uma vida antes de podermos entrar em outra....!"

Anatole France





O dia estava tranquilo. Daqueles em que se ouve até o leve sibilar das folhas. Mexendo em minhas anotações, o olhar fixou sobre uma pequena agenda. Nela estão os aniversários, registrados, de amigos muito amados. Não esqueço nunca. A Agendinha foi a forma de não perder estas datas. Verifiquei a data e nela estava escrito “Aniversário de..”.


Uma irmã de alma, muito admirada. Feliz. Peguei o telefone e preparei-me para deixar uma bela frase, com um pouco de impacto. Nem terminou o “alô”, do ouro lado da linha e já mencionei: Felicidades, linda balzaquiana... Além de outra frase de efeito, porém vindo do coração Notei uma espécie de silêncio do outro lado. Esperava a surpresa de ter lembrado. Enganei-me. Em seguido veio uma palavra com uma interrogação, mesmo invisível, gigantesca:

“Balzaquiana?”. Emudeci, pois o outro lado continuou.

Puxa, lembra-se do meu aniversário e me diz uma coisa dessas?

Ela além de linda é inteligente, mas não posso esperar que seja também uma literata. Pus-me a explicar o significado, mais para desfazer o mal entendido e ter o efeito pretendido de início.

À época da corte, no século dezoito, os nobres ao irem aos bailes, como fazem os adolescentes hoje, chegavam “chegando”, e procurando as “gatinhas” o que na época era até os vinte anos. Honoré de Balzac, ao contrário de seus amigos ia, digamos, “para o ouro lado” onde estavam mulheres mais maduras, acima dos 30 anos. Seus amigos zoavam dele por esta preferência. 


Ao que lhes respondia: 

Elas são emocionalmente amadurecidas, podem viver o amor com maior plenitude, em completa oposição as mocinhas românticas dos livros de literatura. E completava: Geralmente já passaram por uma relação e não foram completamente felizes (mesmo que este completamente seja uma ilusão – grifo meu -), estão estruturalmente completas, suas mentes mais rápidas, e sua inteligência mais completa. 

Eis o ideal de mulher. A partir dos 30 anos. Hoje, criamos um adjetivo diferençado e elevamos esta idade até os 40 e poucos anos, direcionando-as como a “idade da loba”. Ferozes para amar e serem amadas. Prontas para enfrentarem o que a juventude lhes negou.

O Escritor francês lançou um livro mais ou menos em 1832, chamado A Mulher de Trinta Anos – fazendo referência na obra também as mulheres de 40 anos.

Na obra Balzac fez uma apologia a estas mulheres de mais idade. Em comparação a moda da época, em que as jovens moçoilas eram cortejadas no máximo até os 20 anos. 

Sua personagem principal, Júlia d`Àiglemont, é o grande retrato da mulher mal casada, que após anos de infelicidade, ao chegar aos 30 consegue encontrar o amor nos braços de Carlos Vandenesse.

Ao terminar uma espécie de resumo, fazendo uma narrativa ao telefone, minha amiga do outro lado entendeu o elogio, visto já ter chegado a esta idade e agradeceu.

Hoje, cuido mais ao dar “elogios literatos” as minhas amigas. Fico no trivial. Caso contrário teria que andar com algumas centenas de livros embaixo do braço e distribuir após cada elogio. Assim fico no simplesinho. Feliz Aniversário Mulher.

Mas balzaquianas e lobas, continuem sendo o que são surpreendendo nossa primitividade e nossa ignorância ao imaginarmo-nos “superior”. Mas ao menos os que pensam, já sabem que isso é ótimo. Continuem superiores balzaquianas e lobas. Bem-vindas.

Quanto aos ditos “homens”, Pensem mais... Ainda, não dói!




Entendimentos & Compreensões
Leituras & Pensamentos da Madrugada
Publicado no Grupo Kasal – Vitória – ES – em 08.03.2012
http://www.konvenios.com.br/info/Artigos.aspx?codAutor=117