sábado, 2 de março de 2013

" A República dos Insatisfeitos - I - !"







"... Não existe esperança nas coisas.
Mesmo assim, é preciso
estar decidido a mudá-las...!"

                          Francis Scott Fitzgerald
                                



Leo Wallace Cochrane Júnior,  dissertou, certa vez, sobre o assunto acima, com grande mestria, que nos baseamos em sua obra, para a abordagem exata:

A República Brasileira já está com mais de cem anos. Para todos os que se identificam com objetivos e valores, regras e métodos da sociedade moderna democrática, cabe a pergunta: que República é essa? Não é difícil a resposta: essa tem sido a República dos Insatisfeitos e dos Incomodados.

Na cidade um golpe, sua primeira e curta fase caracterizou-se pela dominação das armas, a chamada "República da Espada" (1889-1894). A fase seguinte, que só terminaria em 1930, esteve sob a égide do controle civil. No entanto, ficaram bem conhecidos os expedientes utilizados pela oligarquia que assumiu o poder: "Fraude, eleitoral, mandonismo, coronelismo, filhotismo", decisões de bolso de colete", etc. A jovem República tornou-se velha ao ser derrubada por outro golpe: a revolução de 30. Entre 1930 e 1937 o País experimentou seus primeiros ensaios nos chamados tempos modernos: surgiram as matrizes da vida partidária em âmbito nacional, a cena política entrou em compasso com o debate ideológico contemporâneo, a atividade estatal encorpou-se com a centralização, a diversificação das fungues governamentais. Em 1937, um outro golpe desfez a experiência democrática iniciada sete anos antes, inaugurando a primeira etapa abertamente em nossa história republicana.

Entre 1945 e 1964, o Brasil conviveu com uma democracia. Quatro presidentes foram eleitos pelo voto direto, mas somente dois conseguiram cumprir normalmente seus mandatos. Um suicidou-se, outro renunciou. Dois vice-presidentes, cumprindo preceitos constitucionais assumiram seus cargos mas acabaram sendo depostos. Nascido de um golpe militar, o regime de 46 seria superado por outro movimento de força, o de 31 de março de 1964.

A partir de março de 1964, e por 21 anos, o País ficou sob rígido controle militar. Atos institucionais, atos complementares, Constituição imposta (a de 1967), emenda constitucional outorgada (a de 1969), casuísmo pacotes autoritários desfiguraram qualquer indicio da vida republicana e democrática.

A presente fase de transição pela qual ainda atravessa-se, assinala a primeira etapa de nossa vida republicana, que, não tendo sido resultado de um golpe, não foi superada por outro golpe. Ao contrário, foi consequência gradual e penoso processo de integração entre a cúpula da corporação militar e as elites políticas civis que souberam interpretar os legítimos anseios republicanos da sociedade civil. Tal interação, por certo, muitas vezes foi áspera e tortuosa, mas nos levou ao atual estagio de  liberdade de opinião pública e a promulgação de uma nova constituição. No entanto, sabe-se que os militares se retiraram do governo como formuladores em última instância continua interessados na normalidade do processo de mudança política.

Uma rápida reflexão como esta já basta para demonstrar porque essa é a república dos incomodados e dos insatisfeitos. E também porque a opinião internacional pública nos trata com tanto menosprezo, nos aproximando muito mais das bananas republicas do que das grandes democracias ocidentais.

Será que não é óbvio? 
Se for, continuaremos o assunto da próxima vez.


Entendimentos & Compreensões
Leituras & Pensamentos da Madrugada
Publicado no Grupo Kasal –Vitória – ES -  em 27.02.2013