quarta-feira, 9 de setembro de 2015


#SerieAnalise:

 

"Vambora Andá ...!"


"...Vamborandá que a terra já secou, borandá
É borandá, que a chuva não chegou, borandá
Já fiz mais de mil promessas
Rezei tanta oração
Deve ser que eu rezo baixo
Pois meu Deus não ouve não...!"

 

Edu Lobo - Borandá

 

Cada tempo com sua forma de luta. Era assim que em 1966 empunhávamos o talento de Edu Lobo, Nara Leão, Zé Kéti, Capinam, Ruy Guerra, Sérgio Ricardo, Marcos Valle, Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil e tantos outros para cantar através da “Nova MPB” a nossa percepção e através dela pensar numa nova realidade para o “nosso Brasil” de então.

Não era mais o “Brasil da bossa nova” cantando o amor, o sorriso e a flor, a garota de Ipanema, o Corcovado do Redentor, que lindo ou a chegada triunfal ao Galeão do amado Rio, nascido no Governo lá da segunda metade dos anos 50, que nos dava uma nova capital e prometia fazer acontecer 50 anos em 5 de Juscelino, o Presidente Bossa Nova. Ainda assim era somente a “voz da Zona Sul” manifesta.


Mais distantes ainda estavam os últimos Anos Vargas de Emilinha Borba, Marlene, Francisco Alves, Orlando Silva, Nora Ney, Carmen Miranda, Jackson do Pandeiro e Elizete Cardoso, que cantavam as “dores da fossa”. A julgar pelas músicas de então, Risque, João Valentão, Serenata do Adeus, Xote das Meninas, o único problema brasileiro mais sério era a “dor de corno”. Mas, se fuçarmos um pouco mais lá atrás durante o Estado Novo e toda a Ditadura Vargas, não vamos encontrar nenhuma crítica social e política, mas sim muito de uma linha ufanista do “meu Brasil, brasileiro” por encomenda do “ditador empoleirado”.

O que provocou essa mudança tão radical na consciência social e política da juventude em menos de 30 anos? Posso falar em testemunho pelo “meu tempo”, pois foi nessa época, que no segundo grau e nos cursinhos preparatórios dos vestibulares tornou-se obrigatória a leitura dos “clássicos brasileiros”, como Graciliano Ramos, Vianna Moog, Josué de Castro, Guimarães Rosa e Euclides da Cunha, que escreviam sobre temas sociais principalmente sobre o “longínquo hinterland” brasileiro, além de Machado de Assis, José de Alencar e outros.


Do que a “sociedade brasileira” vem fugindo ao longo da sua história, principalmente considerando-se um processo de demérito das nossas melhores cabeças pensantes cada uma em seu tempo?


Estamos numa "entressafra crítica" de pensadores e pensamentos e cada qual contando a História do Brasil, que me melhor lhe serve. É esse o legado que vamos deixar aos futuros brasileiros?
Vambora andá, brasileiros!

 
 Das Análises & Entendimentos
Antônio Figueiredo
Cronista & Escritor
São Paulo - SP –
Exclusivo para a Sala de Protheus