segunda-feira, 2 de maio de 2016

#PensarNaoDoi:

“ Paixão & Lógica! ”

“... O amor não é senão o desejo; e assim,
o desejo é o princípio original de que
todas as nossas paixões decorrem, como
os riachos da sua origem; por isso, sempre
que o desejo de um objeto se acende nos
nossos corações, pomo-nos a persegui-lo
e a procurá-lo e somos levados a mil desordens...!”

Miguel de Cervantes 

                                     Aqueles que escreveram sobre as paixões e a conduta da vida humana parecem, na sua maioria, tratar não de coisas naturais que decorrem das leis comuns da Natureza, mas de coisas que estão fora da Natureza. Na verdade, dir-se-ia que concebem o homem na Natureza como um império dentro de um império. Supõem, com efeito, que o homem perturba a ordem da Natureza mais que a segue, que tem sobre suas próprias ações um poder absoluto e tira apenas dele mesmo sua determinação. Procuram, pois, a causa da impotência e da inconstância humanas não na potência comum da Natureza, mas em não sei qual vício da natureza humana e, por essa razão comum da Natureza, mas em não sei qual vício da natureza humana e, por essa razão, choram por causa dela, riem, desprezam-na, ou a mais das vezes a detestam; quem sabe mais eloquentemente ou mais sutilmente censurar a impotência da alma humana é tido por divino. (...).

                                   É assim que Baruch Espinosa começa falando o capítulo A Origem e a Natureza das Paixões - Os afetos São Naturais e Humanos, em sua obra, Ética – Prefácio do Livro III, Rio de Janeiro, Ediouro, p.87. 
Paixão também pode ser o substantivo feminino sobre o martírio de Jesus Cristo na religião.
Paixão (do latim tardio passio -onis, derivado de passus, particípio passado de patī «sofrer») é um termo aplicado a um sentimento muito forte em relação a uma pessoa, objeto ou tema. A paixão é uma emoção intensa convincente, um entusiasmo ou um desejo sobre qualquer coisa.
                                    O termo também é aplicado com frequência para determinar um vívido interesse ou admiração por um ideal, causa ou atividade. Em suma, é um sentimento de excitação incomum ou de forte emoção. A palavra paixão é utilizada principalmente no contexto de romance ou de desejo sexual, embora, em geral, implique em uma emoção mais profunda ou mais abrangente do que sugere o termo "luxúria".
Mas e a lógica?
                                   Este outro controvertido substantivo feminino parte da filosofia que trata das formas do pensamento em geral (dedução, indução, hipótese, inferência etc.) e das operações intelectuais que visam à determinação do que é verdadeiro ou não.
Simples assim? Sim!
Mas o que tem a ver Paixão e lógica?

                              Partimos do pressuposto dos emblemáticos problemas do Brasil atual, todos eles de origem política – ou de politicagem com preferem alguns-
No seio de paixões entrecortadas por fanatismo, quase religioso, embutido em uma população, por um partido político, na última década – mesmo que seu preparo tenha mais de 5 décadas – criou-se a ausência de uma lógica propícia ao ordenamento e funcionamento do Estado – Pais, Povo – como um todo, resultando no que estamos vivenciando.
Três poderes, que deveriam ser independentes e harmônicos entre si, por lógica movida por uma paixão não explicável estão fazendo exatamente seus contrários.
                                 O escritor, em epígrafe, famoso por sua obra clássica dom Quixote de La Mancha, utilizou as duas expressões, a paixão comparada com a natureza. Porem convém lembrar que a lógica é uma criação humana. A natureza não. Por isso a natureza não é lógica. Ela é simplesmente natural. Age de acordo com sua natureza. Ela cria-se em ambiente propício. Já o ser humano ao utilizar sua lógica vai, literalmente, de encontro a natureza, exatamente por suas paixões.

                               E mesmo tendo sido nossa criação – humana – estamos, ainda, indo contra qualquer lógica possível.
Não estou utilizando aqui a paixão no sentido derradeiro dos escritores, pensadores acima mencionados, no tangente ao amor e ao próximo. Não, esta é mais facilmente compreensível do que a colocada em outros fatores.
                                    Na política, se olharmos profundamente esta lógica foge das principais paixões dos Gregos que aplicavam a paixão e a lógica ao seu contexto político e dele conseguiam resultados que o mantiveram como a civilização mais moderna de todos os tempos. Tanto que os “copiamos” até hoje, com a artimanha de modernização e adequação dos tempos. Mais uma mentirinha que dizemos à nós mesmos, como alimento de uma paixão pela modernização daquilo que chamamos de participação da polis, do estado. 
                                   Nestes contextos, por completa ausência de leitura, de busca de uma história para comparações, de modos de vidas dignos de uma sociedade, esquecemos outra lógica grega que era cheia de paixões: O bom senso.

Não agimos mais motivados por um bom senso. Muito pelo contrário, somos impulsionados pelo ridículo.
Nem vamos entrar em honra e dignidade. O assunto renderia. E com sinceridade: Poucos os possuem hoje para poderem fazer tal análise.
Mesmo sendo genérico já que as generalizações estão em moda.
Outra triste “palavrinha – moda –“ que leva sabe-se lá por qual motivação ao Brasilês agir da forma que age. Nem mais de cidadão podemos nominá-lo hoje. Por sua completa ausência de participação exceto naquilo que possa render alguma fotografia para publicação em alguma rede social...
Pobre.... Triste!
Pensar não dói.... Ainda!




Entendimentos & Compreensões 
Leituras & Pensamentos da Madrugada
Publicado originalmente no Grupo Kasal – Vitória – ES.
http://konvenios.com.br/info/verArtigo.aspx?a-id=27738
Arquivos da Sala de Protheus
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