quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Educaççao na UTI

#SOSEducacao:

“Educação na UTI! ”

“.... É "temerário" mudar primeiro o currículo

 do Ensino Médio para ajustá-lo depois...!

Prof. Nelson Valente – Santa Catarina

É necessária cautela na unificação das 13 disciplinas do ensino médio público nacional em quatro grandes áreas do conhecimento - anunciada recentemente pelo Ministério da Educação (MEC). Pela proposta, prevista para vigorar a partir do próximo ano, as disciplinas serão integradas em ciências humanas, ciências da natureza, linguagem e matemática.

É uma medida "precipitada" e sugere a criação de um debate na sociedade a fim de aperfeiçoar o projeto e apresentar solução para os problemas crônicos do ensino médio nacional. O que se teme é que o ensino médio fique mais genérico e prejudique os alunos, principalmente os menos favorecidos que não podem estudar em escolas privadas.


A impressão que se tem é a de que, para evitar o problema de evasão escolar, querem baixar medidas sem enfrentar as causas mais profundas do ensino médio.
Pelo meu entendimento, a iniciativa do MEC contraria as novas diretrizes do ensino médio aprovadas pelo Conselho Nacional da Educação (CNE) em maio de 2011 e que foram estabelecidas na Resolução nº 2 - publicada em janeiro deste ano. Conforme as normas aprovadas pelo colegiado do CNE, os componentes curriculares devem ser organizados em quatro blocos, garantindo a permanência das 13 disciplinas. Isto é, Linguagens, reunindo as disciplinas de línguas portuguesa, materna para populações indígenas e estrangeira moderna; arte - em suas diferentes linguagens (ciências, plásticas e musical) e educação física. Outro bloco é matemática, sozinha. Há também o bloco ciências da natureza que reúne biologia, física e química. Outro é ciências humanas que abrange as disciplinas de história, geografia, filosofia e sociologia. A proposta do MEC de integração das disciplinas do ensino médio sinaliza uma manobra em uma tentativa de "resolver a falta de profissionais" no País. É "temerário" mudar primeiro o currículo para ajustá-lo depois. Sou favorável à inovação e às novas iniciativas, mas essa decisão, no mínimo, é precipitada.


Livros didáticos articulados - Além de considerar precipitada a unificação das disciplinas do ensino médio, considero também prematuras as metas do Plano Nacional do Livro Didático (PNLD) de 2015 as quais preveem a distribuição de livros e material didáticos articulados com outras áreas do conhecimento.

É impossível atingir a meta. O Brasil não tem escritores para escrever esses livros e não estão explícitos os possíveis escritores e atores que poderão contemplar a interdisciplinaridade de textos para o ensino básico.
#SOSEducação -. Defendemos o decálogo:
1. Criar cursos técnicos, de acordo com as necessidades do mercado de trabalho e reservar 800 horas para a sua ministração, na 3 ª série, deixando a escolha a cargo dos alunos;
2. Preparar professores para os cursos técnicos;
3. Elevar para 70% o domínio de Matemática e Leitura, num prazo de 5 anos;
4. Ampliar o número de escolas de tempo integral, com professores de dedicação exclusiva e salários compatíveis;
5. Considerar o potencial da educação a distância. O Brasil tem, hoje, 1,1 milhão de alunos frequentando os vários cursos dessa modalidade;
6. Construir bibliotecas e laboratórios, especialmente de informática;
7. Criar, dentre os gestores escolares, o cargo de Inspetor de Qualidade de Ensino (IQE), para acompanhar adequadamente o cumprimento pleno do currículo escolar;
8. Cuidar efetivamente da assistência aos alunos portadores de necessidades especiais, incluindo-se as altas habilidades (superdotados);
9. Oferecer bônus aos professores e especialistas por resultados;
10. Corrigir a defasagem idade/série.
Temos também a esperança de que a educação a distância seja também de extrema utilidade no ensino médio.
#SOSEducação: observando...


No ensino público: faltam 400 mil professores no ensino básico (fundamental e médio) no País. A maior carência é para as disciplinas de matemática, química, física e biologia. Há escolas que nem as têm na grade.

O Brasil dá mais ênfase ao topo, o Ensino Superior, do que à base, o Ensino Fundamental. O resultado é outra manifestação de instabilidade: a qualidade do Ensino Superior vem sendo puxada para baixo por causa da má qualidade do Ensino Médio; e este também vem perdendo qualidade por causa da piora no Ensino Fundamental.
O problema é o Ensino Fundamental. O Ensino Médio encontra-se entre o Ensino Superior e o Ensino Fundamental: vai desabar e com consequências inimagináveis no sistema educacional brasileiro, enfim, um desastre na educação brasileira. 


Entendimentos & Compreensões

Prof. Nelson Valente -
Professor universitário, Jornalista e Escritor
Autor da Obra em lançamento:
Jânio Quadros: A Vassoura em ação
Editora Prismas em:
http://www.editoraprismas.com.br/produto/7871807/PRE-VENDA-Janio-Quadros-A-Vassoura-em-acao

Criador junto com o editor 
Da Hastag #SOSEducacao
Santa Catarina – SC.
Arquivos da Sala de Protheus
www.epensarnaodoi.blogspot.com.br