quarta-feira, 30 de dezembro de 2015


Ano Novo... Roupa Velha!


Chegamos ao final de 2015 e em mais uma troca de data na corrida do século, em 2016. Uma vez mais as pessoas estarão se saudando e confraternizando, como recomenda a canção: adeus ano velho, feliz ano novo. Que tudo se realize no ano, que vai nascer. Muito dinheiro no bolso. Saúde para dar e vender... Todavia, não sei se é por não conservarmos mais um hábito antigo de nos apresentarmos a ele vestidos de “fatiotas novas”, ou se por mais otimismo e boa vontade, que tenhamos, sabemos que o caminho a percorrer em 2016 será árduo e para muitos, evidentemente os mais despossuídos, a gangorra dos “sete anos de vacas gordas e sete anos de vacas magras”, uma vez mais endividados na esperança, estarão amargando o dissabor do retorno à condição social inferior anterior. Como diz o ditado: é bom ir de burro para cavalo, mas é amargo voltar de cavalo para burro.
É muito fácil se irritar e emputecer, atribuindo aos outros as nossas mazelas. Ao patrão, que paga um salário cada dia menor, quer pressionado pelo aumento dos custos, ou pela ganância do maior lucro. Aos políticos representantes, que eleitos, passam pelo mandato e por nós sem nos reconhecer em suas promessas. À presidente, que incompetentemente para se manter no poder, afunda o futuro risonho sonhado em uma realidade sarcástica. Acredite seu burro...


Eu, ao contrário, filosofo...
O que leva os habitantes de um país tão grande e rico a serem tão ingênuos? O que leva os habitantes de um país tão promissor a serem tão indulgentes? Enfim, o que leva os habitantes de um país tão abençoado em recursos e clima a serem tão omissos e abram mão de determinar o seu futuro destino?
É incrível, que um povo, que aos milhões passa pelo maior sufoco por seu entusiasmo em se apertar na praia de Copacabana e por todo o litoral do Brasil para ver uma “festa da virada” de fogos, na esperança que sua roupa branca e as rosas jogadas ao mar para Iemanjá trarão um milagre automático. Ou ainda, que se comprimam nos coletivos, engarrafamentos e estádios para ver a final do campeonato, pelo simples prazer de ver seu time se sagrar campeão, uma alegria tão breve, quanto a viagem de volta. E até mesmo em se apertar e empurrar no meio da multidão para ver um show de rock ou sertanejo, cujo prazer termina no último acorde.


Os sonhos têm a péssima mania de acabar e nos devolver à realidade...
 Continuamos a colocar os “nossos poucos ovos de esperança” em muito poucas cestinhas, sempre as erradas e que ao final sempre acabam caindo no chão e que desesperançados uma vez mais vemos nosso ideal quebrado e melando o chão e nos sentindo deserdados e inúteis. Seria isto um fatalismo histórico ou uma escolha inconsciente?
O que penso, é que já é passada a hora da cidadania começar a cuidar dos seus assuntos e interesses. Se a experiência nos indica, que o atual sistema de representação está falido e de há muito não nos atende, é hora de muda-lo. E como?
A menor célula social é a família, que é a “câmara baixa” e onde devem começar as discussões e depois os vizinhos. Entre um “bom dia” e uma “boa tarde” perguntar sua opinião sobre a falta de um representante mais próximo dos reclamos da sua comunidade/bairro/município.
Gostaria de aqui reposicionar toda a discussão, que se faz nos dias atuais. Uma das reformas mais reclamadas é a Reforma Política e é disso que discordo. As boas práticas políticas já existem ensinadas nos diferentes países, assim como bons sistemas de representação, que já são aplicados, de acordo com as idiossincrasias de cada sociedade. Nada que uma boa discussão política não apresente entre todas as alternativas, as que mais se adequam ao Brasil. Não temos nada a inventar. A roda já existe e a pólvora também.


A única reforma que cabe à sociedade fazer é a dos “usos e costumes” dos nossos políticos, que ao serem eleitos e assumir seus mandatos, passam a se considerar uma “classe especialíssima” acima da moralidade e leis aplicáveis a qualquer cidadão, em total dissonância e principalmente, em desrespeito ao princípio de que “todo cidadão é igual perante a lei”. Eles são cidadãos comuns e não semideuses como se consideram.
Não podem e nem devem existir Regimentos Internos ou Códigos de Ética no Legislativo, Executivo e Judiciário, que não correspondam ao que a lei comum estabelece para o julgamento do cidadão comum. Não devem existir “manobras regimentais” ou “pedaladas”, que deem prerrogativas especiais a quem foi eleito pelo povo, que os elegeu sob a premissa que uma Democracia é composta de iguais.
 Ao Judiciário, a partir de suas funções desde as cartoriais até a Instância Máxima, cabe exclusivamente interpretar as leis de acordo com os interesses da sociedade sem veleidades e carteiradas e ao Executivo o respeito extremado ao princípio do Federalismo sem vassalagem.


A reforma esperada e necessária é a do “comportamento do servidor público”, porque todos eles são assim considerados, bem como a sociedade é a sua “patroa”. Em nada os seus deveres e obrigações têm privilégios por serem os responsáveis pela administração do bem e dinheiros públicos, assim como qualquer gerente ou administrador na iniciativa privada, que é a escola de muitos que estão lá nos representando. Por que deve então acontecer e/ou justificar essa mudança de comportamento?
Usar “roupa velha” na passagem de ano é uma escolha de cada um. É muito impossível talhar roupas novas em matéria política, mas sempre poderemos “reformar a roupa velha” de forma a que se ajuste ao nosso figurino cidadão.

Em 2016, REFORME SEU POLÍTICO. Eles não vão gostar muito, mas afinal quem se veste com eles somos nós e não podemos mais exibir um “smoking” luzente pela frente, mas que a parte traseira rota e rasgada em andrajos nos deixe permanentemente de “bunda de fora”.
Feliz 2016 a quem não for covarde...


 
Das Percepções de um Brasil Atual do
Escritor e Articulista
Antônio Figueiredo – São Paulo – SP –


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