quinta-feira, 28 de março de 2013

“A (In) dividualidade Conquistada!” - O adeus às falsas felicidades –






“... Nos grandes feitos, algo subsiste. Nos grandes espaços,
algo permanece. Formas mudam e passam, corpos desaparecem,
 mas os espíritos ficam para consagrar o solo que servirá de morada
 à visão da alma. E homens reverentes, e mulheres vindas de longe,
e gerações que não nos conhecem e não nos conhecerão, um dia
chegarão até aqui para pensar e sonhar.
E o poder da visão passará para suas almas...!”

Joshua Lawrence Chamberlain, 1828-1910.



                                        Livres e juntos. Separados mas coesos. Antagônico? Talvez. Porem esta-se visualizando novos tipos de relacionamentos. Em todos os sentidos. Pessoas querendo mais de si mesmo e esperando menos das outras. Em uma das mensagens colocadas na rede mundial de computadores, está assim: “... Quem disse que para estar junto precisa estar perto? (...)”.

Ao entrarmos neste universo busco a citação de Laura Potter, por Zygmund Baumann, ao dizer que ela embarcou em uma habilidosa exploração de todos os tipos de “sala de espera” na expectativa de que viesse a encontrar ali “pessoas impacientes, descontentes, agitadas, xingando cada milissegundo perdido” – explodindo diante da necessidade de esperar pelo “assunto urgente”, qualquer que fosse que os levara para lá. Com nosso “culto à satisfação instantânea”, pondera ela, muitos de nós “teríamos perdido a capacidade de esperar”. Como se neste momento “esperar” se transformasse em um palavrão. Queremos tudo para agora.
E levamos isso para tudo. Principalmente os relacionamentos.

Para Abraham Maslow, toda e qualquer “oferta” exige certo sacrifício da parte do doador, e é precisamente a consciência do autossacrificio que aumenta seu sentimento de felicidade.
Porem antes de querermos ser “dois”, precisamos aprender a ser “um”.
Anular o passado, “renascer”, adquirir um eu diferente, e mais atraente ao mesmo tempo em que se descarta aquele que “está velho”, usado e não é mais desejado.
Reencarnar como “uma pessoa completamente diversa” e começar de “um novo início”...

São sedutoras ofertas e difíceis de serem rejeitadas de imediato.
Em verificações atuais sobre os novos tipos de relacionamentos que tendem a substituir o antigo “até que a morte os separe”, outro autor, Stuart Jeffries observou a maré montante de “compromissofobia” e descobriu que são “cada vez mais comuns” os “esquemas de comprometimento “light” que minimizam a exposição a riscos”.

Esses esquemas, na visão do autor, visam a espremer o “veneno do ferrão”.
Entrar em um relacionamento é sempre um negocio arriscado, já que as armadilhas e espinhos do convívio tendem a se revelar gradualmente e é muito difícil realizar antecipadamente seu inventário total.

Entrar em um relacionamento associado ao compromisso de mantê-lo a despeito de qualquer adversidade, o que quer que aconteça, é como assinar um cheque em branco. Isso pressagia a possibilidade de se confrontar com algo ainda desconhecido, e com desconfortos e sofrimentos inimagináveis, sem uma cláusula de escape que possa ser invocada.

Assim os relacionamentos “novos e aperfeiçoados”, de “comprometimento light”, reduzem seu tempo de duração para que ele seja o mesmo da satisfação que produzem: o compromisso e é valido até que a satisfação desapareça ou caia abaixo de um padrão aceitável – e nem um instante a mais.
Os parceiros são mantidos perpetuamente em estado de nascimento, incertos quanto ao futuro, precisando constantemente provar de modo cada vez mais convincente que “ganharam” e “merecem” a simpatia e a lealdade do parceiro.
 “Ser amado” nunca é suficientemente obtido e confirmado, continua sendo eternamente condicional – a condição sendo um suprimento constante de evidências sempre renovadas da capacidade de estar sempre um passo a frente - contrariando com isso o pensamento imortal de Nietzsche -.

Mas e a ambiguidade da incondicionalidade tão perpetuada por ele e agora uma condicionalidade requerida?
Ele continua tendo razão. Porém, estamos experimentando novas realidades a partir de seus pensamentos. Estamos nos conhecendo um pouco mais, conhecendo mais o outro, esperando mais de nós, esperando menos do outro.

Desta forma em nossos momentos, atuais, a lealdade por toda a vida é uma benção misturada com muitas maldições. E se as ondas mudarem de direção, e se acenarem com novas oportunidades? E se o próximo e querido não for mais querido, mas continuar perturbadoramente próximo?

 Daí a ansiedade, o medo de perder o que se tem misturado com o medo de ser incapaz de se livrar daquilo que não é mais desejado – encimados pelo medo de se encontrar na extremidade receptora do ímpeto e determinação do parceiro.
Para alguns autores traçar essa fronteira com precisão pode ser uma tarefa torturante, mas de uma coisa podemos ter certeza: onde quer que se encontre, ela é violada no momento em que se declarar que atar e desatar vínculos são atos neutros, moralmente indiferentes, de modo que ambos são eximidos de responsabilidade pelas consequências recíprocas de seus atos.

Aquela mesma responsabilidade incondicional que o amor promete, para o que der e vier, e luta para construir e preservar.
A felicidade, lembrando o que diagnosticou Kant, é um ideal não da razão, mas da imaginação.

Ele também advertiu, conforme Baumann, que o caráter tortuoso da humanidade, nada de reto poderia ser feito. John Stuart Mill pareceu combinar as duas sabedorias em sua advertência: “quando você pergunta para si mesmo se é feliz, você deixa de sê-lo”.

Independente de qualquer visão de pensadores e estudiosos e para nós simples mortais? O que significa? Como estamos enfrentando tudo isso nesta, dita, modernidade? E tão necessitados de amar?  De sermos amados?
Medos de errarmos novamente?

Que tal apenas não fazermos os mesmos erros? Que tal experimentar? Se errarmos, serão novos erros. Vamos ao menos começar a pensar nisso?
E pensar não dói... Porém amar-se, sobretudo, para amar o outro, parece ser uma nova velha condição de experimentar não mais falsas felicidades, mas sim momentos específicos e aflorados de uma vida feliz.

Quem sabe não esta aí a diferença? Por que não podemos pensar diferente em nossa modernidade, sobretudo, começarmos a agir diferente? Mas acima de tudo, amar muito novamente.
O restante fica para você colocar em prática e ajudar a buscar uma nova forma de amarmos amando.
Nos grandes feitos, algo subsiste...




Baseado nos pensamentos citados de autores
 Entendimentos & Compreensões
Leituras & Pensamentos da Madrugada
Publicado no Sitio da Kasal – Vitória – ES – em 27.03.2013
http://konvenios.com.br/info/Artigos.aspx?codAutor=117