segunda-feira, 4 de março de 2013

" A República dos Insatisfeitos - II -!"








"... Discrição é saber dissimular o
que não se pode remediar..!."
                   Provérbio Espanhol



Com fundamentadas razões históricas e sociológicas, os analistas estrangeiros veem os momentos democráticos entre nós como meros desvios ocasionais de uma constante trajetória autoritária.

Eles terão razão se não redobrarmos nossas condições republicanas e não fizermos da lucidez nosso principal exercício. Todos os administradores do capital, as lideranças sindicais tem que se convencer, tal como ocorreu até onde se solidificam as repúblicas democráticas, de que devem perfilhar um "possessivismo patriótico".

Se todos quiserem pensar e defender seus episódicos momentos de poder, seus lucros imediatistas, seus salários, de um ponto de vista meramente corporativo, é certo que se arriscam todos, igualmente, a perder tudo.

A pátria é como a família: se um perde, todos perdem; se um ganhar, todos ganham. Para que interessa ter esse pode se esse poder leva ao terrorismo? De que interessa ter o lucro desmesurado, se isto leva a desestruturação da atividade produtiva? De que interessa ter aumentos salariais momentâneos, se isto leva ao caos e a desorganização social? Raciocínio aparentemente simples, mas que, na verdade, dá consistência aos fundamentos de qualquer nação viável.

A alternativa para o prosseguimento da transição rumo a uma verdadeira república democrática não é a revolução, como parecem desejar alguns, ou um novo surto de autoritarismo. A primeira alternativa não conta com nenhum requisito histórico realmente palpável e identificável. A segunda devido ao seu incalculável custo político e econômico, simplesmente mergulharia o País no caos.
Que República deve ser essa. Antes de qualquer coisa, ele deverá ser tudo que não foi até agora.
Deve ser tudo aquilo que o passado já registrou, informou, de geração a geração, e servido ao presente, para se preparar a tão sonhada modernidade, isto se ela já não passou correndo e assustada por aqui.

Deve ser um centro social de homens com cabeças livres, pensantes, de acordo com as necessidades que temos, e principalmente, vendo longinquamente à frente, todas as que teremos.

Deve ser a República, ou dê-se o nome que preferir de homens decentes e conscientes de seus deveres e responsabilidades, principalmente no tocante a direção equilibrada, justa e fraterna e reta do estado.

O fraterno, aqui, não se entende, por distribuição de lucros conseguidos através do povo, para o paternalismo e a subserviência própria.

Deve ser o país, que aprendemos a amar novamente, que aprendemos a respeitar, e nossos símbolos usados com amor, com paixão, e não simplesmente para enfeitar paredes militares, e na maioria das vezes demagogos.

Deve ser o país do respeito mútuo, principalmente do respeito a vida, das crianças, das pessoas mais idosas, dos doentes, dos sistemas que estão tão abalados atualmente.

Deve ser o país dos nossos sonhos. Só que precisamos trabalhar, trabalhar, trabalhar, e muito trabalhar, para realizarmos estes planos.

Caso contrario, obviamente, permanecera como um grande e eterno sonho.
Só que não realizado.
Óbvio, não?
Bem, Pensar... Ainda não dói!


Entendimentos & Compreensões
Leituras & Pensamentos da Madrugada
Publicado no Grupo Kasal – Vitória – ES – em 01.03.2013