sábado, 22 de novembro de 2014


#PensarNaoDoi:


“Testamento Ético!”

 

“... Dentre aqueles que respeitam o pai, a mãe e os irmãos, são poucos os que realmente desobedecem aos próprios superiores! E ainda não se viu um homem que, não querendo desobedecer aos superiores, provocasse desordem. Para o senhor, tudo isso é fundamental: de fato, é a partir disso que nasceu a ‘norma’. O respeito para com os pais e os irmãos é à base da superioridade...!”

 Confúcio – Filósofo Chinês - Os Colóquios 1,2.

 
                            Caminhando com um amigo e divagando sobre ás dádivas do mundo, somos interrompidos por outro caminhante vindo em sentido contrário que nos para. E dirigindo-se a mim, estende-me a mão e diz:
-Bênçãos ‘dindo’ (um diminutivo carinhoso para padrinho), em seguida abraçando-me e deixando-me, como a um presente, um beijo na face.
Respondo-lhe tão somente, ao devolver os afago e gentilezas:
- Que sejas abençoado e sempre amado....
Dizendo-nos aonde ia, despede-se também de meu amigo e segue.
Este, meu amigo, um pouco atônito e quase incrédulo deixa escapar....
- Meu Deus... Isso existe ainda?
Como que para manter a conversação e arguir-lhe a referência da afirmação devolvo-lhe:
- Do que estas falando?
- Do que este rapaz (tem 25 anos e é engenheiro agrônomo especializado) fez com você! Isso eu só vi em filmes e livros ou meus pais contando como eram os costumes à sua época.
Como que por gracejo devolvo-lhe:
-E qual é a sua época... Seguindo de um breve sorriso.
- Estou espantado deste tratamento tão respeitoso ainda existir.
Sim, meu amigo, em alguns lugares existe pessoas a quem a melhor das heranças lhes foi deixada ainda em vida.
E este será, com certeza, meu grande testamento.
Meu amigo incrédulo com o que havia escutado deixa o questionamento:
- Como assim...
Amigo, nada tenho de grandes fortunas, propriedades ou o que geralmente se deixa por escritor como testamento ao deixarmos esta vida, aos nossos filhos ou aqueles que nos precederão. Por desleixo, ou pensamentos adversos nunca me preocupei, além de um bom estudo e uma educação privilegiada no pensamento puro em trabalhar para simplesmente “dar-lhes” algo. Confesso.
- Bem não estava falando de herança. Devolve-me o amigo.
Mas eu estou. E são exatamente estes valores, esta significação com tantos significados profundos e esta relação humana que não ultrapasse o demasiado humano (parafraseando Nietzsche) que já deixei desde suas tenras idades para meus amados filhos.
- Como assim? Continua indagado meu amigo.
- Deixei-lhes já em vida, uma herança ética. Um respeito profundo pelos mais velhos, valores intrínsecos à sua criação, foram sendo depositados em seus “cofrinhos” (consciência) desde muito cedo.
 As brincadeiras junto a eles, quando algo era ultrapassado, era-lhes mostrado na prática quais seriam os efeitos para outras pessoas seguindo-se sempre de um questionamento: - Gostaria que fizessem isso com vocês? Em suas inocências divinas e perfeitas, a resposta a este questionamento era sempre negativo. Assim de exemplos em exemplos, foi efetuado uma espécie de “poupança” ética de respeito, de valorização da vida, de sentimentos profundos, de autoconhecimento, que os ajudaram a terminarem seus estudos e estarem independentes, felizes, confiantes em suas próprias vidas.
Eles precisam antes de qualquer coisa, deles mesmos. Não necessitam de mais ninguém. E por não necessitarem estão sempre em meio e junto a todos. E estando junto são necessários e tem necessidades. E de seus anseios partilhados mostram suas iluminações profundas o que se transforma em uma ‘armadura’ impenetrável para o mal, para a inveja, para sentimentos negativos e destrutivos. Assim eles têm a ‘varinha mágica’ em seus próprios corações comandados por suas razões para enfrentarem todas as adversidades que a vida poderá colocar a frente como desafios.
E meu amigo... Até agora, somente tive altíssimos ‘dividendos’ e ‘juros’ imensuráveis desta minha ‘poupança’ efetuada desde suas tenras idades até hoje. Considero-me assim riquíssimo. Desta forma posso já ter deixado, ainda em vida, uma herança, que nunca lhes será tirado.
De suas dignidades que apenas lhes mostramos o caminho, eles firmaram tal qual ‘rocha’ um caráter provido dos melhores sentimentos e defesas.
Sentimentos de generosidade, gentilezas, de amor puro por todos aqueles que buscam. Assim se tornam e fazem da indulgência uma espécie de nova virtude. E por outro lado a defesa contra todas as hipocrisias e mediocridades. Estas as que tropeçamos, todos os dias, ao estarmos frente a seres que não possuem ou aprenderam sobre as virtudes e valores de uma vida plena e digna.
Dei-me conta de que estávamos parados em uma esquina... Meu amigo absorto em meu discurso e comovido apenas disse-me:
-Preciso, antes de casar falar mais com você. Obrigado! – Conclui ele.



Não, meu amigo, não sou exemplo. Apenas devolvi aos meus filhos o que muitos seres me ofertaram com generosidade, sorriso vindo do coração e uma luz sentida da alma que pouco encontrei depois disso. Tenha certeza.
Meu amigo simplesmente abraça-me um tanto comovido e sai absorto com seus pensamentos.
Para você que esta lendo isso, agora, somente posso lhe deixar outro pensamento, este busco de um político inglês e suas Reflexões da Revolução Francesa, E. Burke quando disse:
- “... Aqueles que não têm respeito pelos seus antepassados não podem ter respeito pelos pósteros...!”
Pensar... Ainda não dói já o respeito está com você... Ou não!
 

 

Dos Entendimentos & Compreensões do cotidiano

Inspirado em Lady Reny Martins