terça-feira, 19 de janeiro de 2016

#Serie REFORME SEU POLÍTICO:
  A Política Possível e Necessária!
O Partido

“... Todas as grandes coisas são simples.
E muitas podem ser Expressas numa só palavra:
liberdade; justiça; honra; dever; piedade; esperança.!”
                                                                                                    Sir Winston Churchill

 Sempre tive como concepção filosófica, que um partido político deva se organizar sob conceitos comuns coletivos, expressos de tal forma que enfeixe até o limite máximo da flexibilidade um conjunto de ideias e opiniões dessa coletividade. Isso significa que independente de um matiz mais rosa e/ou azul de um determinado conceito, por expressar o mesmo princípio básico, é uma simples parte criativa particular desses mesmos conceitos.
É evidente, que um partido para evoluir, crescer e se ajustar aos tempos permanentemente, tem que ser um caldeirão de ideias e discussões tal, que esteja com seus princípios constantemente aerados e que com isso se torne receptivo a novos quadros de novas gerações, de tal modo que sua composição admita que, ainda que hajam diferentes modos de se enxergar o objetivo final, que é a máxima filosófica partidária, estes sejam apenas atalhos e/ou vias abreviadoras, que de forma alguma alteram a vocação ideológica desse partido
.

Lembro aqui, que são as “pedras de moinho” que fazem do grão de trigo bruto, desde a farinha mais grosseira e rústica até a “flor da farinha”. Tudo isso vai depender da experiência e sabedoria do moleiro e da idade das pedras desse moinho. Com certeza, até que as pedras novas se ajustem, há de se comer ou farinha muito grossa, ou farinha fina ainda misturada de pó de pedra. Ajustadas e aplanadas as faces das pedras será da escolha do moleiro a qualidade da farinha produzida, mas que, todavia, será sempre produzida pela trituração dos grãos de trigo.
Em muitos países do mundo um determinado partido político, (um partido social democrata ou um partido socialista, por exemplo), graças à força dos princípios partidários consolidados, congrega membros em seus quadros desde ideias da esquerda moderada até as da direita moderada, que não são conflitantes em absoluto, mas que guardam tão somente visões particulares quanto a um detalhe sem, contudo, comprometer a ideia mestra.
“Partidos de visão única”, que expressam uma ideia dogmática e métodos rígidos únicos de um líder ou de uma cúpula, a História tem mostrado claramente, que são organizações, que em muito se aproximam de “verdadeiras religiões” e geralmente são impregnadas de excessivo culto à personalidade e por isso de fanatismo político.

Um verdadeiro partido político representa um ideal que está na cabeça dos cidadãos de uma nação independente da região, grau de desenvolvimento, composição étnica e de opinião religiosa e que a rigor são princípios arraigados por toda a cidadania. Ou seja, é um fator aglutinante de muitas diferenças, que se unem muitas vezes em torno de um “princípio básico” formador da consciência política dessa parte da sociedade.
É uma concepção empírica com toda a certeza, mas é o empirismo que une os diferentes, visto que a associação através das realidades pulveriza a visão política e tão somente faz aumentar a divisão. Como diz o ditado baiano: “farinha pouca, meu pirão primeiro”.
O que identifica uma Democracia sólida é a existência de partidos perenes, que ainda que criados muitos anos atrás baseados na concepção de seus membros fundadores, eles não representavam uma meta de ascensão e realização política exclusiva do grupo, mas principalmente o desejo de uma grande parcela da sociedade, que desejava se fazer representar nas suas crenças democráticas.
Já no Brasil de hoje, nenhum dos partidos tem mais de 30 anos de protagonismo político real encimados por um ideal partidário permanente. Alguém pode falar do PTB de Getúlio Vargas presente até hoje no cenário político, mas que desde que Getúlio morreu o partido é um “fantasma” do seu criador e dele mal se pode ver qualquer referência e protagonismo.


Esse tem sido o destino de todos os partidos políticos brasileiros. Mortos seus líderes criadores, simplesmente se apequenam até sua extinção. Alguém vê futuro em um PSDB sem a figura de Fernando Henrique Cardoso, ou o PT sem Luiz Inácio Lula da Silva?
Infelizmente estamos condenados à falta de educação política e real militância, porque os partidos se assemelham ao que acontece nas Igrejas Evangélicas, onde nascem novas seitas todos os dias por força da palavra de um pastor que promete a felicidade eterna graças a um novo “marketing religioso”. O Mestre lá no céu deve ficar atônito de como a sua mensagem que era tão simples na essência, pode na boca alheia ser tão distorcida e “vendida”.
Funda-se uma nova religião todo o dia, meramente pela discussão do tamanho dos pregos, que o crucifixaram. E é nesses “pregos políticos”, que estamos pendurados, sem qualquer chance de ressureição.


O novo fenômeno atual é o de fundar partidos mediante a adesão de filiados via Internet em suas redes sociais. Tanto quanto os partidos fundados por líderes carismáticos ou de grande interesse político esses também serão fadados à vida breve, pois em seu nascedouro mais uma vez as pessoas não olharam mutuamente nos olhos e por isso a frieza da adesão eletrônica não será capaz de manter unidas gentes e ideais.
A fundação de novos partidos e a reafirmação dos existentes deveria exigir que os mesmos tivessem obrigatoriamente na sua estrutura uma área atuante e não de “simples fachada” de “educação política”, voltada à discussão ideológica e programática de seus objetivos, afim de atrair e formar novos membros. Se o político não for educado politicamente, o que esperar da política? Se “sangue novo” não é adicionado, como renovar politicamente um partido e criar novas lideranças. É dessa doença que tem morrido permanentemente os partidos no Brasil e é disso que morrerão os atualmente existentes.




                                                         Das Percepções de um Brasil Atual do
                                                                                     Escritor e Articulista
                                                        Antônio Figueiredo – São Paulo – SP –



 
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