sexta-feira, 29 de abril de 2016

#Humanidade:

Mulheres Elevam-se Sofrendo!
“ Eu entendo-me sempre melhor com uma mulher 
do que com um homem A conversa é sempre mais 
solta, mais descontraída. Eu acho que a relação com 
as mulheres é mais direta...!

José Saramago. Escritor Português.

                                     Durante alguns anos, professei para professores e executivos nos 4 estados do sul do Brasil, nas regiões oeste. Subindo sempre ao lado dos países andinos.
                            Geralmente as turmas eram de mulheres. Nada demais. Apenas por que elas se inscreviam mais nas universidades.
Sempre relutei em escrever sobre tudo o que vi, senti e aprendi com elas nestes longos anos. Todas são exemplos de muito sofrimento. Mulheres jovens. Entre os 25 e 30 anos todas já tinham ou especialização ou mestrado em alguma área humana, principalmente. 
Como é feito uma anamnese com cada aluno, conheci através de relatos histórias tristes, que deixaram marcas nestas mulheres, das quais, creiam-me: muitos poucos homens seriam tão fortes.
                                Jovens mulheres que os pais “casaram” aos 15 anos... Outras que tinham perdido filhos por causa de maus tratos dos tais de “maridos”... Sim, violência física contra mulheres grávidas. Outras professoras, que me mostravam marcas físicas de surras de tais “homens” que se diziam maridos, que tinham jurado sobre altares e sobre as leis... Dos homens e de Deus... Pura falácia... Não conseguiam conter seus impulsos primitivos.
                                     Mas o que mais chamava-me a atenção, é que elas tinha como se “esquecido”, dado a “volta por cima”... E só as cicatrizes no corpo... E na alma... Denunciavam o quanto sofreram por ter um tal de “parceiro”, que lhes dizia amar.
                                     Confesso-lhes que como gaúcho (por mais que nos rotulem de toscos e grossos) nascemos com princípios rígidos de educação e respeito pelos mais velhos e, mais ainda, pelas mulheres.
Pais gaúchos dizem: Como gostaria que tratassem tua irmã? Então cuida-te como vai tratar as mulheres...
                           Não é demagogia, fomos literalmente “feitos” educacionalmente, para respeitar a mulher que pode fazer o que nós não podemos fazer... Gerar um filho!
O escritor Miguel Esteves Cardoso já disse:
“ A minha mãe ensinou-me que, para uma mulher, os homens são um pouco simplórios e que, para mantê-los interessados, basta como uma torneira, de onde ora sai a a água quente ou a água fia. Oscila-se entre as duas temperaturas do modo mais aleatório possível, para que eles jamais possam prever como vai correr o feitio das mulheres. O segredo das mulheres nunca contou. Era leal a causa.!”
                                Conheço histórias de mulheres que perderam 4 filhos, seguidos, e conseguiram lutar e levar avante mais duas maternidades, e hoje se orgulham de seus príncipes e princesas. Mesmo depois do marido ter sido canalha, gigolô (sustentado pelas mesmas) e muitas que até o sogro ajudou vendo a canalhice do filho.
E mesmo sofrendo tanto... Algumas dizendo que nunca mais “um homem as tocaria”... Tocaram suas vidas e hoje são mães, esposas, executivas, profissionais, autossuficientes e não dependem de nada.
Mas a pergunta que fica: 
                                Será que a essência de uma mulher princesa, de tantos sonhos desfeitos, continuou a mesma depois de tanto sofrimento impingido pelos ditos “homens”?
Fiz esta pergunta muitas vezes... Algumas respostas eram somente um sorrisinho de “canto de boca”. Outras diziam: Não profe. Jamais fui a mesma pessoa. Outras diziam ser uma “missão” e ter filhos, ter descendentes era mais importante que tudo.
Outras respostas, confesso: não tenho coragem de mencionar aqui. Elas foram fortíssimas e continuam até hoje.
Lembro-me de uma professora que já tinha uma filha formada na academia, continuava dando aulas... E continuava o sofrimento. Perguntei-lhe:
- O que te faz aguentar, suportar.... As respostas eram sempre evasivas....
Para todos da região oeste do Brasil, o mar é um sonho que poucos conseguem realizar de conhecer.
Sempre dizia e narrava como era a primeira impressão de chegar na areia e olhar aquela maravilha de Deus, que parecia não ter fim... Vimos o quanto somos pequenos... E ao mesmo tempo o quanto somos fortes... Pois dele tiramos energias
Certo dia, alguns anos depois, desta mesma professora recebo mensagem eletrônica dizendo:
Profe:
Consegui me separar, hoje estou no interior de outro estado (um pouco acima e onde estava) conheci um homem maravilhoso, simples, mas me trata como uma rainha.... 
E já me levou conhecer o mar... E foi exatamente como o senhor descreveu... Foi o melhor presente... E quando toquei a agua para ver o gosto salgado, sorri e te agradeci te mandando bênçãos.
A narrativa me emocionou, assim como recebo até hoje, relatos de mulheres inteligentíssimas, médicas, psicólogas, de profissões bem definidas, autossuficientes e que narram histórias que parecem serem mais do tempo das cavernas.
Fica a pergunta aos ditos homens, aos ditos “machos”:
Em que momento da vida se perderam de tal forma e serem tão diabólicos.... Não diriam animalescos, pois os animais não tratam as fêmeas desta forma... O que houve com suas educações? O que não trouxeram de casa? De seus pais? Nenhum exemplo? E de suas irmãs? Nada.
Sim... Nada
Profe: não se preocupe temos Deus no coração... E superamos e nos tornamos muito mais fortes, talvez, do que jamais fomos.
Quem sabe não seja esta a missão da mulher?
Não acredito. Somente um ser dotado de uma compaixão divina poderia dar uma resposta destas.
Continuo acreditando no ser humano, e que neste século vinte e um possamos aprender com as mulheres... Somos apenas meros reprodutores que ainda não descobriram a “cabeça de cima”... Muito triste.
Pensar não dói.... Já ser cafajeste e primitivo...



Entendimentos & Compreensões
Pensamentos da Madrugada,
Homenagem a alunas, agora amigas de alma
Guerreiras que levo na lembrança.
Publicado originalmente no grupo Kasal – Vitória – ES.
http://konvenios.com.br/info/verArtigo.aspx?a-id=27714#.VyP8NfkrK00
Arquivos da Sala de Protheus.
www.epensarnaodoi.blogspot.com.br